TecnologiaMonitorar

China lança plano de 'tecnologia no comércio' com 18 medidas — logística e varejo brasileiros na mira

· Redação CBI
Infraestrutura e construção

Nove ministérios chineses publicaram diretriz para integrar tecnologia a toda a cadeia comercial, de consumo a logística; para exportadores e operadores logísticos brasileiros, a aposta é em padrões digitais e rastreabilidade que podem virar exigência de acesso ao mercado chinês.

O Ministério do Comércio da China e outros oito departamentos publicaram nesta quinta-feira (19) o 'Parecer sobre a Aceleração da Promoção da Tecnologia no Comércio', primeiro documento abrangente do país com o tema. São 18 medidas que vão de consumo de bens e serviços a infraestrutura de circulação e padrões técnicos. Para o Brasil, o sinal é claro: a China quer digitalizar a cadeia comercial que compra do agronegócio brasileiro e vende eletrônicos ao mercado nacional — e quem não se adaptar aos novos padrões de rastreabilidade e interoperabilidade pode perder competitividade. O Ministério do Comércio (MOFCOM) da China e mais oito departamentos governamentais divulgaram em coletiva de imprensa em Pequim o 'Parecer sobre a Aceleração da Promoção da Tecnologia no Comércio'. O documento, segundo o assistente do ministro Yuan Xiaoming, é o primeiro instrumento abrangente e sistemático do país com o tema 'tecnologia no comércio' e propõe 18 medidas específicas em quatro frentes: tecnologia para elevar a qualidade do consumo de bens, tecnologia para expandir o consumo de serviços, tecnologia para desobstruir a cadeia de circulação comercial e tecnologia para moldar cenários comerciais futuros. O texto também prevê seis frentes de suporte: sistema de padrões, infraestrutura, supervisão de segurança, P&D e transformação, formação de talentos e finanças e fiscalidade. Os dados citados pelo governo chinês ajudam a dimensionar a aposta: as vendas de óculos inteligentes nas principais plataformas cresceram 1,1 vez de janeiro a setembro, e as vendas no varejo de serviços subiram 5% em termos homólogos, superando o varejo de bens. O impacto chega ao Brasil por duas vias. A primeira é a cadeia de exportação: se a China padronizar rastreabilidade digital, interoperabilidade de dados e certificação tecnológica para produtos importados, frigoríficos, tradings de soja e exportadores de café e algodão precisarão adequar sistemas de informação e documentação — um custo que recai sobre o MAPA e sobre a Receita Federal na validação de certificados eletrônicos. A segunda é a logística: o texto fala em 'desobstruir a cadeia de circulação comercial' com tecnologia, o que na prática significa portos, alfândegas e plataformas de e-commerce chinês operando com padrões digitais próprios. Operadores logísticos brasileiros que movimentam carga para a China, como armadores e agentes de carga, terão de se integrar a esses sistemas ou ficarão fora das rotas mais eficientes. O impacto direto é indireto, via padrões técnicos e exigências de interoperabilidade que podem se tornar barreiras não tarifárias nos próximos ciclos de negociação sanitária e aduaneira. Os dados mostram que a China trata tecnologia no comércio como política industrial, não apenas como fomento ao consumo. Na leitura do CBI, isso indica que o país está montando infraestrutura de padrões — e quem define padrão define acesso a mercado. O precedente é a trajetória da certificação eletrônica e da alfândega digital chinesa, que começou como facilitação e evoluiu para exigência. Para o exportador brasileiro, o risco não é imediato, mas é direcional: em 12 a 24 meses, requisitos de dados podem aparecer em protocolos sanitários e contratos de fornecimento. A menção a blockchain e internet das coisas no documento reforça que a aposta é em rastreabilidade — área em que o agronegócio brasileiro já investe, mas de forma fragmentada. O que acompanhar: primeiro, a publicação dos decretos regulamentares do MOFCOM com os padrões técnicos específicos, prevista para os próximos meses; segundo, a posição do MAPA e da CAMEX sobre eventuais exigências de certificação digital em protocolos com a China; terceiro, a evolução das vendas de serviços e bens tecnológicos chineses no Brasil, que devem crescer com o incentivo do governo chinês a novos formatos de negócio. Para o empresário brasileiro, a pergunta de segunda-feira é simples: minha operação com a China está pronta para trocar papel por dado?

Nota sobre a fonte

A fonte oficial chinesa (科技日报/MOFCOM) apresenta o plano em tom institucional e otimista, sem detalhar prazos ou exigências para importadores; a leitura de barreira não tarifária é interpretação do CBI, não declaração oficial.

O que isso significa para sua empresa?

A CBI transforma sinais da China em pesquisa de mercado, avaliação de parceiros e apoio à entrada no mercado.

Conversar com a equipe →

Receba o briefing diário

3-5 destaques por dia, direto no e-mail. Gratuito.