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China estreia projeto-piloto de lítio+sódio com célula gigante — fornecedores brasileiros de insumos e integradores de BESS precisam revisar portfólio

· Redação CBI
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A primeira leva nacional de projetos-piloto de armazenamento com rota dupla lítio ferro fosfato + íons de sódio entra em operação em Hebei, usando células prismáticas de 790Ah da Vision Power; a mudança sinaliza que o mercado chinês de BESS passa a comprar célula por cálculo de receita regulatória

Um projeto independente de armazenamento de 100MW/400MWh em Renqiu, província de Hebei, tornou-se o primeiro do país a combinar, em escala piloto nacional, lítio ferro fosfato e íons de sódio, com subestação elevadora de 220kV conectada diretamente à rede principal e exigências de desempenho de conexão e confiabilidade de controle como requisitos obrigatórios. O lote de lítio foi adjudicado à Vision, que usará células prismáticas enroladas de 790Ah da Vision Power. Para o Brasil, o movimento importa porque o país é fornecedor relevante de lítio, alumínio e insumos para células e porque integradores e distribuidores brasileiros de BESS acompanham a curva de custo chinês para dimensionar projetos de armazenamento em geração solar e eólica. O projeto de Renqiu foi concebido como a primeira leva nacional de pilotos com rota tecnológica dupla 'lítio ferro fosfato + íons de sódio', com construção simultânea de subestação elevadora de 220kV conectada diretamente à rede principal regional. O desempenho de conexão à rede e a confiabilidade de controle foram estabelecidos como requisitos obrigatórios, e o lote de lítio ferro fosfato foi adjudicado à Vision, que utilizará células prismáticas enroladas de 790Ah da Vision Power. O volume do projeto não é grande, mas sua identidade não é comum: trata-se de um piloto que testa, ao mesmo tempo, química alternativa e célula de grande formato sob regras de despacho rígidas. O impacto chega ao Brasil por três vias. A primeira é a cadeia de insumos: o país exporta lítio concentrado e compostos, além de alumínio e materiais para células, e qualquer mudança de mix químico na China — o maior mercado de BESS do mundo — altera a demanda relativa por lítio e por sódio. A segunda é a de integradores e distribuidores brasileiros de sistemas de armazenamento, que usam o custo chinês como referência para projetos de BESS acoplados a solar e eólica e para leilões de capacidade. A terceira é regulatória: a ANEEL e o ONS acompanham a experiência chinesa de precificação de capacidade e de requisitos de desempenho de conexão à rede, temas que estão na agenda brasileira de armazenamento. O impacto direto é indireto, via custo de equipamento e via desenho regulatório. Os dados mostram que o mecanismo chinês de preço de capacidade, que entra em vigor em 2026, inclui o armazenamento independente no sistema de preço de capacidade e usa uma fórmula de conversão cujo numerador é a duração de descarga contínua em plena potência e o denominador é a duração máxima de pico de carga líquida ao longo do ano, com limite superior de 1. Na leitura do CBI, isso indica que o tamanho da célula deixa de ser argumento de marketing e passa a ser variável de cálculo financeiro: projetos de 2 horas recebem coeficiente desfavorável, e apenas 4 horas ou mais se aproximam do valor integral. O documento Ji Fa Gai Neng Yuan [2026] nº 418 acrescenta a exigência de ajuste contínuo e suave dentro da faixa de potência nominal, com resposta precisa a instruções de pico, frequência e topo, e veda o preço de capacidade a projetos fora da lista. A combinação transforma taxa de disponibilidade e precisão de resposta em restrições rígidas de liquidação. A escolha da célula de 790Ah pela Vision se explica nesse contexto: um projeto de 1GWh passa de cerca de 995 mil células no esquema de 314Ah para cerca de 396 mil no esquema de 790Ah, reduzindo custo de materiais, pontos de conexão, complexidade de BMS e risco sistêmico de falha. Para o leitor brasileiro, o sinal é que a competição chinesa está migrando da corrida por capacidade nominal para a corrida por desempenho verificado em despacho, o que deve pressionar fornecedores de células de menor formato e favorecer integradores capazes de entregar garantia de disponibilidade. O Brasil, que discute leilões de capacidade e regras de acesso de BESS, tem aqui um laboratório regulatório e industrial a observar. O que acompanhar: primeiro, a publicação dos resultados operacionais do piloto de Renqiu e a eventual extensão do modelo de preço de capacidade a outras províncias; segundo, a resposta de preços de lítio e de sódio no mercado chinês e o efeito sobre contratos de fornecedores brasileiros; terceiro, a agenda da ANEEL e do ONS sobre requisitos de desempenho e precificação de capacidade para armazenamento, que pode incorporar lições do caso chinês.

Nota sobre a fonte

A 钛媒体, mídia chinesa, apresenta o piloto de Renqiu como 'primeira leva nacional' com tom institucional otimista, minimizando riscos de execução do despacho e superestimando a maturidade da rota sódio — o leitor brasileiro deve tratar os números como referência de design, não como desempenho comprovado.

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