Macro & Mercados

China unifica controle de carbono industrial até 2030 — exportadores brasileiros de aço e alumínio precisam se adaptar

· Redação CBI
Minério de ferroInfraestrutura e construção

O Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China publicou o Plano de Implementação para o sistema de controle duplo de emissões de carbono (2026-2030), que unifica contabilidade, avaliação e pegada de carbono de produtos industriais.

O Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China (MIIT) divulgou o 'Plano de Implementação para Acelerar a Construção do Sistema de Trabalho de Controle Duplo de Emissões de Carbono no Âmbito da Indústria e da Informatização (2026–2030)', que substitui o antigo controle de consumo de energia pelo controle da quantidade total e da intensidade de emissões de carbono. A medida, que entra em vigor no período do 15º Plano Quinquenal, estabelece que setores-chave terão gestão de carbono aprimorada, parques industriais terão nível de gestão significativamente melhorado e o sistema de pegada de carbono de produtos industriais será gradualmente implementado. Para o Brasil, o impacto direto é indireto, mas relevante: exportadores de aço, alumínio, cimento e químicos para a China precisarão se alinhar a um padrão de contabilidade de carbono que pode se tornar exigência de acesso ao mercado chinês. O MIIT organizou o plano ao longo de 2025, com visitas a Guangdong, Hubei, Xangai, Tianjin, Fujian, Xinjiang, Ningxia, Chongqing e Shaanxi, e consultas a associações industriais, institutos de pesquisa e empresas-chave. O documento final, publicado agora, consolida cinco eixos: requisitos gerais, melhoria do nível de serviço de gestão de emissões de carbono em setores-chave, construção de um sistema de contabilidade e avaliação, aprimoramento da gestão de carbono em empresas e parques industriais, e implementação de um sistema de pegada de carbono de produtos industriais. A meta é que, até 2030, os sistemas de contabilidade, avaliação e exame de emissões de carbono no âmbito da indústria e da informatização estejam basicamente estabelecidos. Por que isso chega ao Brasil: a China é o maior destino das exportações brasileiras de minério de ferro, aço semiacabado, alumínio, celulose e produtos químicos. Empresas como Vale, Gerdau, CSN, Braskem e produtores de alumínio da Amazônia fornecem insumos para a indústria chinesa. Quando Pequim unifica a contabilidade de carbono e a pegada de produtos, ela cria um padrão que pode ser usado como referência para futuras tarifas de carbono na fronteira ou exigências de certificação. O regulador brasileiro que precisa reagir é o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), que pode precisar negociar equivalência de metodologias, e a ApexBrasil, para preparar exportadores. O MAPA também acompanha, já que produtos agroindustriais têm pegada de carbono crescente nas negociações. Os dados mostram que o plano é uma continuação da transição iniciada com o 'Esboço' do 15º Plano Quinquenal, que já previa avaliação de carbono local, controle setorial, gestão empresarial e pegada de produtos. Na leitura do CBI, isso indica que a China está montando a infraestrutura de medição que precede qualquer mecanismo de precificação de carbono ou ajuste de fronteira. A diferença em relação a 2021, quando o mercado nacional de carbono foi lançado apenas para o setor elétrico, é que agora o foco é a indústria manufatureira e a cadeia de suprimentos. Para o exportador brasileiro, o risco é ser cobrado por uma pegada de carbono calculada com metodologia chinesa, sem participação nas regras. A oportunidade é que empresas que já têm inventário de emissões e certificações internacionais (como ISO 14064) podem se diferenciar. O que acompanhar: primeiro, a publicação dos detalhamentos setoriais pelo MIIT, previstos para o primeiro semestre de 2026, que devem definir quais setores terão exigência de contabilidade obrigatória. Segundo, a posição do MDIC e da CAMEX sobre reconhecimento mútuo de metodologias de carbono com a China, que pode ser pauta da próxima reunião da COSBAN (Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação). Terceiro, o comportamento das exportações brasileiras de aço e alumínio para a China no segundo semestre, que podem sofrer pressão de compradores chineses exigindo declarações de pegada de carbono antes mesmo de qualquer regra formal.

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