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巴西大选后专栏作者撰文:国家本质未变,企业家应专注可控之事

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OPINIÃO. Coragem. O Brasil é isso aí 

巴西大选结果公布后,税务律师在专栏文章中引用企业家Beto Sicupira的话称巴西不会因一次选举变成美国或瑞士,呼吁企业家区分可控与不可控之事,继续工作。

巴西大选结果公布后,Brazil Journal刊发税务律师Luiz Gustavo Bichara的专栏文章。文章认为,政府确实有影响,但不应将个人安宁完全寄托于政治结果,并引用企业家Beto Sicupira此前的言论称,巴西存在官僚主义、法律不确定性和文化问题,不会因一次选举变成美国或瑞士。

文章描述,大选后不少人对结果感到沮丧,有人声称要离开国家、失去投资意愿甚至放弃工作。作者表示,作为税务律师,他长期目睹巴西利亚决策带来的后果,因此不会否认政府的作用,但认为其影响或许没有人们想象的那么大。他引用Sicupira的话说:“巴西就是这个样子”,并称无论谁执政,巴西的官僚主义、法律不确定性和文化问题都将持续。

文章援引近两千年前的斯多葛哲学家爱比克泰德的观点,主张区分可控与不可控之事:企业家可以改善企业、雇用人才、投资技术、争取客户,但无法单独决定总统人选或控制国会。作者认为,因选举结果而沮丧的人知道接下来可能面对什么——最低限度的财政调整(如果发生)、更高的通胀、已定的衰退、大规模裁员——但集体绝望无济于事,仍需继续为财政责任、法律安全、尊重纳税人和限制国家贪婪而斗争。

文章还指出,参与公共辩论是权利也是义务,但不应把政治新闻变成情绪心电图。每次选举后的周一,数百万巴西人照常早起开店、开办公室、开工厂和农场,继续面对官僚主义、缴税、雇人并尝试建设。作者写道,不能四年只等下一次选举,生活继续,并引用歌手Bituca的话,保持“对生活抱有信念的奇怪习惯”。

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类型
公共事件
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巴西
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OPINIÃO. Coragem. O Brasil é isso aí 

Há um número impressionante de pessoas inconsoláveis com o resultado das eleições. Algumas parecem genuinamente deprimidas. Outras exibem um desalento que normalmente se reserva à perda de um ente querido. Há quem fale em deixar o País, quem tenha perdido a vontade de investir, e até quem pareça ter desistido de trabalhar. Não pretendo minimizar a importância da política. Como advogado tributarista, passo a vida testemunhando as consequências, geralmente desastrosas, das decisões tomadas em Brasília. Seria particularmente incoerente sustentar que os governos não fazem diferença. Fazem, e muita. Mas talvez não tanta quanto gostamos de imaginar. Há uma constatação, singela e fatalista, que parece escapar a quem está inconsolável: o Brasil é isso aí mesmo. Não é a Suíça, não será a Suíça na segunda-feira, e provavelmente tampouco será a Suíça depois das próximas dez eleições. Haja o que houver, no Natal que se avizinha não vai nevar. Numa fala memorável, anos atrás, Beto Sicupira já chegou a essa conclusão quando afirmou: “Hoje estamos simplesmente vivendo o Brasil que eu sempre vivi. Trabalho há mais de 50 anos, e o Brasil é isso aí, não é diferente disso não (...). Se vocês estão achando que o Brasil é um negócio que vai virar Estados Unidos, vocês estão no lugar errado. Não vai virar Estados Unidos porque o Brasil é o País do coitadinho, é o País do direito sem obrigação, e é o País da impunidade. Isso é cultural! ‘Ah, mas vamo eleger não sei quem quem, que vai mudar!’ Não vai mudar!” Teremos governos melhores e piores. Uns compreenderão a importância da responsabilidade fiscal, outros continuarão acreditando que o dinheiro público brota espontaneamente em alguma repartição do Ministério da Fazenda. Alguns respeitarão a iniciativa privada, outros a enxergarão como uma espécie de inconveniente necessário à arrecadação tributária. Mas o Brasil continuará sendo isso aí. Com sua burocracia sufocante, seu Estado dispendioso, insegurança jurídica, e sua extraordinária capacidade de complicar o que deveria ser simples. E também com um mercado imenso, oportunidades abundantes e empresários que aprenderam a produzir riqueza apesar das dificuldades que lhes são impostas. É curioso: embora desconfiemos profundamente dos políticos, continuamos atribuindo a eles poderes quase sobrenaturais sobre nosso destino – mormente o Presidente da República, menosprezando o fato de que boa parte do orçamento é ordenado pelo Congresso, o que nos aproxima cada vez mais de um parlamentarismo sem accountability. Epicteto, o filósofo estoico que viveu há quase dois mil anos, ensinava que algumas coisas dependem de nós, enquanto outras escapam ao nosso controle. A serenidade, segundo ele, começa justamente pela capacidade de distinguir umas das outras. Podemos melhorar nossas empresas, contratar profissionais competentes, investir em tecnologia, conquistar clientes e desenvolver novos negócios. Podemos trabalhar mais, estudar mais, inovar e corrigir nossos próprios erros. Não podemos, individualmente, escolher o presidente da República, controlar o Congresso ou impedir que algum burocrata tenha uma ideia particularmente idiota numa terça-feira à tarde. Por que, então, entregar nossa paz de espírito a essas variáveis? Hoje, os que sofrem com o resultado da eleição o fazem porque sabem o que muito provavelmente nos espera: um ajuste fiscal mínimo (se acontecer), uma inflação mais alta, uma recessão contratada, demissões em massa – e mais uma oportunidade perdida de virar o rumo do País numa direção que ajude a quem produz. Mas ainda que muitos não estejamos otimistas, temos que arregaçar as mangas e trabalhar para superar mais este momento – até porque o desespero coletivo não vai levar a nada. Precisamos continuar no combate por responsabilidade fiscal, segurança jurídica, respeito aos contribuintes e limites à voracidade estatal. Participar do debate público é um direito e, em alguma medida, um dever. Mas uma coisa é exercer a cidadania. Outra é transformar o noticiário político num eletrocardiograma emocional. O Brasil já atravessou governos de orientações bastante diferentes. Em todos eles houve empresas que prosperaram, empreendedores que fracassaram, oportunidades aproveitadas e outras desperdiçadas. Insisto: isso não significa que as políticas públicas sejam irrelevantes. Significa apenas que elas não esgotam as possibilidades de uma sociedade. O empresário que passa o dia lamentando o resultado eleitoral deixa de dedicar tempo àquilo que efetivamente pode transformar sua vida e a de seus funcionários. Na segunda-feira seguinte a qualquer eleição, milhões de brasileiros continuam acordando cedo, abrindo suas lojas, escritórios, fábricas e fazendas. Continuam enfrentando a burocracia, pagando impostos, contratando pessoas e tentando construir alguma coisa. É esse Brasil que merece nossa energia. Não dá para passarmos quatro anos apenas aguardando a próxima eleição. O governo é o que é. O Brasil é o que é. A vida continua. Vamos respirar fundo e seguir o conselho do velho Bituca, mantendo “essa estranha mania de ter fé na vida”. Luiz Gustavo Bichara é advogado.

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