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Aço chinês migra para manufatura e descarbonização — siderúrgicas brasileiras perdem espaço em exportações de maior valor
· Redação CBI
Minério de ferroEletrônicos e máquinasInfraestrutura e construção
A indústria siderúrgica chinesa cruzou em 2025 o marco de 51% do aço destinado à manufatura, superando a construção civil, e avança em transformação digital e ultrabaixa emissão — sinal de que a China vai demandar menos aço bruto importado e competir em segmentos de maior valor agregado com o
A Associação Chinesa de Ferro e Aço (CISA) declarou em 30 de outubro que a siderurgia do país entrou em uma nova fase de 'alto padrão, inteligência e verde', com a fatia de aço destinada à manufatura superando pela primeira vez a da construção civil — 51% em 2025 e 52% no primeiro semestre de 2026. Até setembro, 307 usinas concluíram ou parcialmente concluíram a transformação de ultrabaixa emissão, cobrindo cerca de 940 milhões de toneladas de capacidade de aço bruto. Para o Brasil, o movimento sinaliza dois vetores simultâneos: menor apetite chinês por aço semiacabado e maior pressão competitiva sobre siderúrgicas brasileiras em nichos de aço de alta especificação, justamente onde o país tenta se reposicionar.
O vice-presidente e porta-voz da CISA, Tang Zujun, apresentou os números em coletiva sobre o terceiro trimestre de 2026. A estrutura de variedades da siderurgia chinesa está se aprimorando, a transformação digital e inteligente ganha eficiência e a conservação de energia avança em direção ao verde. O dado mais relevante para o comércio bilateral é a virada estrutural: em 2025, a proporção de aço consumido pela manufatura superou pela primeira vez na história a da construção civil, atingindo 51%, e subiu para 52% no primeiro semestre de 2026. O aço para automóveis, eletrodomésticos e infraestrutura melhora de desempenho continuamente, e a pesquisa e produção de produtos de alto padrão se aceleram. Tang descreveu a transição do modelo 'aço por experiência', baseado em visão e tato, para o 'aço por dados', com algoritmos de inteligência incorporada nas linhas de produção e cobertura crescente de operações não tripuladas.
Por que isso chega ao Brasil: o país é um dos principais fornecedores de minério de ferro para a China e, ao mesmo tempo, enfrenta crescente pressão de aço chinês em seu mercado interno e em terceiros mercados. A migração chinesa para aço de maior valor agregado significa que a demanda por placas e semiacabados — segmento em que usinas brasileiras têm presença — tende a arrefecer, enquanto a competição em aços planos de alta especificação, automotivos e para eletrodomésticos se intensifica. O impacto direto é indireto, via cadeia de minério de ferro e via pressão competitiva sobre a indústria siderúrgica brasileira, que já convive com investigações antidumping e com o debate sobre salvaguardas. Reguladores como a CAMEX (comércio exterior) e o MDIC (indústria e comércio) acompanham de perto a evolução das exportações chinesas de aço para a América Latina.
Os dados mostram que, até o final de setembro de 2026, 307 empresas siderúrgicas chinesas concluíram ou concluíram parcialmente a transformação de ultrabaixa emissão, das quais 282 concluíram o processo integral, envolvendo cerca de 940 milhões de toneladas de capacidade de aço bruto. Nos primeiros três trimestres, as emissões de dióxido de enxofre, material particulado e óxidos de nitrogênio caíram 4,9%, 0,3% e 5,2%, respectivamente, ano contra ano. Desde o projeto de eficiência energética extrema lançado há três anos, 143 empresas participaram do cultivo, com economia acumulada superior a 24 milhões de toneladas de carvão equivalente e redução de 60 milhões de toneladas de CO2; o consumo de energia do alto-forno caiu 3,13% e a redução no convertedor atingiu 15,22%. Na leitura do CBI, esses números indicam que a China está internalizando custos ambientais e ganhando eficiência — o que torna seu aço mais competitivo em preço e em critérios ESG, exatamente nos mercados onde o Brasil tenta vender 'aço verde'. A comparação com a trajetória europeia (CBAM) sugere que a pressão por padrões ambientais na cadeia siderúrgica global só aumenta, e o Brasil precisa acelerar sua própria agenda de descarbonização para não perder prêmio de mercado.
Tang destacou ainda que a resiliência da economia chinesa cresce, indústrias estratégicas emergentes surgem e a manufatura de equipamentos de alto padrão se renova, com novas infraestruturas e renovação urbana abrindo cenários para novos produtos. A orientação para o setor é focar em variedades e qualidade conforme a demanda das indústrias a jusante, promover a atualização de produtos, transformar vantagem de qualidade em vantagem de eficiência, expandir edificações em estrutura de aço, seguir o caminho do desenvolvimento diferenciado e promover a saída ordenada de capacidades irregulares e de baixa eficiência. O que acompanhar: (1) a evolução das exportações chinesas de aço para o Brasil e América Latina nos próximos trimestres, com possível reação da CAMEX; (2) o ritmo de fechamento de capacidade obsoleta na China e seu efeito sobre o preço do minério de ferro; (3) a agenda brasileira de descarbonização siderúrgica e eventuais mecanismos de ajuste de carbono na fronteira, que definiriam a competitividade do aço nacional frente ao avanço verde chinês.
Nota sobre a fonte
Fonte oficial chinesa (CISA via 人民网) usa linguagem institucional otimista sobre 'transformação verde' e 'aço por dados', omitindo o efeito competitivo sobre produtores brasileiros e o volume real de exportações de aço para a América Latina.
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