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China acelera eólica offshore em águas profundas — fornecedores brasileiros de aço e logística portuária no radar

· Redação CBI
Energia solar e renováveisInfraestrutura e construçãoMinério de ferro

A China quer adicionar 100 GW de eólica offshore até 2030, com tecnologia flutuante e turbinas de 25 MW, abrindo janela para fornecedores brasileiros de aço, cabos e serviços portuários, mas também pressionando a cadeia global de equipamentos e a concorrência por insumos.

A Administração Nacional de Energia da China informou que a capacidade eólica conectada à rede do país atingiu 700 GW até setembro, dos quais 49,84 GW são offshore. O plano do 15º Plano Quinquenal projeta cerca de 100 GW de nova capacidade offshore em construção e mais de 100 GW acumulados até 2030, com foco em águas profundas e distantes. Para o Brasil, o movimento chinês sinaliza maior demanda por aço estrutural, cabos submarinos e serviços de instalação — insumos nos quais o país tem competitividade —, mas também acirra a disputa global por equipamentos e pode elevar preços de componentes importados usados em projetos eólicos brasileiros. A China definiu metas ambiciosas para a energia eólica offshore. Até o fim de setembro, a capacidade eólica total conectada à rede no país somava 700 milhões de quilowatts, com crescimento anual de 20,4%, sendo 49,84 milhões de quilowatts offshore. O Plano de Desenvolvimento de Energias Renováveis do 15º Plano Quinquenal, emitido em julho pela NDRC (planejamento econômico chinês) e pela Administração Nacional de Energia, prevê cerca de 100 milhões de quilowatts de nova capacidade offshore em início de construção e mais de 100 milhões de quilowatts acumulados até 2030, com implantação de bases em águas profundas e distantes. O avanço exige turbinas maiores, plataformas flutuantes e operação e manutenção inteligentes, áreas em que fabricantes chineses como Mingyang concentram esforços: a empresa apresentou nova geração de tecnologia compacta de acionamento semi-direto (MCD), turbinas flutuantes de grande porte e soluções digitais, além de desenvolver uma máquina flutuante de 25 MW. Até junho de 2026, a Mingyang acumulava cerca de 54,81 GW em pedidos, dos quais mais de 8 GW no exterior. O impacto para o Brasil é indireto, mas relevante. O país importa da China componentes elétricos, cabos e equipamentos para seus próprios parques eólicos, e a prioridade chinesa para projetos offshore pode desviar capacidade produtiva e elevar prazos de entrega de itens como conversores e subestações. Ao mesmo tempo, a demanda chinesa por aço estrutural, cabos submarinos e serviços de instalação naval abre espaço para fornecedores brasileiros de aço e para estaleiros nacionais, especialmente se projetos de eólica offshore no Nordeste avançarem. A ANEEL e o BNDES, que estruturam leilões e financiamento de eólica offshore no Brasil, precisam acompanhar a evolução tecnológica chinesa para calibrar requisitos de conteúdo local e padrões de desempenho. O setor portuário do Rio Grande do Norte e do Ceará, candidatos a hubs de eólica offshore, também sente o efeito via competição por embarcações especializadas. Os dados mostram que a China já opera sete turbinas flutuantes, quatro delas desenvolvidas pela Mingyang, com rotas tecnológicas distintas (semissubmersível, duplo rotor e perna de tensão). Na leitura do CBI, isso indica que a indústria chinesa está testando soluções em escala comercial antes de padronizar projetos de águas profundas — movimento que pode baratear a tecnologia flutuante globalmente nos próximos anos, mas que, no curto prazo, concentra encomendas e pode pressionar preços de insumos. A comparação com o ciclo anterior, quando a China dominou a produção de painéis solares e derrubou custos globalmente, sugere que o mesmo pode ocorrer com a eólica flutuante, com efeitos ambíguos para fabricantes brasileiros: mais competitividade nos projetos, menos espaço para produção local. O que acompanhar: primeiro, a publicação de editais de leilão de eólica offshore no Brasil pela ANEEL, previstos para 2025-2026, e a definição de regras de conteúdo local. Segundo, os desembarques de equipamentos chineses nos portos de Suape e Pecém, que indicam a velocidade de integração da cadeia Brasil-China. Terceiro, os preços de aço estrutural e cabos submarinos no mercado internacional, que devem refletir a demanda chinesa por projetos offshore ao longo de 2026.

Nota sobre a fonte

A fonte chinesa tende a enfatizar metas e avanço tecnológico da Mingyang, sem detalhar o risco de concentração de encomendas e pressão de prazos sobre compradores brasileiros.

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