Tecnologia

Catalisador chinês de metais preciosos purifica CO em sinterização — siderúrgicas brasileiras podem cortar custos de licenciamento

· Redação CBI
Minério de ferro

O Instituto de Física Química de Dalian, ligado à Academia Chinesa de Ciências, desenvolveu um catalisador monolítico de metais preciosos que operou 12 meses sem interrupção na purificação de monóxido de carbono nos gases de sinterização da siderúrgica Hebei Yanshan Iron and Steel.

Pesquisadores do Instituto de Física Química de Dalian, da Academia Chinesa de Ciências, anunciaram que um catalisador de combustão à base de metais preciosos, em estrutura monolítica, completou 12 meses de operação contínua e estável na unidade industrial de oxidação catalítica de monóxido de carbono (CO) da máquina de sinterização 2# 300m² da Hebei Yanshan Iron and Steel. O feito é relevante porque a purificação de CO em gases de sinterização é uma das etapas mais críticas e caras do controle de emissões em usinas siderúrgicas. Para o Brasil, o desenvolvimento sinaliza uma alternativa tecnológica chinesa a catalisadores tradicionalmente fornecidos por fabricantes europeus e americanos — insumo que pesa no custo operacional de usinas como as da Gerdau, CSN e Usiminas. O Instituto de Física Química de Dalian, unidade de pesquisa da Academia Chinesa de Ciências, desenvolveu um catalisador de combustão de estrutura monolítica à base de metais preciosos que operou de forma contínua e estável por 12 meses na unidade industrial de oxidação catalítica de monóxido de carbono (CO) nos gases de sinterização da máquina de sinterização 2# 300m² da Hebei Yanshan Iron and Steel. A informação consta do repositório de conquistas científicas e tecnológicas da Academia Chinesa de Ciências. O catalisador é aplicado na etapa de sinterização — processo em que o minério de ferro é aglomerado antes de entrar no alto-forno —, onde a queima gera CO que precisa ser oxidado antes da emissão atmosférica. A operação por 12 meses sem interrupção é o dado mais relevante: catalisadores industriais costumam sofrer desativação por envenenamento químico e térmico, e a estabilidade prolongada é o principal gargalo para adoção comercial em larga escala. Por que isso chega ao Brasil: a cadeia siderúrgica brasileira é compradora relevante de catalisadores e sistemas de controle de emissões. Gerdau, CSN, Usiminas e Aperam operam plantas de sinterização que precisam atender limites de emissão de CO e material particulado definidos pelo CONAMA e, em alguns estados, por exigências mais rígidas da CETESB (São Paulo) e do INEA (Rio de Janeiro). Hoje, boa parte da tecnologia de catalisadores de metais preciosos para esse fim vem de fornecedores europeus (como BASF e Johnson Matthey) e americanos. Um catalisador chinês validado em escala industrial por 12 meses cria uma alternativa de custo potencialmente menor, com implicações para contratos de manutenção e reposição de leitos catalíticos. O impacto direto é indireto, via pressão de preços sobre fornecedores ocidentais e via possível licenciamento da tecnologia para fabricantes brasileiros ou joint ventures. Os dados mostram que a Hebei Yanshan Iron and Steel é uma siderúrgica de porte médio na província de Hebei, principal polo siderúrgico da China, e que o teste foi feito em uma máquina de sinterização de 300m² — escala industrial, não piloto. Na leitura do CBI, isso indica que a tecnologia está mais próxima da comercialização do que a média dos anúncios de laboratório. O histórico recente da Academia Chinesa de Ciências mostra um padrão: testes industriais de 6 a 12 meses costumam preceder licenciamentos para fabricantes chineses em 12 a 24 meses. Para o Brasil, o efeito prático não é imediato, mas entra no radar de compras de 2026-2027. Vale lembrar que a China já domina a cadeia de refino de metais preciosos — platina, paládio e ródio usados nesses catalisadores —, o que dá a Pequim vantagem de custo estrutural sobre fornecedores europeus. O que acompanhar: primeiro, se a Academia Chinesa de Ciências ou o Instituto de Dalian publicará dados de durabilidade além dos 12 meses e de custo por metro cúbico tratado, o que definirá a competitividade real. Segundo, se fabricantes chineses de catalisadores (como Sinocat Environmental Technology) anunciarão licenciamento da tecnologia para exportação, incluindo para o Brasil. Terceiro, se o BNDES ou a Finep abrirão linha de financiamento para retrofit de sistemas de controle de emissões em siderúrgicas brasileiras, o que criaria demanda por essa tecnologia. Para importadores e equipes de compras do setor siderúrgico, o sinal é de que o leque de fornecedores pode se ampliar no médio prazo.

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