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Banco Central da China nega manipulação cambial e joga culpa em déficits externos — exportadores brasileiros devem revisar hedge para 2026

· Redação CBI
Eletrônicos e máquinas

O PBOC (banco central chinês) reafirmou que o yuan é determinado pelo mercado e rejeitou acusações de desvalorização competitiva, num momento em que a apreciação recente da moeda chinesa pressiona a competitividade de exportadores brasileiros que concorrem com produtos chineses em terceiros mercados

O Banco Popular da China (PBOC) divulgou comunicado nesta quinta-feira reafirmando que o país mantém um regime de câmbio flutuante administrado, com o yuan (RMB) determinado por oferta e demanda e referenciado a uma cesta de moedas. A autoridade monetária negou que a China busque vantagem competitiva via desvalorização cambial e criticou o uso de avaliações idiossincráticas como 'evidência oficial' de subvalorização do RMB. Para o Brasil, o recado chega num momento delicado: a apreciação recente do yuan encarece insumos chineses para a indústria brasileira, enquanto a defesa chinesa de que o câmbio não é ferramenta de competitividade pressiona o Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) a recalibrar o discurso sobre práticas cambiais em disputas comerciais. O Banco Popular da China (PBOC) afirmou nesta quinta-feira que as forças de mercado continuam a desempenhar papel decisivo na formação da taxa de câmbio do yuan, que opera sob regime flutuante administrado, baseado em oferta e demanda e referenciado a uma cesta de moedas. Segundo o comunicado, o RMB flutuou em ambas as direções nas últimas duas décadas e, desde 2010, passou por ciclos de apreciação e depreciação com flexibilidade crescente. O banco central chinês foi enfático: a China 'não tem necessidade nem intenção' de obter vantagens competitivas via desvalorização cambial e nunca recorreu à desvalorização competitiva. O PBOC também rebateu metodologias que apontam subvalorização do RMB, classificando tais conclusões como 'interpretação errônea e uso indevido' de avaliações idiossincráticas, e atribuiu os desequilíbrios globais à divisão internacional do trabalho, falhas do sistema monetário internacional e déficits fiscais persistentes em alguns países. O impacto para o Brasil é indireto, mas relevante em duas frentes. Primeiro, a apreciação recente do yuan — mencionada pelo pesquisador Qu Qiang, do Centro de Pesquisa do Cinturão e Rota, em entrevista à CGTN — encarece insumos, componentes e bens de capital chineses adquiridos por importadores brasileiros, pressionando margens de setores como eletrônicos, máquinas e equipamentos industriais. Segundo, a defesa chinesa de que o câmbio não é instrumento de competitividade enfraquece argumentos usados por setores brasileiros — como o de manufaturados e o de aço — que historicamente atribuem parte da perda de competitividade a práticas cambiais chinesas. O MDIC e o Itamaraty precisarão ajustar o tom em fóruns como a OMC e em negociações bilaterais, já que o PBOC explicitamente classifica como 'transferência de responsabilidade' atribuir quedas de competitividade industrial e enfraquecimento fiscal a câmbios alheios. Os dados mostram que o PBOC reforçou a narrativa de flexibilidade cambial e de que a sensibilidade do comércio chinês ao câmbio caiu, graças ao uso crescente de instrumentos de hedge por empresas exportadoras chinesas e à maior participação do RMB em liquidação comercial. Na leitura do CBI, isso indica que a China está blindando sua política cambial de questionamentos externos antes do 15º Plano Quinquenal (2026-2030), período em que promete expandir demanda doméstica e aprofundar abertura. Para empresas brasileiras com operações na China ou cadeias de suprimento dependentes de insumos chineses, o recado é claro: o yuan deve continuar volátil em ambas as direções, e a gestão de risco cambial precisa ser tratada como prioridade, não como exceção. O economista-chefe da Huafu Securities, Guan Tao, resumiu: no curto prazo, fatores que favorecem um RMB mais forte têm vantagem; no longo prazo, flutuações bidirecionais são a norma. O que acompanhar: (1) a evolução do yuan em relação ao dólar nas próximas semanas, especialmente após declarações do vice-governador do PBOC, Lu Lei, sobre combate a comportamento de manada; (2) a publicação de detalhes do 15º Plano Quinquenal, previsto para 2026, que deve trazer metas de expansão da demanda doméstica e abertura; (3) a posição do MDIC e do Itamaraty em fóruns da OMC sobre práticas cambiais, à luz do comunicado chinês. Para importadores brasileiros de insumos chineses, o momento pede revisão de contratos e de estratégias de hedge cambial para o primeiro trimestre de 2026.

Nota sobre a fonte

A CGTN é mídia estatal chinesa e reproduz o enquadramento oficial do PBOC, que classifica críticas externas como 'transferência de responsabilidade' e minimiza o vínculo entre câmbio e competitividade, podendo suavizar a leitura do impacto real sobre importadores brasileiros.

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