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Eleição presidencial no Brasil: como Lula e Flávio tratam China e EUA

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A votação do segundo turno está marcada para 25 de outubro. Em 8 de outubro, em Brasília, Flávio disse que não vai tomar partido; em 28 de julho, em uma reunião científica, Lula disse não querer brigar com China nem com EUA. Reunimos as falas dos dois e análises de think tanks sobre segurança regional e BRICS.

No domingo, 11 de outubro, os dois candidatos do segundo turno da eleição presidencial estavam em São Paulo. Segundo a Agência Brasil, antes do ato na Avenida Paulista, em entrevista à imprensa, Lula falou sobre a votação no Senado do fim da escala 6x1, marcada para quarta-feira (14), e sobre o corte de gastos anunciado pelo adversário; depois, em cima de um carro de som, criticou a gestão da pandemia no governo anterior. Já Flávio Bolsonaro reuniu-se no centro da cidade com prefeitos e vereadores da Grande São Paulo e falou de juros e de corte de gastos. Nas falas citadas por essas duas reportagens, nenhum dos dois mencionou a China.

A relação com a China, porém, é um tema inevitável para o próximo presidente. A Bloomberg escreveu em 8 de outubro que o país asiático é, de longe, o maior parceiro comercial do Brasil e o principal comprador das exportações agrícolas brasileiras, e que empresas chinesas têm investido fortemente nos setores de energia, veículos elétricos e manufatura do país. A votação do segundo turno está marcada para 25 de outubro. Reunimos abaixo o que os dois disseram sobre China e Estados Unidos e o que dizem alguns think tanks, sempre com fonte e ocasião.

Flávio: "Não vou tomar partido"

Na quinta-feira, 8 de outubro, em um evento em Brasília, Flávio afirmou: "Não vou tomar partido". E completou: "Meu lado será o povo brasileiro, seja ao lidar com a China, Israel, o Oriente Médio, a Argentina ou a Índia. Não importa. É assim que vou governar." A fala foi registrada pela Bloomberg. A mesma reportagem diz que ele se comprometeu a trabalhar em estreita colaboração com o governo Trump nas áreas de comércio e combate ao crime e delineou planos para aderir à iniciativa de segurança "Escudo das Américas", liderada pelos Estados Unidos; segundo a agência, ele visitou Trump na Casa Branca em maio.

Ele já tinha dito coisas parecidas. Em entrevista ao CNN 360º, da CNN Brasil, em 8 de maio, afirmou: "Minha condução na política externa vai ser pragmática, a favor do povo brasileiro. Não tenho problema nenhum de sentar para conversar com os Estados Unidos ou com a China, sentar com Israel ou outros países do Oriente Médio, sempre pensando no que for melhor para o Brasil". Segundo a CNN Brasil, em comício em Natal, em 21 de setembro, ele disse: "Minha relação vai ser sempre pragmática economicamente" e "a gente não tem que escolher um lado".

Lula: "Eu não sou louco"

Em 28 de julho, Lula falou sobre China e Estados Unidos no discurso na 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, em Niterói (RJ). Segundo o Poder360, ele comentava a disputa global por terras raras, inteligência artificial e tecnologia: "Vocês acham que eu quero brigar com a China? Eu não sou louco. Vocês acham que eu quero brigar com os Estados Unidos? Eu não sou louco." Em seguida, disse que o Brasil não tem os aviões, os tanques, as bombas, o dinheiro nem o conhecimento científico e tecnológico que eles têm.

O Poder360 relata que, nesse discurso, Lula disse que o caminho é "estudar mais", "investir mais" e "pesquisar mais" do que os rivais, e afirmou querer que o Brasil desenvolva um modelo próprio de inteligência artificial, que reflita "os anseios da humanidade" a partir da realidade brasileira, e não só a disputa entre norte-americanos e chineses.

Nas medidas concretas

As falas dos dois soam parecidas; as diferenças em medidas concretas aparecem com mais clareza nas análises de think tanks reunidas pelo InfoMoney em 6 de outubro. O Council on Foreign Relations (CFR) diz que, se Flávio vencer, o Brasil poderá buscar participar do Escudo das Américas, ao qual Lula se recusou a aderir. O CFR também escreve que o governo Lula usou grupos como o BRICS para defender um sistema internacional mais multipolar, enquanto Flávio disse que reavaliaria a adesão do Brasil ao BRICS se fosse eleito.

A Brookings faz uma ressalva: "O peso da China nas relações comerciais e de investimento do Brasil imporia limites substanciais a qualquer esforço de privilegiar Washington às custas de Pequim." O texto lembra que, no governo de Jair Bolsonaro, a retórica anti-China não impediu o comércio bilateral de alcançar níveis recorde. Christopher Sabatini, diretor do Programa América Latina da Chatham House, avalia que um eventual governo de Flávio hesitaria em reduzir o comércio com a China.

O que isso significa para quem faz negócios entre Brasil e China

Nas falas acima, nenhum dos dois disse que vai reduzir o comércio com a China. Em 8 de outubro, Flávio falou em "não tomar partido", e a Bloomberg registrou seu compromisso de colaboração estreita com os Estados Unidos em comércio e combate ao crime; no discurso de 28 de julho, Lula disse não querer brigar com nenhum dos dois e apostar em ciência. CFR e Brookings tratam de mudanças em arranjos como segurança regional e BRICS, e de até que ponto o peso do comércio limitaria essas mudanças. As projeções sobre mudanças de política e limites comerciais são dos think tanks e devem ser lidas separadamente das declarações dos candidatos citadas acima.

Próximos passos

Segundo o calendário reunido pelo Jornal do Comércio em 10 de outubro, os próximos três debates do segundo turno estão previstos para 15 de outubro (SBT e pool de veículos, horário não informado), 18 de outubro às 20h (Band) e 23 de outubro (TV Globo, após o Jornal Nacional). Se os debates acontecerem, publicaremos no dia seguinte o que os dois disserem sobre China, comércio, terras raras e câmbio (se disserem).

Nota sobre as fontes

Agenda do fim de semana: Agência Brasil, duas reportagens de 11 de outubro (ato de Lula na Paulista, 16h49; reunião de Flávio com prefeitos e vereadores, 19h46). Fala de Flávio em Brasília: Bloomberg, publicada pela Bloomberg Línea em 8 de outubro (Augusta Saraiva e Daniel Carvalho; evento no mesmo dia). Entrevista de Flávio: CNN Brasil, 8 de maio. Comício em Natal: CNN Brasil, 21 de setembro. Discurso de Lula em Niterói: Poder360, 28 de julho. Think tanks: InfoMoney, 6 de outubro (Chatham House, Brookings, CFR). Calendário de debates: Jornal do Comércio, 10 de outubro (12h49).

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