TecnologiaMonitorar

Agora propõe 5 níveis de diálogo com IA — infraestrutura de voz em tempo real vira gargalo para empresas brasileiras

· Redação CBI
Infraestrutura e construção

O CEO da Agora, Zhao Bin, apresentou na iRTE2026 em Pequim uma estrutura de cinco níveis para medir a maturidade da IA conversacional, defendendo que a infraestrutura de interação em tempo real (WebRTC) é o que separa um chatbot de um agente útil.

O fundador e CEO da Agora, Zhao Bin, abriu a conferência iRTE2026, realizada em Pequim em 23 de outubro, com uma proposta que interessa diretamente a quem compra ou constrói soluções de IA no Brasil: uma escala de cinco níveis para avaliar a capacidade de diálogo de um sistema conversacional, do básico 'pergunta e resposta' até a compreensão de relações e contexto de longo prazo. Zhao argumenta que a próxima fronteira da AGI conversacional não está apenas na qualidade do modelo de linguagem, mas na infraestrutura de interação em tempo real — a camada que garante latência baixa, estabilidade e suporte a interrupções. É essa camada que empresas brasileiras de atendimento, contact centers, saúde digital e varejo precisam avaliar ao contratar fornecedores chineses ou globais de IA. Na iRTE2026, conferência de inteligência em tempo real realizada em Pequim em 23 de outubro, o CEO da Agora, Zhao Bin, apresentou a estrutura de 'cinco níveis de capacidade de diálogo', uma escala que vai do L1 — expressão baseada na própria perspectiva, com predominância de autoexpressão e continuidade passiva, o clássico 'pergunta uma vez, responde uma vez' — até o L5, comunicação baseada em relacionamentos profundos, em que a IA compreende contexto de longo prazo e a evolução das relações, saindo da compreensão do momento para a compreensão de uma pessoa. Entre os dois extremos, Zhao posiciona o L2 (expressão baseada em regras de interação, com respostas ativas e mais naturais), o L3 (cognição individual: identidade, intenção e situação do interlocutor) e o L4 (cognição grupal: relações sociais e diferenças de papel em conversas multipessoais). A tese central é que o progresso da IA conversacional não deve ser medido apenas por velocidade de resposta e fluência linguística, mas pela capacidade de entender intenção, situação e relação. Por que isso chega ao Brasil: a Agora é uma das principais fornecedoras globais de infraestrutura de voz e vídeo em tempo real, e sua tecnologia — baseada em WebRTC — está na base de produtos de atendimento, telemedicina, educação online e vendas por vídeo usados por empresas brasileiras. O movimento descrito por Zhao, de que o objeto da interação em tempo real se expande de pessoa para pessoa para pessoa e agente, toca diretamente setores como contact centers terceirizados, fintechs de crédito com atendimento por voz, healthtechs de teleconsulta e varejistas que adotam assistentes virtuais. Do lado regulatório, a ANVISA e a ANS acompanham IA em saúde, enquanto o Banco Central discute regras para atendimento automatizado em serviços financeiros. O impacto direto é indireto, via escolha de fornecedor de infraestrutura: empresas brasileiras que compram IA conversacional 'pronta' precisarão cobrar dos fornecedores métricas de latência, estabilidade e suporte a interrupção, não apenas qualidade do modelo de linguagem. Os dados mostram que, no último ano, a adoção aprofundada de WebRTC por empresas como a OpenAI impulsionou a tecnologia de interação em tempo real no campo da IA conversacional, segundo Zhao. Na leitura do CBI, isso indica que a camada de infraestrutura — e não o modelo de linguagem em si — tende a se tornar o principal diferencial competitivo e o principal gargalo de custo para quem opera IA em escala no Brasil. A comparação com eventos anteriores é clara: a primeira onda de chatbots, em 2023-2024, foi dominada pela qualidade do texto; a onda atual, de agentes de voz full-duplex, é dominada por latência, estabilidade e capacidade de lidar com interrupções e chamadas de ferramentas em tempo real. Para o empresário brasileiro, isso significa que contratos de IA precisam incluir SLA de latência e testes de estresse em português com sotaques regionais, algo raramente exigido até agora. O que acompanhar: primeiro, se a Agora e concorrentes como Twilio e fornecedores chineses de infraestrutura de voz publicarem benchmarks de latência para português brasileiro nos próximos meses. Segundo, se o Banco Central ou a ANVISA emitirem orientações específicas sobre atendimento automatizado por voz, o que pode criar exigências de auditoria de infraestrutura. Terceiro, o ritmo de adoção de agentes de voz em contact centers brasileiros na temporada de renovação de contratos, no primeiro trimestre de 2027, quando empresas costumam renegociar fornecedores de IA.

Nota sobre a fonte

A fonte é mídia tecnológica chinesa e o conteúdo é apresentado pelo CEO da Agora; há tom promocional ao tratar L4/L5 como estágio de mercado, sem evidência de benchmarks independentes para português ou de custos regulatórios no Brasil.

O que isso significa para sua empresa?

A CBI transforma sinais da China em pesquisa de mercado, avaliação de parceiros e apoio à entrada no mercado.

Conversar com a equipe →

Receba o briefing diário

3-5 destaques por dia, direto no e-mail. Gratuito.