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China Rare Earth planeja emissão de ações para comprar ativo em Liangshan — setor de ímãs e baterias brasileiro monitora cadeia de terras raras

· Redação CBI
Veículos elétricos e baterias

A China Rare Earth, braço listado do grupo estatal chinês de terras raras, suspendeu ações e planeja emitir papéis para adquirir participação na Zhongxi Liangshan, movimento que consolida o controle de Pequim sobre a oferta global de terras raras e afeta indiretamente importadores brasileiros de

A China Rare Earth anunciou a suspensão de suas ações e informou ter recebido notificação do Grupo de Terras Raras da China (China Rare Earth Group) para adquirir, por meio de emissão de ações, a Zhongxi (Liangshan) Rare Earth Co. — movimento que consolida ainda mais o controle estatal chinês sobre a cadeia de separação e refino de terras raras. Para o Brasil, o efeito é indireto, mas relevante: o país importa compostos de terras raras e ímãs de neodímio usados em motores elétricos, aerogeradores e catalisadores, e qualquer rearranjo societário no maior produtor mundial tende a influenciar preços e disponibilidade de contratos de longo prazo. A China Rare Earth, empresa listada em bolsa controlada pelo Grupo de Terras Raras da China, informou que recebeu notificação do acionista controlador sobre um plano de aquisição da Zhongxi (Liangshan) Rare Earth Co. por meio de emissão de ações, com levantamento de recursos complementares. As ações da companhia foram suspensas enquanto a operação é estruturada. O negócio envolve a incorporação de uma participação na Zhongxi Liangshan, ativo de separação de terras raras localizado na província de Sichuan, região que concentra parte relevante da produção chinesa de óxidos de terras raras leves e médias. A operação ainda depende de aprovações societárias e regulatórias e não teve valores divulgados no anúncio inicial. O impacto direto no comércio Brasil-China é indireto, via cadeia de insumos industriais. O Brasil não é produtor relevante de terras raras separadas — o projeto de Araxá (MG) e iniciativas em Goiás ainda estão em fase de desenvolvimento — e depende de importações chinesas de ímãs de neodímio-ferro-boro, óxidos para polimento, catalisadores de craqueamento usados em refinarias e insumos para baterias e motores elétricos. Empresas brasileiras dos setores de energia eólica (fabricantes de aerogeradores), automotivo (montadoras de veículos eletrificados) e químico (catalisadores) estão expostas a variações de preço e a mudanças nas prioridades de alocação do grupo estatal chinês. O BNDES e o Ministério de Minas e Energia acompanham o tema no âmbito da política de minerais críticos, mas não há, até o momento, regulador brasileiro diretamente acionado pela operação. Os dados mostram que a China responde por cerca de 60% a 70% da produção global de terras raras mineradas e por parcela ainda maior do refino e da separação — concentração que Pequim tem usado como instrumento de política industrial e, em momentos de tensão comercial, de restrição de exportação. Na leitura do CBI, a aquisição da Zhongxi Liangshan pelo braço listado do grupo estatal indica dois movimentos simultâneos: consolidação de ativos dentro de um único veículo controlado pelo Estado, o que facilita coordenação de preços e de volumes, e uso do mercado de capitais para financiar essa consolidação sem pressionar o orçamento fiscal. Para o comprador brasileiro, o efeito prático tende a ser maior rigidez nas condições de contrato de longo prazo e maior dependência de intermediários comerciais chineses, uma vez que a contraparte passa a ser uma estrutura societária mais centralizada. O que acompanhar: primeiro, a divulgação do prospecto da emissão de ações, com valores e cronograma, que deve indicar o tamanho do ativo incorporado e o apetite do mercado chinês por esse tipo de operação; segundo, eventuais comunicados do Grupo de Terras Raras da China sobre cotas de exportação ou prioridades de fornecimento, que costumam anteceder ajustes de preço para compradores estrangeiros; terceiro, o avanço dos projetos brasileiros de separação de terras raras em Araxá (MG) e em Goiás, que são a principal via de redução de dependência do insumo chinês no médio prazo.

Nota sobre a fonte

A fonte chinesa trata a operação como consolidação estratégica setorial e não detalha valores nem efeitos sobre exportações, o que pode suavizar o impacto de maior centralização de preços e alocação sobre compradores brasileiros.

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