Regulação Financeira

Banco Central da China descarta desvalorização do yuan — exportadores brasileiros devem rever hedge cambial

· Redação CBI
Celulose e papel

O PBOC reafirmou que não usará o câmbio como arma comercial e defendeu reformas estruturais para corrigir desequilíbrios globais, sinalizando yuan mais estável — o que exige revisão de estratégias de proteção cambial por exportadores e importadores brasileiros que operam com a China.

O Banco Popular da China (PBOC, banco central chinês) divulgou em 8 de outubro uma declaração detalhada negando qualquer intenção de obter vantagem comercial por meio da desvalorização do renminbi e defendendo que ajustes cambiais, sozinhos, não resolvem as causas estruturais dos desequilíbrios globais. A posição foi reforçada pelo governador Pan Gongsheng na reunião do Comitê Monetário e Financeiro Internacional do FMI, em Bangkok, entre 16 e 17 de outubro. Para o Brasil, maior parceiro comercial da China na América Latina, o recado é direto: o yuan deve permanecer sob gestão controlada, sem desvalorizações competitivas — o que reduz o risco de surpresa cambial nas cadeias de soja, minério de ferro, carne e eletrônicos, mas também limita ganhos extraordinários de exportadores que apostavam em depreciação da moeda chinesa. O PBOC divulgou em 8 de outubro uma declaração detalhada estabelecendo sua posição sobre a taxa de câmbio do RMB, em meio a um interesse elevado sobre o renminbi diante do aumento dos desequilíbrios econômicos globais. Um documento de política do Fundo Monetário Internacional (FMI) de abril já havia observado que a tendência de uma década de queda dos desequilíbrios foi revertida. O banco central chinês afirmou que a China não tem necessidade nem intenção de obter vantagem comercial por meio da desvalorização cambial e nunca recorreu à desvalorização competitiva. O país opera um regime de câmbio flutuante administrado, baseado na oferta e demanda de mercado, com referência a uma cesta de moedas, segundo a declaração, e as forças de mercado desempenham papel decisivo na determinação da taxa do RMB. O impacto para o Brasil passa, sobretudo, pelo comércio bilateral de commodities e pela cadeia de importação de manufaturados. Exportadores brasileiros de soja, minério de ferro, carne bovina e celulose — setores que respondem por boa parte dos mais de USD 150 bilhões anuais de vendas ao mercado chinês — precificam contratos em dólar, mas acompanham o yuan porque ele afeta a competitividade de compradores chineses e o apetite de tradings estatais. Já importadores brasileiros de eletrônicos, máquinas e insumos químicos têm no câmbio yuan-dólar um componente de custo relevante. O Banco Central do Brasil, por sua vez, monitora a estabilidade do renminbi como parte da cesta de moedas que influencia o real. Não há, nesta declaração, mudança regulatória direta que obrigue empresas brasileiras a agir, mas o sinal de política cambial estável deve ser incorporado ao planejamento financeiro do primeiro trimestre. Os dados mostram que o PBOC mantém a retórica de flutuação administrada desde a reforma de 2015 e que, nos últimos anos, interveio com frequência para conter depreciações abruptas do yuan. Na leitura do CBI, a ênfase em reformas estruturais — e não no câmbio — funciona como resposta política às pressões externas, especialmente dos Estados Unidos, que acusam a China de manipular a moeda. Ao mesmo tempo, o governador Pan Gongsheng usou o FMI para pedir que a instituição se oponha claramente ao protecionismo e defenda o multilateralismo, o que interessa ao Brasil em fóruns como a OMC. A vice-governadora Tao Ling, no Global Asset Management Forum 2026, em Xangai, acrescentou que a internacionalização do RMB ainda não completou um ciclo fluido entre receber, usar, investir e proteger a moeda, e que o PBOC trabalhará para conectar essas etapas — movimento que, no médio prazo, pode ampliar o uso do yuan em liquidações comerciais com parceiros como o Brasil. O que acompanhar: primeiro, a evolução do dólar contra o yuan nas próximas semanas, especialmente após novas declarações de Pan Gongsheng ou de Tao Ling sobre internacionalização; segundo, a divulgação de medidas concretas do PBOC para facilitar o ciclo de uso do RMB em comércio e investimento, que podem abrir espaço para liquidação em yuan em contratos brasileiros; terceiro, a posição do FMI e do G20 sobre desequilíbrios globais, tema que voltará a ser discutido em reuniões de primavera e outono, e que pode afetar o ambiente regulatório do comércio Brasil-China.

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