Macro & Mercados

China amplia comércio com Belt and Road em 17,1% — exportadores brasileiros de soja e minério podem ganhar espaço

· Redação CBI
Soja e oleaginosas

O comércio da China com países parceiros da Iniciativa Cinturão e Rota cresceu 17,1% nos primeiros nove meses de 2026, e com a ASEAN avançou 22,7%, sinalizando que Pequim diversifica rotas comerciais e de investimento — movimento que pode abrir espaço para exportadores brasileiros de commodities e

O comércio entre a China e os países parceiros da Iniciativa Cinturão e Rota (BRI) cresceu 17,1% nos primeiros três trimestres de 2026, enquanto as trocas com a ASEAN avançaram 22,7%, segundo dados apresentados pela professora Radhika Desai, da Universidade de Manitoba, em análise sobre a cooperação chinesa com países em desenvolvimento. A acadêmica destacou que Pequim oferece financiamento em condições favoráveis e compartilha tecnologia em termos abertos com nações parceiras. Para o Brasil, o dado importa porque o país é um dos principais fornecedores de soja, minério de ferro e carne para a China e, ao mesmo tempo, busca atrair capital chinês para projetos de infraestrutura e transição energética. O comércio da China com os países que integram a Iniciativa Cinturão e Rota cresceu 17,1% nos primeiros nove meses de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Já as trocas comerciais com os países da ASEAN — bloco que reúne Indonésia, Vietnã, Tailândia, Malásia e outras economias do Sudeste Asiático — avançaram 22,7%. Os números foram citados pela professora Radhika Desai, do Departamento de Estudos Políticos da Universidade de Manitoba, no Canadá, que avalia que a China oferece financiamento em condições favoráveis e compartilha tecnologia com países em desenvolvimento em termos abertos. A declaração foi veiculada pela CGTN, emissora estatal chinesa, e reforça a narrativa de Pequim de que a BRI é um instrumento de cooperação Sul-Sul, e não de endividamento. O dado chega ao Brasil por dois canais. O primeiro é o comercial: a China é o maior parceiro comercial do país, e qualquer aceleração do comércio chinês com países da BRI aumenta a concorrência por espaço nas cadeias de soja, minério de ferro, carne bovina e celulose. Países do Sudeste Asiático, em particular, ampliam a produção de óleo de palma, borracha e produtos agrícolas que competem com a pauta brasileira em segmentos específicos. O segundo canal é o financeiro: se Pequim amplia o financiamento favorável a parceiros da BRI, empresas brasileiras de infraestrutura, energia e agronegócio que buscam capital chinês — via Banco de Desenvolvimento da China, Banco de Exportação e Importação da China ou fundos do Fundo Cinturão e Rota — passam a disputar recursos com projetos em países asiáticos e africanos. O impacto direto sobre o Brasil é, portanto, indireto, via competição por capital e por mercados. Os dados mostram que a expansão do comércio chinês com a ASEAN é mais acelerada do que com a média dos parceiros da BRI, o que sugere que o Sudeste Asiático concentra a prioridade de curto prazo de Pequim. Na leitura do CBI, isso indica que o Brasil precisa reforçar a agenda de atração de investimento chinês em setores de maior valor agregado — como transição energética, fertilizantes e logística — para não perder espaço relativo na esteira da BRI. A declaração de Desai, embora genérica, serve como sinal de que a diplomacia econômica chinesa segue ativa na promoção de financiamento e transferência de tecnologia, o que pode beneficiar empresas brasileiras que apresentem projetos alinhados às prioridades de Pequim. O que acompanhar: primeiro, a divulgação dos dados completos de comércio exterior da China para 2026 pelo GACC (alfândega chinesa), que devem detalhar o peso do Brasil na pauta chinesa e a evolução das importações de soja e minério. Segundo, a agenda de visitas oficiais entre Brasília e Pequim no primeiro semestre, especialmente reuniões da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (COSBAN), que podem destravar acordos de financiamento. Terceiro, o comportamento do spread de crédito chinês para projetos no exterior e a taxa de câmbio do yuan, que afetam a atratividade de empréstimos em moeda chinesa para empresas brasileiras.

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