Segundo turno: o que Lula e Flávio Bolsonaro dizem sobre a China, nas palavras deles
Antes do segundo turno de 25 de outubro, cinco falas públicas de cada candidato sobre a China no último ano, em ordem cronológica, com data e fonte, conferidas palavra por palavra, sem avaliação.
Em 25 de outubro, o eleitor escolhe entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Antes disso, há três debates na TV: 11 de outubro na Record, 18 de outubro na Band e 23 de outubro na Globo.
Para quem faz negócios entre o Brasil e a China, a pergunta é uma só: o que cada um pensa sobre a China. Na coluna de 5 de outubro na Folha de S.Paulo, Igor Patrick observou que os dois evitam escolher lado, mas que a China está no bastidor da eleição.
O CBI não resume nem avalia. Abaixo estão as frases que cada candidato disse publicamente sobre a China no último ano, em ordem cronológica, com data, ocasião e fonte. Cada frase foi conferida palavra por palavra na página original em 9 de outubro de 2026. O leitor compara por conta própria.
Flávio Bolsonaro
28 de março de 2026, discurso na CPAC (Conferência de Ação Política Conservadora), nos EUA. Disse que o Brasil é:
"a solução para os Estados Unidos quebrar a dependência da China por minerais críticos, especialmente terras raras" — CNN Brasil, 30 de março de 2026
26 de abril de 2026, vídeo nas redes sociais. Sobre beneficiar terras raras no país:
"O Brasil exporta um navio de minério de ferro para a China e recebe de volta uma canoinha de laptop?" "As terras raras. 'Interessa' pro mundo? Vem pra cá, vamos transferir tecnologia para cá." — Correio Braziliense, 26 de abril de 2026
8 de maio de 2026, entrevista ao CNN 360°.
"Não tenho problema nenhum de sentar para conversar com os Estados Unidos ou com a China" — CNN Brasil, 8 de maio de 2026
8 de julho de 2026, live de Washington, durante a audiência do USTR sobre tarifas. A frase mais dura contra o adversário:
"Todo mundo está vendo o vexame que o Lula está passando na área internacional. A todo momento ele lambe as botas da China e taca pedra nos Estados Unidos" — Gazeta do Povo, 8 de julho de 2026 (veículo de linha editorial à direita)
21 de setembro de 2026, ato de campanha em Natal (RN). A formulação mais completa até agora:
"Minha relação vai ser sempre pragmática economicamente. Vamos fazer o que for melhor para a nação brasileira, diferente do atual governo, que declara guerra aos Estados Unidos e lambe bota da China. O Brasil é muito maior que isso. A gente não tem que escolher um lado" "Temos que andar junto com todas as nações que sejam desenvolvimentistas, que queiram investir no Brasil, transferir tecnologia para o Brasil. Minhas negociações como presidente da República, tanto com os Estados Unidos quanto com a China, tanto quanto com Israel quanto com o Oriente Médio, vão ser sempre pensando no que vai ser melhor para o Brasil." — CNN Brasil, 21 de setembro de 2026
Há ainda um documento que não é fala do candidato, mas está ligado à sua campanha: segundo o Estado de Minas, em setembro, uma apresentação de 22 páginas em inglês, intitulada "Prosperity Partnership" e com "Flávio Bolsonaro | 2026 Campaign" na capa, elaborada por seu aliado André Marinho, propõe um "sistema paralelo de fornecimento" de minerais críticos e terras raras alinhado aos EUA para reduzir a dependência da China. Flávio não se manifestou publicamente sobre o documento. O CBI apenas registra sua existência.
Lula
5 de setembro de 2025, entrevista ao SBT Brasil. Perguntado sobre alinhamento com a China:
"O Brasil produz, quer vender seus produtos, e a gente vende pra quem quer comprar" "O comércio do Brasil e China hoje é o dobro do comércio com os EUA. Com uma diferença: com a China, o Brasil é superavitário, com os EUA, é deficitário" — CNN Brasil, 5 de setembro de 2025
8 de maio de 2026, evento "Sente a Energia", em Brasília. Sobre por que a China entrou no mercado brasileiro:
"A partir de 2008, a China entrou. E entrou por quê? Porque vocês (EUA) abandonaram o Brasil. [...] Os chineses entraram. E entraram contribuindo de forma extraordinária, fazendo investimentos" — Poder360, 8 de maio de 2026
18 de maio de 2026, Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, em Campinas (SP). Sobre terras raras:
"Não temos veto a ninguém, não temos preferência por ninguém. Aqui pode vir chinês, alemão, francês, japonês, americano. Pode vir quem quiser, desde que tenham consciência de que o Brasil não abre mão da sua soberania. Os minerais críticos são nossos, as terras raras são nossas, e a gente quer explorar aqui dentro." — CartaCapital, 18 de maio de 2026
No mesmo evento, disse esperar que "a gente faz o Trump parar de brigar com o Xi Jinping e venha se associar a nós, para que a gente possa explorar aqui".
30 de junho de 2026, Cúpula do Mercosul, em Assunção. Depois de falar do acordo Mercosul-União Europeia:
"Em breve, queremos fazer o mesmo com a China e seguir nos aproximando dos mercados mais dinâmicos do planeta" — Brasil de Fato, 30 de junho de 2026 (veículo de linha editorial à esquerda)
16 de agosto de 2026, lançamento da campanha, em São Bernardo do Campo (SP). De novo sobre terras raras, desta vez com China e EUA na mesma frase:
"Eu não quero nem que os Estados Unidos, nem que a Rússia, nem que a China, nem que França ou Inglaterra, ninguém explore. Nós que vamos explorar em benefício do povo brasileiro" — Diário do Grande ABC, 16 de agosto de 2026
O que as frases mostram
Só o que se lê diretamente nas frases acima.
Os dois já disseram que o Brasil não precisa escolher lado. Na versão de Flávio (21 de setembro), "a gente não tem que escolher um lado"; na de Lula (18 de maio), "não temos veto a ninguém, não temos preferência por ninguém".
Os dois usam as terras raras como porta de entrada para falar de China, e os dois defendem beneficiar o minério no Brasil. A diferença é o interlocutor: Flávio, em março, nos EUA, apresentou o Brasil como "a solução" para a dependência americana da China; Lula, em maio, em Campinas, pediu que EUA e China parem de brigar e venham juntos.
Os dois usam a postura do outro diante da China como ataque. Para Flávio, Lula "lambe as botas da China"; para Lula, a China entrou porque os EUA "abandonaram o Brasil".
Lula fala de China com números de comércio e investimentos já feitos; Flávio fala de China com "beneficiar" e "transferir tecnologia". Nenhum dos dois disse, durante a campanha, que pretende restringir operações de empresas chinesas já instaladas no Brasil. Esta última frase é uma síntese do CBI, baseada apenas nas falas listadas.
O que acompanhar
Os três debates serão a primeira vez em que os dois discutem política externa frente a frente. O CBI atualiza este texto em até 24 horas após cada debate, acrescentando apenas falas, sem comentário. Na noite de 25 de outubro, publicamos o gráfico de votos; depois, acompanhamos a política para a China do governo eleito até a posse, em 5 de janeiro de 2027.
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Nota de verificação. Cada citação acima foi conferida palavra por palavra na página indicada em 9 de outubro de 2026. Só entram falas do próprio candidato, não de canais partidários. A pontuação segue a página original. A linha editorial da Gazeta do Povo e do Brasil de Fato está indicada no texto. O CBI é neutro: não avalia candidatos, acompanha regras e políticas.
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