Regulação Financeira

China lança seguro de tecnologia com meta de 8,7 trilhões de yuans — seguradoras brasileiras perdem espaço em inovação

· Redação CBI
Eletrônicos e máquinas

A China mobilizou seu regulador financeiro e o Ministério da Ciência e Tecnologia para expandir o seguro de tecnologia, que já protegeu 8,7 trilhões de yuans em riscos até agosto de 2026, criando um mercado que pode excluir seguradoras brasileiras de cadeias de inovação sino-brasileiras.

A Administração Nacional de Regulação Financeira da China e o Ministério da Ciência e Tecnologia realizaram uma reunião conjunta para implantar a expansão do seguro de tecnologia no país, com foco em autossuficiência tecnológica de alto nível. O setor saltou de 4 operadores piloto para mais de 60, e de janeiro a agosto de 2026 concedeu 8,7 trilhões de yuans em proteção de risco — alta de 66,9% ano a ano. Para o Brasil, o movimento sinaliza que empresas brasileiras com operações ou parcerias tecnológicas na China precisarão se adaptar a um ecossistema de seguros cada vez mais fechado em torno de padrões chineses, com pouca participação de seguradoras estrangeiras. A Administração Nacional de Regulação Financeira (NFRA, o regulador financeiro chinês) e o Ministério da Ciência e Tecnologia da China realizaram uma reunião de intercâmbio e promoção sobre seguro de tecnologia, com a participação de vice-diretores e vice-ministros. O encontro teve como objetivo implementar o parecer que orienta o desenvolvimento de alta qualidade do seguro de tecnologia, resumir experiências locais e definir prioridades. Os números apresentados são expressivos: de janeiro a agosto de 2026, o seguro de tecnologia forneceu 8,7 trilhões de yuans em proteção de risco para atividades tecnológicas, um crescimento de 66,9% em relação ao ano anterior. O número de operadores saltou de 4 pilotos iniciais para mais de 60. O mecanismo de seguro para primeiros conjuntos e primeiras remessas, que opera há mais de uma década, já forneceu mais de 1 trilhão de yuans em proteção para equipamentos tecnológicos importantes e novos materiais-chave. Áreas como espaço comercial, circuitos integrados e tecnologia quântica já apresentam resultados positivos. Por que isso chega ao Brasil? O impacto direto é indireto, via cadeias de inovação e fornecimento. Empresas brasileiras que exportam para a China ou que mantêm joint ventures tecnológicas com parceiros chineses — nos setores de semicondutores, equipamentos médicos, software embarcado e materiais avançados — podem ser afetadas pela exigência crescente de que seus parceiros chineses contratem seguros de tecnologia locais. Seguradoras brasileiras com atuação internacional, como a IRB Brasil RE e resseguradoras globais com operações no Brasil, perdem espaço nesse mercado, que se fecha em torno de operadoras chinesas. Reguladores brasileiros como a Susep (Superintendência de Seguros Privados) e o Banco Central podem precisar acompanhar a evolução desses mecanismos para evitar assimetrias regulatórias em acordos bilaterais. Os dados mostram que a China está construindo um sistema nacional de seguro de tecnologia com forte coordenação estatal, envolvendo regulação financeira, ciência e tecnologia, indústria, finanças e propriedade intelectual. Na leitura do CBI, isso indica que Pequim trata o seguro de tecnologia não apenas como instrumento de mercado, mas como política industrial estratégica para blindar sua cadeia de inovação. A menção a Pequim (Jing-Jin-Ji), Xangai (Delta do Rio Yangtzé) e Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau como 'local de estreia' da inovação em seguro de tecnologia reforça a intenção de criar polos regionais de atração de capital e talento. Para o Brasil, o risco é ficar fora desse arranjo: empresas brasileiras que dependem de tecnologia chinesa podem enfrentar custos de seguro mais altos ou exigências de contrapartidas locais. Por outro lado, há oportunidade para seguradoras e resseguradoras brasileiras que dominem a modelagem de riscos tecnológicos e busquem parcerias com operadoras chinesas. O que acompanhar: primeiro, a publicação do decreto ou norma específica que detalhará como os 60 operadores serão credenciados e quais requisitos de capital e resseguro serão exigidos — isso definirá se há espaço para participação estrangeira. Segundo, a evolução do mecanismo de seguro para primeiros conjuntos e primeiras remessas, que já opera há mais de dez anos e pode ser estendido a projetos de infraestrutura tecnológica com participação brasileira. Terceiro, a reação da Susep e do Ministério da Fazenda brasileiro sobre eventual reciprocidade em acordos de seguros com a China, especialmente no âmbito do acordo de comércio bilateral e do BNDES. A campanha de divulgação temática lançada na reunião também sinaliza que o governo chinês pretende educar empresas sobre a contratação de seguros, o que pode criar barreiras não tarifárias para fornecedores estrangeiros que não se adequarem.

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