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巴西医疗器械供应链回款周期达170天,滞留金额占营收36%

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O caminho para uma cadeia de dispositivos médicos mais eficiente 

巴西医疗器械行业协会ABRAIDI指出,会员企业被滞留营收、拒付和坏账总额达57.87亿雷亚尔,占营收36%,64%的会员企业因此需要贷款应对。

巴西医疗器械行业协会ABRAIDI执行董事Davi Uemoto撰文指出,该协会会员企业的营收滞留、拒付和坏账总额已达57.87亿雷亚尔,相当于企业营收的36%;64%的会员企业不得不借助贷款来应对这一财务错配。从获准开具发票到手术完成后实际收到付款的平均周期达到170天。

文章援引ABRAIDI的监测数据称,仅坏账一项就增长了71%,达到八年监测以来的最高水平。作者认为,这些数字反映的不只是财务问题,还暴露出供应链中仍存在大量手工流程、信息不对称、不同操作标准以及环节间缺乏整合。

作者主张,解决这一问题不能只讨论付款期限,而应让从医疗器械指示到实际使用材料付款的整个流程更加透明、标准化、数字化和可追溯。具体措施包括:在医生申请环节标准化处方并数字化采集关键数据;报价环节遵循治理规则、项目标准化和参考价格表;加强审计环节,通过基于客观文件标准的预审计提前发现不合规情况;将手术排程数字化整合,医院收货时采用数字追溯协议并即时核对;通过数字化清单实现智能套件化,并在手术过程中实时采集消耗数据;术后自动交叉核对手术记录、手术描述和实际消耗;对未使用材料实行自动化逆向物流;在财务处理中将合同、税务和商业规则参数化;并与付款方门户集成,同时管理拒付指标及其成因。

作者称,这一思路将13个流程环节转化为一项更大的目标:让每一步都为下一阶段提供可靠信息,使分歧在变成财务损失之前被发现。文章认为,透明意味着规则清晰、信息标准化、责任明确和可追溯;可预测性则意味着减少不必要的不确定性。

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信息概要

类型
行业趋势
方向
巴西
分类
医药健康
层级
编辑整理
影响谁
医疗器械供应商医院付款方/运营商
话题
行业趋势支付合规
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O caminho para uma cadeia de dispositivos médicos mais eficiente 

