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China lança relatório de capacitação em IA no Xiongan — oportunidade para empresas brasileiras de tecnologia e compliance digital

· Redação CBI

A China divulgou o Relatório de Progresso do Programa de Capacitação em Inteligência Artificial para o Benefício Comum, defendendo soberania digital e cooperação com o Sul Global.

O Ministério das Relações Exteriores da China divulgou, em 26 de outubro de 2026, o Relatório de Progresso do Programa de Capacitação em Inteligência Artificial para o Benefício Comum, durante o Fórum de Governança Global em Xiongan. O porta-voz Guo Jiakun afirmou que a China quer ser provedora de bens públicos internacionais em IA e defendeu que todos os países tenham capacidade de base para desenvolver a tecnologia de forma autônoma. A declaração vem na esteira da reeleição de Lula no Brasil, o que pode abrir espaço para cooperação bilateral em governança digital e capacitação técnica. O relatório foi apresentado no Fórum de Governança Global (Xiongan) e sistematiza os resultados de cooperação, experiências práticas e casos desde que o programa foi proposto, há dois anos. Segundo Guo Jiakun, a China promoveu em 2024 a aprovação por consenso na Assembleia Geral da ONU da resolução 'Fortalecer a Cooperação Internacional em Capacitação em Inteligência Artificial', criou o Grupo de Amigos da Cooperação Internacional em Capacitação em IA e lançou o próprio programa. O documento aponta que a acessibilidade tecnológica é o ponto de partida, o desenvolvimento autônomo é o objetivo e defende código aberto, consulta e construção conjunta, com fornecimento coordenado de modelos, dados e talentos. Para o Brasil, o movimento chinês em IA chega em um momento de definição regulatória. O país discute o marco legal da inteligência artificial no Congresso, e o setor de tecnologia brasileiro — especialmente startups de IA, empresas de compliance digital e prestadores de serviços de nuvem — precisa acompanhar os padrões que a China está promovendo internacionalmente. A ênfase chinesa em soberania digital e desenvolvimento autônomo dialoga com a posição brasileira de não dependência de plataformas estrangeiras, mas também pode criar pressão para alinhamento a padrões técnicos chineses em projetos de cooperação. O impacto direto é indireto, via definição de normas e possíveis acordos de capacitação que podem envolver universidades e centros de pesquisa brasileiros. Os dados mostram que a China tem buscado institucionalizar sua visão de governança de IA por meio de resoluções na ONU e grupos de cooperação. Na leitura do CBI, isso indica que Pequim quer posicionar seus modelos e padrões como referência para países em desenvolvimento, incluindo o Brasil. A menção ao 'Sul Global' e à necessidade de aumentar a representatividade dos países em desenvolvimento na governança global é um aceno direto a nações como o Brasil, que podem se beneficiar de transferência de tecnologia e capacitação, mas também precisam avaliar os riscos de dependência tecnológica e de alinhamento regulatório. O que acompanhar: primeiro, a tramitação do marco legal da IA no Congresso brasileiro e se haverá menção a cooperação internacional com a China; segundo, a possível assinatura de acordos de capacitação em IA durante a visita da ministra das Relações Exteriores da Islândia ou em encontros bilaterais Brasil-China nos próximos meses; terceiro, a evolução do Grupo de Amigos da Cooperação Internacional em Capacitação em IA na ONU e se o Brasil aderirá formalmente. Além disso, empresas brasileiras de tecnologia devem monitorar editais e programas de cooperação que possam surgir do fórum de Xiongan.

Nota sobre a fonte

A fonte é o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China e usa linguagem diplomática otimista sobre cooperação e consenso, sem detalhar compromissos vinculantes ou prazos para o Brasil.

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