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Chery faz recall de 8.878 OMODA 5 na Malásia — montadora chinesa em Camaçari sob escrutínio de qualidade

· Redação CBI
Veículos elétricos e baterias

Após rodas traseiras se soltarem de um OMODA 5 em movimento na Malásia, a Chery anunciou recall de 8.878 veículos em menos de uma semana — o segundo episódio de falha no eixo traseiro do mesmo modelo em dois anos, levantando dúvidas sobre controle de qualidade que podem respingar na operação

Um Chery OMODA 5 modelo 2023 perdeu as duas rodas traseiras durante condução normal em Johor Bahru, na Malásia, em 6 de outubro. Cinco dias depois, a Chery divulgou comunicado oficial reconhecendo falha de resistência de solda no braço longitudinal do eixo traseiro e iniciou recall de 8.878 unidades do modelo no país, conforme exigência do Departamento de Transporte Rodoviário malaio (JPJ). O caso importa diretamente ao Brasil: a Chery opera a fábrica de Camaçari (BA), comprada da Nissan, e o OMODA 5 é um dos modelos-chave da marca no mercado brasileiro, onde a montadora chinesa aposta em expansão agressiva. O incidente ocorreu em 6 de outubro, em Johor Bahru, na Malásia. Um OMODA 5 modelo 2023, durante condução normal, teve as duas rodas traseiras arrancadas. Em 11 de outubro, a Chery Automobile divulgou comunicado oficial reconhecendo que o lote envolvido pode apresentar resistência de solda insuficiente em partes individuais soldadas do braço longitudinal do eixo traseiro, com risco de ruptura da solda em condições extremas. A subsidiária malaia da Chery iniciou, conforme exigência do JPJ, o recall de 8.878 veículos OMODA 5, com inspeção completa dos componentes e substituição gratuita quando necessário. O modelo com esse projeto estrutural já foi descontinuado. O caso chega ao Brasil por dois caminhos. O primeiro é comercial: o OMODA 5 é vendido no mercado brasileiro e integra a estratégia da Chery do Brasil, que assumiu a fábrica de Camaçari (BA) com planos de produção local e ampliação de portfólio. Qualquer questionamento sobre a robustez estrutural do modelo afeta a percepção de qualidade da marca em um mercado onde a Chery compete diretamente com BYD, GWM e montadoras tradicionais. O segundo é regulatório: se a falha de solda no eixo traseiro for identificada em veículos vendidos no Brasil, a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) e o Ministério da Justiça, via Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), podem exigir recall doméstico nos moldes do que ocorreu na Malásia. A Chery do Brasil ainda não se pronunciou sobre a existência de lotes afetados no país. Os dados mostram que este é o segundo episódio do mesmo tipo em dois anos. Em abril de 2024, um proprietário reclamou de ruptura do eixo traseiro de um OMODA 5 durante a condução. Na época, a Chery fez recall de 600 veículos na Malásia e, após investigação, confirmou que a raiz do problema estava na calibração inadequada do equipamento de soldagem do eixo traseiro, substituindo gratuitamente o eixo traseiro de 60 veículos problemáticos. Na leitura do CBI, a repetição do mesmo tipo de falha no mesmo modelo, dois anos depois, sugere que o recall anterior tratou o sintoma — trocou peças — mas não o sistema: o elo de gestão que permitiu a calibração inadequada do equipamento de soldagem não foi corrigido. Isso é especialmente relevante para o Brasil, onde a Chery está em fase de ramp-up produtivo em Camaçari e precisa demonstrar controle de processo auditável. A ruptura do braço longitudinal do eixo traseiro é extremamente rara no setor automotivo. Quando ocorre duas vezes seguidas no mesmo modelo, as hipóteses se reduzem a duas: ou os lotes de veículos se sobrepõem — o que significaria que o recall de 2024 não resolveu o problema de raiz —, ou são lotes independentes, o que indicaria que a estabilidade do controle de processo de soldagem tem falhas sistêmicas. Em qualquer cenário, o que está em jogo não é um erro operacional pontual, mas a ausência de um ciclo fechado replicável, auditável e rastreável: os parâmetros de soldagem têm monitoramento em tempo real? A calibração do equipamento tem verificação obrigatória periódica? Há rastreabilidade por lote que permita isolar veículos afetados sem recalls massivos? Para o leitor brasileiro que opera na cadeia automotiva, o caso Chery não é apenas uma notícia sobre a Malásia. É um sinal sobre a maturidade de controle de qualidade de uma montadora chinesa que está investindo pesado no Brasil e que, se não resolver a raiz do problema, pode enfrentar recalls custosos, desgaste de marca e pressão regulatória no mercado brasileiro — onde o consumidor já demonstra sensibilidade crescente a questões de segurança veicular. O que acompanhar: primeiro, se a Chery do Brasil emitirá comunicado sobre lotes brasileiros do OMODA 5 e se há sobreposição com os veículos afetados na Malásia. Segundo, se a Senatran ou o DPDC abrirão investigação preliminar sobre o modelo no Brasil. Terceiro, se a Chery divulgar detalhes técnicos sobre a correção do processo de soldagem em Camaçari, o que seria um indicador de que a montadora está tratando o problema como sistêmico, e não apenas como incidente localizado.

Nota sobre a fonte

A fonte chinesa (虎嗅) tende a enquadrar o caso como falha isolada de lote já descontinuado e a destacar a substituição gratuita e a conformidade com o regulador malaio, minimizando a recorrência do mesmo defeito em dois anos e a ausência de correção sistêmica do processo de soldagem.

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