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China reforça controle sobre sementes no 15º Plano — produtores brasileiros de soja e milho monitoram acesso a genética

· Redação CBI
Soja e oleaginosas

O Ministério da Agricultura da China realizou reunião em Guangzhou para implantar a revitalização do setor de sementes no 15º Plano Quinquenal, com foco em IA, controle de recursos genéticos e combate à pirataria — movimento que pode afetar o fluxo de germoplasma e a competitividade de traders e

O Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China realizou em 19 de outubro, em Guangzhou, a reunião de promoção da revitalização do setor de sementes, com o vice-ministro Pan Wenbo à frente. O encontro definiu as prioridades para o 15º Plano Quinquenal (2026-2030): acelerar a identificação e melhoramento de recursos genéticos, impulsionar a inovação em melhoramento com inteligência artificial, criar empresas líderes com competitividade internacional e endurecer a proteção de propriedade intelectual. Para o Brasil, maior exportador de soja e milho do mundo, a decisão sinaliza que a China quer reduzir dependência externa de genética e sementes — o que pode redesenhar acordos de cooperação agrícola e o acesso de empresas brasileiras ao mercado chinês de insumos. A reunião de Guangzhou, comandada pelo vice-ministro Pan Wenbo, não foi um evento protocolar: o Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais chinês reuniu representantes do Supremo Tribunal Popular, da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC, o planejamento econômico), do Ministério da Segurança Pública, do Ministério das Finanças e da Administração Geral das Alfândegas (GACC) para alinhar a execução da revitalização do setor de sementes no 15º Plano Quinquenal. O texto oficial é explícito: o período é a "fase de assalto" para alcançar "grandes breakthroughs em dez anos" e garantir a autossuficiência científica e tecnológica do setor de sementes e o "controle autônomo dos recursos genéticos". As prioridades incluem melhoramento genético capacitado por inteligência artificial, construção de bases nacionais de sementes, exibição e promoção em larga escala de variedades superiores e combate severo à falsificação e violação de direitos. Longping High-Tech, braço de sementes da CITIC e uma das maiores empresas do setor no mundo, fez apresentação de intercâmbio — sinal de que o setor privado chinês será protagonista. Por que isso chega ao Brasil: o país é o principal fornecedor de soja da China (mais de 70% das importações chinesas em anos recentes) e um dos maiores exportadores de milho. A cadeia bilateral, porém, vai além da commodity: empresas brasileiras de genética vegetal, multiplicadores de sementes e traders que operam com pacotes tecnológicos envolvendo germoplasma chinês ou parcerias de pesquisa (via Embrapa e universidades) precisam acompanhar o novo marco. O endurecimento da proteção de propriedade intelectual e o discurso de "controle autônomo" podem restringir o compartilhamento de material genético e elevar o custo de licenciamento. Reguladores brasileiros como o MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária) e a CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) terão de acompanhar eventuais mudanças em protocolos de intercâmbio de germoplasma. O impacto direto é indireto, via regras de acesso a recursos genéticos e via pressão competitiva sobre empresas brasileiras que fornecem sementes e tecnologia para o mercado chinês. Os dados mostram que a China importou mais de 100 milhões de toneladas de soja em 2023, das quais cerca de 70% vieram do Brasil — dependência que Pequim quer reduzir não na compra do grão, mas na dependência de tecnologia e genética estrangeira. Na leitura do CBI, isso indica uma estratégia de longo prazo: a China quer ser autossuficiente em sementes de alto valor (soja, milho, hortaliças) e usar IA para acelerar o melhoramento, o que pode tornar suas variedades competitivas em mercados de exportação, incluindo a América do Sul. Para o agronegócio brasileiro, o risco não é imediato, mas é estrutural: se a China desenvolver variedades tropicais adaptadas e as exportar via empresas como Longping, o Brasil pode enfrentar concorrência em mercados de sementes na África e no Sudeste Asiático. Além disso, a ênfase em "combate à falsificação" pode criar barreiras não tarifárias para importação de sementes e material genético, afetando empresas brasileiras que exportam para a China. O que acompanhar: primeiro, a publicação dos decretos e normas específicas do 15º Plano para o setor de sementes, prevista para os próximos meses, que detalhará regras de acesso a recursos genéticos e propriedade intelectual. Segundo, a próxima reunião do Comitê Conjunto China-Brasil de Cooperação Agrícola, onde o tema pode entrar na pauta. Terceiro, o movimento de empresas como Longping High-Tech e COFCO em direção a parcerias ou aquisições na América do Sul — qualquer anúncio de investimento em genética no Brasil será um sinal claro. Por fim, monitorar a variação nas exportações brasileiras de sementes e material de propagação para a China, que hoje são modestas, mas podem crescer ou encolher dependendo do novo marco regulatório chinês.

Nota sobre a fonte

A fonte oficial chinesa usa linguagem institucional e otimista ('fase de assalto', 'autossuficiência'), sem detalhar prazos ou restrições concretas a germoplasma estrangeiro.

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