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China reúne 900 empresas em feira de grãos e óleos — soja brasileira busca espaço em Zhengzhou

· Redação CBI
Soja e oleaginosasEletrônicos e máquinas

A Exposição Nacional de Grãos, Óleos e Soja de 2026, em Zhengzhou, reuniu 900 empresas e 10 mil produtos para reforçar a segurança alimentar chinesa; para exportadores brasileiros de soja e carnes, o evento sinaliza prioridades de compra e abertura de canais com plataformas como JD.com.

O Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China realizou, entre 30 de outubro e 1º de novembro, a Exposição Nacional de Grãos, Óleos e Soja de 2026 no Centro de Convenções Internacionais de Zhengzhou Zhongyuan, com 900 empresas expositoras, 10 mil produtos e mais de 120 mil visitantes. O evento, que teve como tema 'Desenvolver a indústria de grãos e óleos, garantir a segurança alimentar', contou com a presença do vice-ministro Pan Wenbo e de autoridades provinciais de Henan. Para o Brasil, maior fornecedor de soja à China, a feira é um termômetro das prioridades chinesas de compra e de conexão entre produtores e plataformas de e-commerce e atacadistas — canais que podem encurtar a cadeia entre tradings brasileiras e compradores chineses. A Exposição Nacional de Grãos, Óleos e Soja de 2026, organizada pelo Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China, ocorreu de 30 de outubro a 1º de novembro no Centro de Convenções e Exposições Internacionais de Zhengzhou Zhongyuan, na província de Henan. O evento reuniu participantes de 29 províncias chinesas, mais de 900 empresas e cerca de 10 mil tipos de produtos de grãos e óleos de alta qualidade. Compareceram mais de 300 plataformas de comércio eletrônico, grandes mercados atacadistas, alianças de compras de universidades e empresas de cadeia de suprimentos, com público superior a 120 mil visitantes. O vice-ministro da Agricultura e Assuntos Rurais, Pan Wenbo, a vice-secretária do Grupo de Liderança do Partido e vice-diretora do Comitê Permanente da Assembleia Popular de Henan, Jiang Ling, e o vice-governador de Henan, Li Zhuo, visitaram a exposição e participaram de atividades de promoção temática. O evento chega ao Brasil por meio da cadeia de soja e de óleos vegetais. A China é o maior comprador global de soja e o Brasil responde por cerca de 70% das importações chinesas da oleaginosa, segundo dados de comércio. A feira em Zhengzhou funciona como vitrine para o governo chinês sinalizar prioridades de segurança alimentar, qualidade e digitalização do setor — temas que afetam diretamente tradings brasileiras como Amaggi, Cargill e Bunge, cooperativas do Mato Grosso e do Paraná, e exportadores de óleo de soja e farelo. A presença de plataformas de e-commerce e atacadistas chineses cria, ainda, canais alternativos aos grandes compradores estatais, o que pode abrir espaço para marcas brasileiras de alimentos processados e produtos de nicho. O MAPA (Ministério da Agricultura brasileiro) e a CAMEX acompanham esses movimentos porque eles influenciam requisitos sanitários e fitossanitários para habilitação de plantas exportadoras. Os dados mostram que a edição de 2026 realizou 22 atividades em cinco categorias, com áreas especializadas para máquinas agrícolas de alto desempenho, produtos finos de grãos e óleos e a indústria da soja, além de demonstrações de tecnologia agrícola. Quatro empresas líderes fizeram apresentações temáticas, oito grandes províncias produtoras divulgaram informações de atração de investimentos, 17 condados promoveram produtos locais e 10 empresas apresentaram marcas. Pela primeira vez, houve uma área de equipamentos inteligentes e uma atividade de conexão financeira de apoio ao agricultor, com instituições financeiras explicando políticas de crédito. Na leitura do CBI, o recado é claro: Pequim quer reduzir a dependência de importação de grãos e óleos por meio de produtividade interna e digitalização, mas, no curto prazo, a soja brasileira segue insubstituível — e a feira serve para organizar a ponta compradora chinesa, incluindo e-commerce e atacado, em torno de fornecedores qualificados. A realização simultânea da Conferência de Cooperação Agrícola China (Henan)—ASEAN e da 5ª Exposição Internacional de Cooperação Agrícola 'Cinturão e Rota' reforça a estratégia chinesa de diversificar origens e ampliar influência regional, o que exige do exportador brasileiro atenção redobrada a padrões de qualidade e rastreabilidade. O que acompanhar: primeiro, a publicação de editais ou listas de fornecedores habilitados resultantes das rodadas de conexão da feira, que podem incluir empresas brasileiras; segundo, o calendário de missões comerciais chinesas ao Brasil no primeiro semestre de 2027, especialmente em Mato Grosso e Paraná; terceiro, a evolução das compras chinesas de soja no CBOT e os prêmios de exportação nos portos de Santos e Paranaguá, que refletem o apetite chinês após o evento.

Nota sobre a fonte

A fonte oficial chinesa adota tom otimista de segurança alimentar e autossuficiência, mas omite que, no curto prazo, a dependência de soja brasileira permanece intacta — o que relativiza o discurso de redução de importações.

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