Macro & MercadosMonitorar
Canadá volta à CIIE como convidado de honra e mira exportações para a China — o que muda para exportadores brasileiros de soja e minério
· Redação CBI
Soja e oleaginosasCelulose e papel
O Canadá retorna à feira de importação de Xangai em novembro de 2026 com a maior delegação da história e meta de elevar em 50% as vendas à China até 2030, pressionando a competitividade brasileira em agronegócio, minérios e energia.
O Canadá confirmou presença como País Convidado de Honra na 9ª Exposição Internacional de Importação da China (CIIE), marcada para Xangai entre 5 e 10 de novembro de 2026, com uma área de exposição recorde e quase 60 empresas do agronegócio e alimentos ocupando mais de 500 metros quadrados. A feira deve reunir 4.142 expositores estrangeiros de 162 países e ultrapassar 440 mil metros quadrados. Para o exportador brasileiro, o movimento sinaliza que Ottawa está disposto a disputar espaço nos mesmos corredores — soja, carne, minério de ferro e energia — em que o Brasil construiu sua pauta de exportação para a China.
O Canadá retorna à CIIE como País Convidado de Honra, papel que já ocupou na edição inaugural de 2018. A 9ª edição da feira ocorre em Xangai de 5 a 10 de novembro de 2026, com o Canadá e o Sri Lanka como convidados de honra. Segundo o Ministério do Comércio da China (MOFCOM), o evento deve atrair participantes de 162 países, regiões e organizações internacionais, com 4.142 expositores estrangeiros e área total superior a 440 mil metros quadrados — mais de 370 mil dedicados à exposição comercial. A área canadense também deve bater recorde, com empresas exibindo produtos em agronegócio e alimentos, bens de consumo e produtos naturais de saúde. No agronegócio, quase 60 empresas canadenses ocuparão mais de 500 metros quadrados, em cooperação com o Consulado Geral do Canadá em Xangai.
O impacto chega ao Brasil pela via da concorrência direta em produtos que dominam a pauta bilateral Brasil-China. Soja, carne bovina e suína, minério de ferro, celulose e petróleo são os mesmos itens que o Canadá quer empurrar para o mercado chinês. A meta declarada pelo governo de Mark Carney é elevar as exportações canadenses para a China em 50% até 2030, reafirmada pela Global Affairs Canada em março de 2026. Para o exportador brasileiro, o risco não é imediato — é de erosão de participação de mercado ao longo dos próximos ciclos de safra e de contratação de minério. O MAPA (Ministério da Agricultura) e a CAMEX precisam acompanhar a evolução das habilitações sanitárias canadenses para carne e grãos, que podem abrir espaço em nichos hoje atendidos pelo Brasil.
Os dados mostram que o comércio bilateral Canadá-China atingiu CA$ 66,6 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 3,6% ano a ano, segundo relatório do Conselho Empresarial Canadá-China (CCBC) com o Instituto da China da Universidade de Alberta. As exportações canadenses para a China subiram 30,1%, para CA$ 21,74 bilhões, enquanto as importações da China caíram 5,8%, para CA$ 44,86 bilhões. Energia respondeu por 35,8% das exportações domésticas canadenses, com alta de 81,8%; minérios metálicos e não metálicos, por 22,6%, crescendo 29%. Juntas, as duas categorias somaram 58,4% das vendas. O petróleo bruto rendeu CA$ 5,96 bilhões e os minérios e concentrados de cobre, CA$ 2,64 bilhões. Na leitura do CBI, o crescimento é forte, mas concentrado em recursos naturais — exatamente o perfil que o Brasil também oferece. A diversificação canadense para bens de consumo (alta de 29,9%, para CA$ 1,06 bilhão) ainda é pequena, mas sinaliza ambição de ir além das commodities.
O pano de fundo é a diversificação forçada pela política comercial dos Estados Unidos, principal parceiro do Canadá há décadas. Mudanças tarifárias em Washington reforçaram a estratégia de Ottawa de abrir mercados fora da América do Norte. Para o Brasil, isso significa que a CIIE de 2026 terá um concorrente mais organizado e com apoio estatal explícito no mesmo pavilhão. Acompanhar três pontos é essencial: a lista final de empresas canadenses do agronegócio confirmadas até outubro, o volume de contratos assinados durante a feira (5 a 10 de novembro) e a evolução das habilitações sanitárias canadenses junto à GACC (alfândega chinesa) para carnes e grãos nos próximos meses.
Nota sobre a fonte
A CGTN, mídia estatal chinesa, enquadra a CIIE como plataforma de cooperação e abertura, o que tende a suavizar a disputa por participação de mercado com o Brasil em soja, carne e minério.
O que isso significa para sua empresa?
A CBI transforma sinais da China em pesquisa de mercado, avaliação de parceiros e apoio à entrada no mercado.
Conversar com a equipe →Receba o briefing diário
De 3 a 5 destaques por dia, diretamente no seu e-mail. Gratuito.