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China eleva gasto em pesquisa básica a 2,3x o Japão — o que isso sinaliza para a indústria brasileira

· Redação CBI
Eletrônicos e máquinas

O índice de inovação da China subiu 6,4% em 2025, com gastos em pesquisa básica crescendo 13,3% e alcançando 2,3 vezes o volume japonês. Para o Brasil, o recado é claro: a competitividade chinesa em tecnologias de fronteira — de quantum a materiais — avança mais rápido do que a capacidade brasileira

O Departamento Nacional de Estatísticas da China divulgou nesta quinta-feira (23) que o Índice de Inovação do país atingiu 185,5 em 2025, tendo 2015 como base 100 — um crescimento de 6,4% sobre 2024 e quase o dobro em dez anos. O dado que mais chama atenção não é o índice agregado, mas a composição: as despesas com pesquisa básica somaram 283,46 bilhões de yuans (cerca de USD 39 bilhões), alta de 13,3% anual, ritmo muito acima dos 4,8% dos EUA, 6,6% do Japão e 8,6% da Coreia do Sul. O volume chinês já é o segundo do mundo, 2,3 vezes o japonês e 2,8 vezes o sul-coreano. Para o empresário brasileiro, o número não é curiosidade acadêmica: ele antecipa de onde virão os próximos saltos de produtividade e patentes que definirão a competitividade de setores como energia, materiais avançados e semicondutores — cadeias nas quais o Brasil é majoritariamente importador. O dado central divulgado pelo Departamento Nacional de Estatísticas da China é o Índice de Inovação de 2025: 185,5 pontos, com base 100 em 2015, alta de 6,4% sobre 2024 e aceleração de 1,1 ponto percentual em relação ao ano anterior. Dentro do índice, o subindicador de produção de inovação — o que mede resultados concretos, como patentes e artigos científicos — atingiu 233,0, com crescimento de 8,0%, o maior entre os quatro componentes. O ambiente de inovação ficou em 199,9, alta de 7,5%. Os números foram apresentados por Lin Mei, estatística do departamento, que descreveu a trajetória como "elevação constante do nível de desenvolvimento inovador" do país. O pesquisador Li Zhe, do Instituto Chinês de Estratégia de Desenvolvimento de Ciência e Tecnologia, vinculou o resultado à articulação coordenada entre educação, ciência e tecnologia e formação de talentos, além da integração entre inovação científica e inovação industrial. Por que isso chega ao Brasil? O elo mais direto é o investimento em pesquisa básica, que saltou 13,3% em 2025, para 283,46 bilhões de yuans (cerca de USD 39 bilhões). Esse volume é 2,3 vezes o japonês e 2,8 vezes o sul-coreano — e o ritmo de crescimento chinês é quase o triplo do americano. Para o Brasil, o impacto é indireto, mas relevante: a pesquisa básica chinesa em materiais avançados, tecnologia quântica e ciência espacial alimenta a próxima geração de produtos industriais que o Brasil importa ou nos quais compete. Setores como o de equipamentos de energia solar, baterias e componentes eletrônicos — cadeias em que a China já domina a manufatura — tendem a se beneficiar de novos saltos de custo e desempenho. Do lado brasileiro, a agenda de política industrial da ABDI e do BNDES, além das discussões do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia, precisa considerar que o gap de investimento em pesquisa básica entre os dois países está aumentando, não diminuindo. Os dados mostram que a China obteve em 2025 um conjunto de resultados originais em matemática, tecnologia quântica, ciência dos materiais e ciência espacial: a equipe chinesa superou a conjectura tridimensional de Ghys, aberta há mais de 30 anos; o computador quântico "Jiuzhang 4" renovou recorde mundial em informação quântica óptica; cientistas confirmaram a existência da glueball, partícula teórica perseguida há quase meio século; e o satélite sino-europeu "Smile" iniciou observação da magnetosfera terrestre. Na leitura do CBI, esses marcos não são apenas propaganda científica: eles sinalizam que a China está construindo capacidade de gerar propriedade intelectual de fronteira, o que, no médio prazo, se traduz em royalties, padrões técnicos e vantagens de custo em cadeias industriais. Para o Brasil, o risco é ficar ainda mais dependente de tecnologia importada em setores estratégicos, enquanto a janela para desenvolver capacidades próprias — via parcerias ou investimento doméstico — se estreita. O que acompanhar: primeiro, a publicação do orçamento detalhado de ciência e tecnologia da China para 2026, que deve confirmar se o ritmo de 13,3% em pesquisa básica se sustenta. Segundo, os desdobramentos da cooperação sino-europeia no satélite "Smile" e em tecnologia quântica, que podem abrir — ou fechar — janelas de parceria para instituições brasileiras. Terceiro, a evolução do índice de produção de inovação chinês, que, se continuar crescendo acima de 8%, indica que a conversão de pesquisa em patentes e produtos está se acelerando, pressionando a competitividade da indústria brasileira em cadeias de maior valor agregado.

Nota sobre a fonte

A fonte é oficial chinesa e usa linguagem institucional otimista, como 'elevação constante do nível de desenvolvimento inovador', sem detalhar custos, retornos ou gargalos da pesquisa básica.

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