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China amplia abertura comercial com tarifa zero para 53 países africanos — o que isso sinaliza para exportadores brasileiros
· Redação CBI
A China manteve sua posição entre as economias mais abertas do mundo em 2025, com importações anuais previstas para superar US$ 3 trilhões em 2026 e tarifas zero para 53 países africanos.
A China registrou seu maior índice de abertura econômica em três décadas em 2025, segundo o Relatório de Abertura Mundial 2026, mesmo com a queda global do Índice de Abertura Mundial para o menor nível em quase dez anos. O país asiático subiu para a 37ª posição entre 129 economias e viu seu PIB ultrapassar 140 trilhões de yuans (cerca de US$ 20 trilhões), com mais de 70 mil empresas de capital estrangeiro recém-estabelecidas. Para o exportador brasileiro, o dado central é outro: a China espera superar US$ 3 trilhões em importações anuais pela primeira vez em 2026, com crescimento de 26,7% nas compras externas de janeiro a agosto. O mercado segue aberto, mas a ampliação de tarifas zero para 53 países africanos e a criação de 43 zonas de demonstração de importação indicam que a competição por acesso preferencial está mais acirrada.
O Relatório de Abertura Mundial 2026, divulgado em meio à crescente tensão comercial global, mostra que a China continuou a aprofundar sua abertura econômica em 2025. O Índice de Abertura da China subiu de 0,5891 em 1990 para 0,7551 em 2025, um avanço de 28,18%, colocando o país na 37ª posição entre 129 economias — uma acima de 2024 e 50 posições acima de 1990. O PIB chinês ultrapassou 140 trilhões de yuans (cerca de US$ 20 trilhões), com contribuição superior a 30% para o crescimento econômico global. Mais de 70 mil empresas com investimento estrangeiro foram estabelecidas no país durante o ano, sinalizando que, apesar do discurso de desrisking, o capital internacional segue apostando no mercado chinês.
Para o Brasil, o impacto direto é indireto, mas relevante. A China é o principal destino das exportações brasileiras, especialmente de soja, carne bovina, minério de ferro e petróleo. O crescimento de 26,7% nas importações chinesas de janeiro a agosto de 2026 e a expectativa de superar US$ 3 trilhões em compras anuais criam um ambiente de demanda mais aquecida para commodities brasileiras. No entanto, a implementação de tarifas zero para todas as linhas tarifárias de 53 países africanos com os quais a China mantém relações diplomáticas — e a criação de 43 zonas nacionais de demonstração de promoção e inovação de importações — introduz um elemento de competição por preferência tarifária que o exportador brasileiro precisa monitorar. Produtos agrícolas e minerais de países africanos podem ganhar vantagem competitiva em segmentos onde o Brasil hoje é fornecedor relevante.
Os dados mostram que a China realizou quase 100 eventos da iniciativa "Grande Mercado para Todos: Exportar para a China" desde novembro de 2025, atraindo mais de 100 países e regiões, e que a 8ª Exposição Internacional de Importação da China reuniu 4.108 empresas de 138 países, com transações pretendidas de US$ 83,49 bilhões. Na leitura do CBI, isso indica que a China está usando ativamente a alavanca de importação como instrumento de política externa e de diversificação de fornecedores, não apenas como política comercial. A presidência chinesa da APEC 2026, sob o tema "Construindo uma Comunidade Ásia-Pacífico e Promovendo a Prosperidade Comum", reforça esse direcionamento: a abertura é apresentada como ferramenta de cooperação regional, mas também como mecanismo de ampliação de influência.
Para o empresário brasileiro que opera na cadeia Brasil-China, o recado é ambíguo. De um lado, o mercado chinês segue crescendo em importações e o país mantém-se como segundo maior importador mundial por 17 anos consecutivos, com mais de 150 parceiros comerciais registrando crescimento positivo. De outro, a preferência tarifária concedida a países africanos e a criação de zonas de demonstração de importação podem redirecionar fluxos em segmentos específicos, especialmente agrícolas e minerais. O MAPA (Ministério da Agricultura) e a CAMEX (Câmara de Comércio Exterior) precisam acompanhar se os produtos brasileiros manterão o mesmo acesso preferencial que os africanos em negociações futuras. A Receita Federal, por sua vez, deve monitorar a evolução das regras de origem e dos acordos sanitários que acompanham essas preferências.
O que acompanhar: primeiro, a publicação de decretos chineses detalhando as linhas tarifárias cobertas pela tarifa zero aos 53 países africanos, para identificar sobreposição com a pauta exportadora brasileira. Segundo, o desempenho das importações chinesas de soja e carne bovina brasileira no quarto trimestre de 2026, para avaliar se o crescimento de 26,7% se sustenta. Terceiro, a agenda da APEC 2026 e a possibilidade de o Brasil buscar algum tipo de acordo de facilitação de comércio com a China no âmbito do evento.
Nota sobre a fonte
A CGTN, mídia estatal chinesa, enquadra a medida como abertura cooperativa e minimiza a competição preferencial que ela cria para fornecedores brasileiros de commodities.
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