Tecnologia

China avança em armas laser antiaéreas — defesa brasileira avalia compra e soberania tecnológica

· Redação CBI
Petróleo e gás

O Instituto de Manufatura Aeronáutica da China superou gargalos na produção de fibras ópticas especiais e algoritmos de controle para seu sistema laser 'Flecha de Luz', capaz de derrubar drones suicidas.

O Instituto de Manufatura Aeronáutica da China (IAMC) anunciou avanços decisivos no sistema laser antiaéreo não tripulado 'Flecha de Luz', que derrubou enxames de drones suicidas em testes de combate real no deserto de Gobi. A equipe resolveu problemas históricos de trefilação de fibra óptica dopada com terras raras, dissipação de calor e controle inteligente de parâmetros, permitindo produção em escala com qualidade consistente. O feito interessa ao Brasil porque a China é fornecedora crescente de sistemas de defesa e vigilância, e a tecnologia de armas de energia direcionada entra no radar de países que buscam proteger infraestrutura crítica — de plataformas de petróleo a fronteiras amazônicas — sem depender de fornecedores ocidentais. O teste, realizado recentemente no noroeste da China, mostrou drones suicidas em múltiplas direções sendo abatidos por um 'escudo invisível' — feixes laser emitidos pela série 'Flecha de Luz'. O diferencial está na fibra óptica especial, dopada com terras raras e com geometria única, que transmite e amplifica a energia do laser. Durante anos, a produção dependia de ajuste manual de dezenas de parâmetros acoplados da torre de trefilação, gerando refugo e baixa consistência. A equipe liderada por Zhou Shuiliang, diretor do Laboratório-Chave de Tecnologia Aeronáutica de Energia Direcionada, desenvolveu um sistema de controle inteligente multivariável que ajusta temperatura, velocidade e outros parâmetros 24 horas por dia, reduzindo microdefeitos e elevando a qualidade da fibra. Por que isso chega ao Brasil: o país negocia há anos a compra de sistemas de defesa antiaérea e de vigilância com fornecedores como Israel, Rússia e China. A tecnologia laser chinesa, se exportada, pode entrar na disputa por contratos do Exército e da Marinha para proteção de instalações estratégicas — como a Base de Alcântara, refinarias da Petrobras e a usina de Itaipu. O impacto direto é indireto, via mecanismo de mercado: a consolidação da indústria chinesa de armas de energia direcionada pressiona preços de sistemas similares ocidentais e amplia o leque de opções para o Ministério da Defesa, que precisa equilibrar soberania tecnológica e alinhamento geopolítico. Não há, até o momento, negociação pública entre Brasília e Pequim para aquisição do 'Flecha de Luz'. Os dados mostram que a China avança em um segmento dominado por EUA e Israel, com testes que indicam capacidade de abater enxames de drones — ameaça crescente em conflitos modernos e em ações assimétricas. Na leitura do CBI, isso indica que a indústria de defesa chinesa deixa de ser apenas fornecedora de hardware convencional e passa a competir em tecnologias de ponta, o que pode reabrir discussões no Congresso brasileiro sobre restrições a fornecedores chineses em contratos militares. A comparação com eventos anteriores é pertinente: em 2023, a China já havia apresentado drones armados e sistemas de vigilância que atraíram delegações militares brasileiras, mas sem acordo fechado. O que acompanhar: (1) a próxima edição da feira de defesa LAAD, no Rio de Janeiro, onde empresas chinesas costumam expor sistemas e podem incluir o 'Flecha de Luz' no catálogo; (2) a publicação do orçamento de defesa de 2025 pelo Ministério da Defesa, que pode sinalizar verba para sistemas antiaéreos; (3) a posição do Departamento de Estado dos EUA sobre exportação de tecnologia laser para a América Latina, que pode gerar pressão sobre o Brasil.

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