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China impõe restrições de água e carbono a data centers — setor de infraestrutura digital brasileiro deve se preparar
· Redação CBI
Infraestrutura e construção
A China elevou a 'sinergia poder computacional-água' a prioridade nacional e passou a exigir eficiência hídrica (WUE) e de carbono (CUE) em data centers, sinalizando que a próxima fronteira da IA será disputada por quem domina infraestrutura verde — tema que afeta diretamente fornecedores e
O governo chinês formalizou um novo padrão nacional que coloca a expansão de data centers sob três restrições rígidas simultâneas: eletricidade, água e carbono. Durante inspeção em Ulanqab, na Mongólia Interior, em 16 de outubro, o secretário-geral Xi Jinping pediu atenção à 'sinergia poder computacional-água' ao lado da já conhecida 'sinergia poder computacional-eletricidade', e o mais recente sistema nacional de avaliação de instalações verdes de poder computacional passou a incluir o indicador CUE (Eficiência no Uso de Carbono), somado ao PUE (energia) e ao WUE (água). Para o Brasil, o movimento antecipa a régua que deve chegar a operadores de data centers e à cadeia de infraestrutura digital nos próximos ciclos de investimento.
A decisão foi consolidada em outubro, quando Xi Jinping, em visita a Ulanqab — conhecida como o 'Vale das Nuvens da Estepe' e um dos principais polos de data centers da China —, exigiu 'eficiência, verde e segurança' na construção de centros de poder computacional e mencionou explicitamente a 'sinergia poder computacional-água'. O conceito entrou no vocabulário oficial pela primeira vez e se soma à 'sinergia poder computacional-eletricidade', que já havia sido elevada a estratégia nacional em março deste ano, quando o Relatório de Trabalho do Governo a incluiu no esboço do 15º Plano Quinquenal. Na prática, o novo padrão nacional de avaliação de instalações verdes de poder computacional passou a exigir três métricas combinadas: PUE (eficiência energética), WUE (eficiência hídrica) e CUE (eficiência de carbono). O resfriamento de servidores consome água, e a geração termelétrica e nuclear também demanda recursos hídricos — quanto mais intensivo o poder computacional, maior o consumo de água. Em Ulanqab, os recursos hídricos per capita são de apenas 484 metros cúbicos, abaixo da linha de alerta internacional de escassez extrema (500 m³ per capita), o que ilustra o descompasso entre a geografia do poder computacional e a disponibilidade hídrica.
O impacto direto para o Brasil é indireto, mas relevante para quem opera ou investe em infraestrutura digital. Grandes operadores globais de data centers — incluindo empresas com presença no Brasil — tendem a replicar padrões chineses e europeus de eficiência hídrica e de carbono em seus portfolios, o que pressiona fornecedores brasileiros de refrigeração, energia e construção civil a se adequarem. Além disso, a ANEEL e o BNDES, que financiam expansão de data centers no país, devem incorporar critérios de WUE e CUE em editais e linhas de crédito nos próximos anos, seguindo a tendência regulatória internacional. O setor elétrico brasileiro, com forte participação hidrelétrica, tem vantagem comparativa em carbono, mas a gestão hídrica local — especialmente em regiões de estresse hídrico como o Nordeste e o Centro-Oeste — passa a ser critério de competitividade para atrair investimentos de hyperscalers.
Os dados mostram que a China já vincula a expansão de poder computacional a restrições hídricas e de carbono desde 2023, quando o NDRC (planejamento econômico chinês) lançou o projeto 'Dados do Leste, Cálculo do Oeste'. Na leitura do CBI, o novo padrão sinaliza que a competição em IA deixará de ser uma disputa de escala de poder computacional e passará a ser uma competição por capacidade de uso sinérgico de energia, água e carbono — e o Brasil, com matriz elétrica limpa, mas com desafios hídricos regionais, precisa se posicionar antes que a régua chegue via cadeia global de fornecedores. A comparação com a Europa é inevitável: a União Europeia já discute o CUE em data centers, e a China agora formaliza o tripé, o que deve acelerar a adoção de padrões semelhantes por operadores globais que atuam no Brasil.
O que acompanhar: primeiro, a publicação dos decretos regulamentadores do novo padrão nacional chinês, prevista para o primeiro semestre de 2026, que deve detalhar limites de WUE e CUE por região. Segundo, a posição da ANEEL e do BNDES sobre critérios de eficiência hídrica e de carbono em leilões e financiamentos de data centers no Brasil. Terceiro, os anúncios de expansão de hyperscalers no país — Microsoft, AWS, Google e Huawei —, que devem indicar se adotarão métricas chinesas ou europeias como referência.
Nota sobre a fonte
Huxiu, mídia chinesa, tende a enquadrar a medida como avanço de 'eficiência verde' e 'sinergia poder computacional-água' sem detalhar custos adicionais nem o impacto sobre fabricantes de equipamentos e operadores estrangeiros.
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