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China aposta em chips de radar para dominar drones — fornecedores brasileiros de eletrônicos podem se beneficiar

· Redação CBI
Eletrônicos e máquinas

A China está priorizando a segurança do espaço aéreo de baixa altitude com radares de baixo custo baseados em chips, abrindo oportunidades para fornecedores brasileiros de componentes eletrônicos e semicondutores que queiram entrar na cadeia global de drones e defesa.

A economia de baixa altitude da China, estimada em 1,5 trilhão de yuans (cerca de US$ 210 bilhões) em 2025, está colocando a segurança como pré-condição para decolar. No primeiro fórum dedicado ao tema na CEIC2026, em Shenzhen, a Shanghai Anqiwei Microelectronics — uma 'pequena gigante' de chips — apresentou a tese de que sem redes de percepção por radar de baixo custo não há como controlar o espaço aéreo urbano. Para o Brasil, o movimento sinaliza uma corrida por componentes eletrônicos e semicondutores que pode abrir espaço para fornecedores locais na cadeia de drones e sistemas de vigilância. Em 23 de outubro, durante a 2ª Conferência de Inovação em Eletrônicos de Consumo (CEIC2026), em Shenzhen, o fórum paralelo 'Percepção Inteligente · Proteção de Baixa Altitude' colocou a segurança do espaço aéreo no centro do debate. O evento reuniu mais de 500 empresas de setores como comunicações, semicondutores e economia de baixa altitude. A organização ficou a cargo da Shanghai Anqiwei Microelectronics, uma 'pequena gigante' nacional especializada em chips, e não de uma fabricante de aeronaves — sinal de que a base de hardware é o gargalo para a governança do espaço aéreo. A legislação chinesa está se acelerando: em 1º de julho entrou em vigor a nova Lei da Aviação Civil, e em 9 de outubro o Partido e o Conselho de Estado emitiram parecer exigindo que a economia de baixa altitude cresça 'sob a premissa de garantir a segurança'. O mercado chinês de baixa altitude deve superar 3,5 trilhões de yuans (cerca de US$ 490 bilhões) até 2035. O impacto para o Brasil é indireto, mas relevante para a cadeia de eletrônicos e semicondutores. A China é o maior parceiro comercial do Brasil e principal origem de componentes eletrônicos importados. Se a aposta chinesa em radares de arranjo de fase de baixo custo — baseados em chips de nitreto de gálio e módulos TR integrados — se consolidar, fornecedores brasileiros de componentes, placas e serviços de montagem podem ser chamados a integrar cadeias globais de drones e sistemas de vigilância. Além disso, o Brasil enfrenta desafios semelhantes de segurança em espaço aéreo urbano com o avanço de drones agrícolas e de entrega, o que pode abrir mercado para soluções de radar de baixo custo desenvolvidas em parceria com empresas chinesas. Reguladores como a ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) e o DECEA (Departamento de Controle do Espaço Aéreo) precisarão acompanhar a evolução dos padrões chineses, que podem se tornar referência internacional. Os dados mostram que o radar de arranjo de fase tradicional tem custo e volume elevados, com módulos TR discretos e invólucros metálicos que inviabilizam a implantação em larga escala. A inovação da Anqiwei está em reduzir o tamanho e o custo a partir do chip central — amplificadores de potência de RF e switches TR de alto desempenho em micro-ondas e ondas milimétricas. Na leitura do CBI, isso indica que a China está tentando criar um padrão de 'radar acessível' para cidades, o que pode pressionar fornecedores ocidentais e abrir espaço para empresas brasileiras que dominem a integração de sistemas. A comparação com o setor de telecomunicações é inevitável: assim como a Huawei ajudou a baratear equipamentos 5G, a Anqiwei pode fazer o mesmo com radares de baixa altitude, criando uma cadeia de fornecedores na qual o Brasil pode se inserir, especialmente em montagem e testes. O que acompanhar: primeiro, a publicação de editais de compra de radares de baixa altitude por cidades chinesas-piloto, previstos para o primeiro semestre de 2026; segundo, a definição de padrões técnicos pelo Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação (MIIT) da China, que podem se tornar referência para exportações; terceiro, a reação de fornecedores brasileiros de eletrônicos, como empresas do polo de Santa Rita do Sapucaí (MG), que podem buscar parcerias com a Anqiwei ou concorrentes. O CBI recomenda que importadores e empresas de logística acompanhem a evolução dos preços de módulos TR no mercado chinês, que devem cair com a escala.

Nota sobre a fonte

A People's Daily trata a 'economia de baixa altitude' com linguagem institucional otimista típica de prioridade de Estado, e a projeção de US$ 490 bilhões é para 2035 — o benefício a fornecedores brasileiros é hipótese analítica, não contrato firmado.

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