Eleição presidencial no Brasil: Lula, Flávio e as exportações do agro para a China vão mudar?
A China comprou 32,7% das exportações do agronegócio brasileiro em 2025. O que dizem representantes do setor, pesquisadores e uma senadora sobre os negócios com a China após o segundo turno de 25 de outubro.
O segundo turno da eleição presidencial no Brasil será em 25 de outubro. Se Flávio Bolsonaro for eleito, os negócios do agro brasileiro com a China mudam? A CNN Brasil e outros veículos ouviram representantes do setor e pesquisadores nos últimos dias. Este texto não faz previsão de resultado: reúne os números de exportação do Ministério da Agricultura, o que foi dito num evento em 7 de outubro e uma entrevista de senadora noticiada em 12 de outubro. Cada trecho indica a fonte.
Primeiro, os números
A nota de imprensa do Ministério da Agricultura sobre as exportações de 2025 registra que o agronegócio exportou US$ 169,2 bilhões, recorde, o equivalente a 48,5% do total exportado pelo Brasil (US$ 348,7 bilhões). A China foi o principal comprador, com US$ 55,30 bilhões e participação de 32,7%. A União Europeia veio em seguida, com US$ 25,21 bilhões (14,9%), e os Estados Unidos, com US$ 11,40 bilhões (6,7%). A nota registra que, entre 2024 e 2025, as exportações do agro para a China cresceram 11,3% em valor.
Por produto, a mesma nota registra: soja em grãos para a China, US$ 34,51 bilhões; carne bovina para a China, US$ 8,84 bilhões, ou 53,2% do valor total exportado pelo Brasil de carne bovina.
7 de outubro, em São Paulo
Na quarta-feira (7), o Insper Agro Global realizou em São Paulo um evento sobre o futuro da segurança alimentar e os impactos para o agronegócio. O encontro foi noticiado pela CNN Brasil e pelo Agrimídia.
Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), afirmou que não vê, neste momento, motivo para esperar uma mudança significativa nas exportações de carnes caso Flávio seja eleito: "Frango não tem partido nem ideologia. Não dá para misturar isso." Segundo o Agrimídia, Santin repetiu a resposta dada quando Jair Bolsonaro deixou o governo. A CNN Brasil também registrou que os embarques de proteínas brasileiras à China cresceram mesmo em meio a mudanças de governo e polêmicas, inclusive durante a gestão de Jair Bolsonaro.
Larissa Wachholz, especialista em China e fellow do Cebri, que foi assessora especial do Ministério da Agricultura entre 2019 e 2021, afirmou: "A China tem olhado para a América Latina com muita cautela, buscando observar onde o seu investimento é bem-vindo, onde as suas relações comerciais são bem-vindas e onde não são." Segundo a CNN Brasil, para ela o principal efeito de um eventual alinhamento maior do Brasil aos Estados Unidos poderia aparecer nos investimentos chineses no país; ela afirmou também que os investimentos precisam fazer sentido econômico e que, para isso, é necessária estabilidade jurídica. O Agrimídia escreveu que, na avaliação dela, os aportes chineses em portos e contêineres refrigerados ajudam a tornar as exportações de carne competitivas, e por isso é importante sinalizar positivamente à China.
Marcos Jank, coordenador do Insper Agro Global, disse: "Talvez o Lula fosse mais próximo da China, talvez o Flávio vá ser mais próximo lá dos Estados Unidos." Segundo a CNN Brasil, ele não espera ruptura comercial com a China num eventual governo Flávio, e, segundo ele, a dimensão do comércio agrícola cria incentivos econômicos para que a relação continue. O Agrimídia resumiu a posição dele: o Brasil deve preservar as relações com as duas potências.
O embaixador Rubens Barbosa disse à CNN Brasil que, mesmo que Flávio Bolsonaro ganhe, as relações comerciais com a China estarão preservadas nos próximos dois ou três anos. A CNN Brasil registra que, segundo ele, o agro não permitiria entraves nas relações comerciais com seu maior parceiro.
12 de outubro, entrevista de uma senadora
Segundo o Diário do Grande ABC de 12 de outubro, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) disse à GloboNews que, se assumir a Presidência, Flávio terá de equilibrar as relações comerciais do Brasil com a China e os Estados Unidos: "Quando a pessoa senta naquela cadeira, as responsabilidades mudam." E: "Ele vai ter que ver as questões do Brasil, o que é importante para o Brasil."
Ela afirmou: "O agro que exporta tem uma relação com a China muito forte, porque ela é a nossa maior compradora, e competimos com os Estados Unidos com essa relação." Disse ainda que os Estados Unidos são o maior investidor estrangeiro no país, e que não conversou com Flávio sobre como ele pretende conduzir a política externa e comercial.
As falas lado a lado
No evento de 7 de outubro, Santin afirmou não ver motivo, neste momento, para esperar mudança significativa nas exportações de carnes; segundo a CNN Brasil, Jank não espera ruptura comercial com a China e Barbosa disse que as relações comerciais estarão preservadas nos próximos dois ou três anos, avaliações feitas para o caso de Flávio ser eleito; Wachholz avaliou que um eventual alinhamento maior do Brasil aos Estados Unidos poderia ter o principal efeito nos investimentos chineses no país. Na entrevista noticiada em 12 de outubro, Tereza Cristina falou em "equilíbrio" e disse que não conversou com Flávio sobre o tema. São avaliações de cada interlocutor; não é possível concluir que algum candidato tenha anunciado política sobre o assunto. As falas dos próprios candidatos estão no nosso texto de 12 de outubro.
O que vem aí
Segundo o calendário do Jornal do Comércio de 10 de outubro, os próximos debates do segundo turno estão previstos para 15 de outubro (SBT e outros veículos), 18 de outubro às 20h (Band) e 23 de outubro (TV Globo, após o Jornal Nacional). Se os debates ocorrerem, no dia seguinte reuniremos o que os dois disserem sobre China, comércio, terras raras e câmbio, se disserem.
Nota de verificação
Dados de exportação: nota de imprensa do Ministério da Agricultura sobre as exportações do agronegócio em 2025 (arquivo Notaimprensa12_2025); nas estatísticas dessa nota, o agronegócio inclui soja, carne bovina, celulose, açúcar, algodão e outros. Evento de 7 de outubro: CNN Brasil, 9 de outubro de 2026, "Diplomacia agrícola não deve retroceder, seja qual for resultado eleitoral"; Agrimídia, 8 de outubro de 2026, "'Frango não tem partido'" (que informa que a pergunta a Wachholz foi feita pelo g1). Entrevista da senadora: Diário do Grande ABC, 12 de outubro. Calendário dos debates: Jornal do Comércio, 10 de outubro.
Achou útil?
Compartilhe com quem precisa entender o mercado chinês
Ajude mais empresas brasileiras a entender a China e fechar negócios
China Brazil Insight · Entenda a China. Feche negócios.
Receba o briefing diário
3-5 destaques por dia, direto no e-mail. Gratuito.