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China abre padrões para 'produtos nacionais' em compras públicas — fornecedores brasileiros de equipamentos sob nova barreira

· Redação CBI
Eletrônicos e máquinas

O Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação e o Ministério das Finanças da China abriram consulta pública sobre o primeiro lote de padrões para produtos nacionais em compras governamentais, cobrindo cinco categorias de equipamentos de alta tecnologia.

Os ministérios da Indústria e Tecnologia da Informação e das Finanças da China publicaram em 30 de outubro um aviso de consulta pública sobre o primeiro lote de padrões para produtos nacionais em compras governamentais. O escopo inicial abrange cinco categorias: analisadores portáteis de gases por infravermelho com transformada de Fourier, equipamentos de tratamento de água por osmose reversa, microscópios eletrônicos de varredura por emissão de campo, robôs industriais fixos de múltiplas articulações e helicópteros de pequeno e médio porte. A consulta é o primeiro passo operacional para definir o que Pequim considera 'produto nacional' — conceito que, na prática, pode funcionar como critério de preferência em licitações públicas chinesas. Para o Brasil, o movimento interessa diretamente a fabricantes de equipamentos industriais e de análise que tentam vender ao setor público chinês ou participar de cadeias de fornecimento ligadas a esses segmentos. O aviso publicado em 30 de outubro pelos ministérios da Indústria e Tecnologia da Informação e das Finanças é o primeiro lote de uma série que deve definir, produto por produto, os critérios para que um bem seja classificado como 'nacional' em compras governamentais na China. O escopo inicial é restrito — cinco categorias de equipamentos de médio e alto valor tecnológico —, mas o precedente importa: uma vez definidos os padrões, licitações públicas chinesas podem passar a exigir percentuais mínimos de conteúdo local ou certificações específicas para esses produtos. A consulta pública é a etapa em que o governo chinês recebe comentários de empresas e associações antes de consolidar a norma. O impacto direto sobre o comércio Brasil-China é indireto, mas não desprezível. O Brasil exporta para a China principalmente commodities — soja, minério de ferro, petróleo, carne —, e não equipamentos industriais de precisão. No entanto, dois canais merecem atenção. Primeiro, empresas brasileiras que operam no país asiático ou participam de consórcios com fornecedores chineses podem ser afetadas se seus equipamentos forem classificados como 'não nacionais' em licitações públicas. Segundo, fabricantes brasileiros de robótica industrial, equipamentos de tratamento de água e instrumentação analítica — setores em que o Brasil tem nichos competitivos, como a empresa catarinense WEG em automação industrial — podem enfrentar barreiras adicionais para vender ao setor público chinês. O órgão regulador brasileiro mais diretamente concernido é a CAMEX (Câmara de Comércio Exterior), que monitora barreiras não tarifárias em mercados parceiros. Os dados disponíveis mostram que a China tem avançado de forma sistemática na construção de um arcabouço de 'compras públicas com conteúdo local' desde 2023, quando o Ministério das Finanças começou a estudar critérios para produtos nacionais. Na leitura do CBI, este primeiro lote é menos sobre os cinco produtos específicos e mais sobre o método: Pequim está testando um mecanismo que pode ser expandido para dezenas de categorias nos próximos 12 a 18 meses. Para exportadores brasileiros de bens industriais, o risco não é imediato, mas é estrutural — a janela para influenciar a definição dos padrões via consulta pública é agora, antes da consolidação da norma. Comparativamente, a União Europeia e os EUA já operam com regimes de 'Buy National' em compras públicas, e a China vinha sendo pressionada a adotar transparência semelhante; o movimento atual pode ser lido tanto como resposta a essa pressão quanto como instrumento de política industrial. O que acompanhar: primeiro, o prazo de encerramento da consulta pública e a publicação das respostas do governo chinês aos comentários recebidos, que indicarão o grau de flexibilidade para fornecedores estrangeiros. Segundo, se o segundo lote de padrões — ainda não anunciado — incluir categorias em que o Brasil tenha participação mais relevante, como equipamentos agrícolas ou componentes automotivos. Terceiro, a reação da CAMEX e do Ministério das Relações Exteriores, que podem incluir o tema na agenda de diálogos bilaterais de comércio e investimento.

Nota sobre a fonte

A fonte é mídia oficial chinesa e enquadra a medida como consulta pública e transparência, minimizando o caráter de política industrial e barreira não tarifária para fornecedores estrangeiros.

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