Tecnologia

Baijiu chinês ensaia recuperação trimestral — o que isso sinaliza para importadores brasileiros de bebidas

· Redação CBI

Após quase cinco anos de ajuste, o setor de baijiu chinês mostra recuperação sequencial no terceiro trimestre, com destaque para marcas regionais como Yingjia e Fenjiu.

O setor de baijiu chinês, que vinha em queda prolongada, apresentou em outubro um movimento de recuperação que chamou a atenção do mercado: o índice CSI Baijiu subiu mais de 5% em 30 de outubro, com várias empresas atingindo o limite de alta. O gatilho foi a divulgação dos balanços do terceiro trimestre, que, embora feios na comparação anual, mostraram melhora sequencial em várias companhias. Para o Brasil, o impacto é indireto, mas merece atenção de importadores de bebidas e distribuidores que acompanham o consumo de destilados premium na China — um termômetro do poder de compra do consumidor chinês e da disposição de canais em absorver produtos importados. Os números divulgados na última semana mostram um setor ainda em contração anual, mas com sinais claros de estabilização na margem. A Luzhou Laojiao, uma das líderes, teve receita de 14,668 bilhões de yuans nos primeiros nove meses, queda anual de 36,58%, e lucro líquido de 5,671 bilhões de yuans, recuo de 47,31%. No entanto, no terceiro trimestre isolado, o lucro líquido foi de 1,332 bilhão de yuans, um salto de 111,12% sobre o segundo trimestre, com receita crescendo 71,45% na mesma base. A Gujing Gongjiu, por sua vez, viu seu lucro despencar 68% no Q3, mas a Shanxi Fenjiu e a Shede Jiuye também apresentaram reversão sequencial. A Yingjia Gongjiu foi além: teve crescimento anual de 4,25% na receita e 8,58% no lucro líquido, com aumento de 30 milhões de yuans nos passivos contratuais — sinal de que distribuidores voltaram a pagar à fábrica na baixa temporada. Por que isso chega ao Brasil? O baijiu é um mercado doméstico chinês, mas o desempenho do setor funciona como termômetro do consumo de bebidas alcoólicas premium e do poder de compra das classes médias e altas chinesas. Importadores brasileiros de bebidas — especialmente os que trabalham com destilados importados e produtos chineses — e distribuidores de vinhos e destilados no Brasil devem monitorar esse movimento. Se a recuperação se consolidar, pode haver maior apetite por produtos importados no mercado chinês, incluindo bebidas brasileiras como cachaça e vinhos finos, além de abrir espaço para negociações com distribuidores chineses que hoje estão mais focados em escoar estoques de baijiu. O impacto direto é indireto, via confiança do consumidor e liquidez dos canais de distribuição. Os dados mostram que a melhora trimestral é puxada por marcas regionais com demanda rígida em suas províncias, enquanto as marcas pan-nacionais ainda arcam com o custo da liquidação ativa de estoques. A Wuliangye, por exemplo, teve fluxo de caixa operacional positivo de 2,2 bilhões de yuans no Q3, mas seus passivos contratuais caíram 1,5 bilhão de yuans, e o financiamento de contas a receber recuou 6,5 bilhões de yuans — evidência de que a empresa está apertando o ritmo de recebimento para não pressionar os canais. Na leitura do CBI, esse movimento é mais de ajuste do que de reversão: as empresas estão preferindo limpar o balanço e dar fôlego aos distribuidores em vez de empurrar estoque. Para o leitor brasileiro, isso significa que a recuperação do consumo chinês ainda é frágil e não deve ser lida como um sinal de retomada robusta da demanda por importados. O quarto trimestre, sob base baixa, pode trazer números positivos em algumas empresas, mas a direção ainda é de fundo, não de reversão. O que acompanhar: primeiro, os resultados do quarto trimestre e do ano fiscal de 2025 das grandes marcas de baijiu, que devem ser divulgados entre janeiro e março, para confirmar se a melhora sequencial se sustenta. Segundo, a evolução dos passivos contratuais e do fluxo de caixa operacional das marcas regionais, que indicam a saúde real dos canais de distribuição. Terceiro, o índice CSI Baijiu e o desempenho das ações do setor, que podem antecipar movimentos de confiança do investidor chinês e, por tabela, o apetite por importações de bebidas e alimentos premium. Para o exportador brasileiro de bebidas, vale monitorar feiras e rodadas de negócios na China no primeiro semestre de 2026, quando os distribuidores chineses devem reavaliar seus portfólios após a temporada de ajuste de estoques.

O que isso significa para sua empresa?

A CBI transforma sinais da China em pesquisa de mercado, avaliação de parceiros e apoio à entrada no mercado.

Conversar com a equipe →

Receba o briefing diário

3-5 destaques por dia, direto no e-mail. Gratuito.