Por Davi Uemoto* A sustentabilidade da cadeia de dispositivos médicos depende de um elemento que muitas vezes parece administrativo, mas tem impacto direto sobre a capacidade das empresas fornecerem produtos e serviços de forma contínua: a previsibilidade financeira. Quando uma empresa não sabe exatamente quando receberá pelo que entregou, quanto será efetivamente pago ou por que determinado valor foi glosado, toda a cadeia perde eficiência, e as pequenas e médias empresas são as primeiras a sentir os efeitos. O cenário atual exige atenção. Entre os associados da ABRAIDI, o volume total de retenção de faturamento, glosas e inadimplência chegou a R$ 5,787 bilhões, equivalente a 36% do faturamento das empresas. Como consequência, 64% das associadas precisaram recorrer a empréstimos para enfrentar os impactos desse descompasso financeiro. O prazo médio entre a autorização para emitir a nota fiscal e o recebimento do pagamento, após a realização de um procedimento cirúrgico, alcançou 170 dias. Somente a inadimplência cresceu 71% e atingiu o maior volume desde o início do monitoramento, há oito anos. Esses números não representam apenas um problema financeiro. Revelam uma cadeia na qual ainda existe excesso de processos manuais, assimetria de informações, diferentes padrões de operação e pouca integração entre as etapas que vão da indicação de um dispositivo médico ao pagamento pelo material efetivamente utilizado. Por isso, defendemos que o enfrentamento desse problema precisa ir além da discussão sobre prazos de pagamento. É necessário tornar o processo como um todo mais transparente, padronizado, digital e rastreável. Digitalização e padronização para reduzir perdas A proposta parte de uma premissa simples: quanto melhor for a informação na origem, menor será a possibilidade de divergência nas etapas seguintes. O primeiro passo está na solicitação médica, com a padronização das prescrições e a captura digital dos dados críticos. Uma informação precisa e estruturada reduz ambiguidades e facilita a autorização, a cotação e o faturamento. Na sequência, a cotação deve observar regras de governança, padronização de itens, prazos e tabelas de referência, criando maior previsibilidade comercial e técnica. Também é necessário qualificar as etapas de auditoria. Uma pré-auditoria baseada em critérios documentais objetivos permite antecipar inconformidades e diminuir a assimetria de informações entre fornecedor e auditor. Da mesma forma, autorizações estruturadas por fonte pagadora, com regras claras e matrizes previamente definidas, reduzem o risco de divergência entre aquilo que foi autorizado e o que efetivamente foi entregue. A previsibilidade também começa antes da cirurgia. A integração digital do agendamento, com antecedência mínima obrigatória, permite organizar a logística e garantir a disponibilidade dos dispositivos necessários. No hospital, a recepção do material deve contar com protocolo digital de rastreabilidade e conferência imediata, registrando de maneira inequívoca a entrada dos produtos consignados. Na etapa seguinte, a chamada “kitização” inteligente, apoiada por checklists digitais, pode reduzir movimentações desnecessárias de estoque e aumentar a precisão dos materiais encaminhados à sala cirúrgica. Durante o procedimento, a tecnologia pode dar um passo adicional: a captura do consumo em tempo real, com leitura por inteligência artificial e registro fotográfico por lote ou item, cria um lastro objetivo para aquilo que foi efetivamente utilizado. Esse registro é fundamental porque conecta o ato cirúrgico ao faturamento. Após o procedimento, a auditoria deve ser capaz de cruzar automaticamente a folha de sala, a descrição cirúrgica e o consumo efetivo. Dessa maneira, a cobrança passa a refletir, de forma mais precisa, o que realmente aconteceu no procedimento, reduzindo erros de transcrição, divergências e glosas evitáveis. Leia mais de Conexões ABRAIDI O caminho para uma cadeia de dispositivos médicos mais eficiente O que ninguém vê também cuida do paciente Saúde pode ser a nova fronteira do desenvolvimento industrial brasileiro A quem interessa reduzir um debate tão relevante à ‘Máfia das Próteses’? O mesmo princípio deve valer para a logística reversa. Materiais não utilizados precisam retornar rapidamente ao inventário do fornecedor, com conferência e baixa automatizadas. No processamento financeiro, regras contratuais, tributárias e comerciais devem ser parametrizadas em sistemas capazes de reduzir a interferência manual e, consequentemente, os erros. Por fim, a transmissão ao pagador deve ocorrer de forma integrada aos portais das operadoras, assegurando que a conta seja encaminhada com toda a documentação necessária. E o processo não termina no envio: a gestão do recebimento precisa acompanhar os indicadores de glosas, seus índices e seus principais motivadores, permitindo identificar causas-raiz e corrigir problemas recorrentes. Essa visão transforma as 13 etapas propostas em algo maior do que uma agenda de digitalização. Trata-se de construir uma cadeia em que cada passo produza informação confiável para a fase seguinte e em que as divergências possam ser identificadas antes de se transformarem em perdas financeiras. Transparência, nesse contexto, não significa apenas permitir que cada parte veja o processo, mas estabelecer regras claras, informações padronizadas, responsabilidades definidas e rastreabilidade suficiente para que todos compreendam o que aconteceu, quando aconteceu e por que determinado pagamento foi ou não realizado. Previsibilidade, por sua vez, não significa eliminar todas as variáveis de uma operação complexa, mas reduzir a incerteza desnecessária. Para uma cadeia que movimenta dispositivos fundamentais à assistência à saúde, essa mudança é estratégica. Menos retrabalho, menos glosas evitáveis, menor tempo de ciclo e maior segurança das informações significam também menor necessidade de capital de giro para financiar ineficiências do sistema. *Davi Uemoto, diretor executivo da Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Produtos para Saúde (ABRAIDI) .

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