Macro & Mercados
Tencent eleva gastos em IA e armazenamento — fornecedores brasileiros de memória e data centers atentos
· Clara Lin
Veículos elétricos e bateriasEletrônicos e máquinasInfraestrutura e construção
A Tencent aumentou seus gastos de capital em 176% no 2T26, priorizando poder computacional e armazenamento para IA. Isso sinaliza demanda global por chips, memória e infraestrutura, afetando a cadeia de fornecedores brasileiros de tecnologia e data centers.
Em 12 de agosto, a Tencent divulgou seus resultados do segundo trimestre de 2026, com receita de 204,785 bilhões de yuans (cerca de USD 28,7 bilhões), alta de 11% ano a ano. O destaque foi o salto nos gastos de capital: 52,78 bilhões de yuans (USD 7,4 bilhões), um aumento de 176% em relação ao ano anterior. A empresa está direcionando recursos maciços para infraestrutura de IA, incluindo armazenamento e memória de alta especificação. Para o Brasil, isso sinaliza uma demanda global aquecida por componentes de tecnologia e infraestrutura digital, com impacto potencial em exportadores de minérios usados em eletrônicos e no setor de data centers locais.
A Tencent, gigante chinesa de tecnologia, reportou no 2T26 um crescimento sólido em seus negócios tradicionais, mas o mercado reagiu negativamente à notícia do aumento expressivo dos investimentos em IA. As ações caíram 4,46% no dia seguinte à divulgação, refletindo preocupações com a pressão sobre lucros e fluxo de caixa no curto prazo. A empresa, porém, justifica a estratégia: usar os negócios maduros (jogos e publicidade) como fonte de caixa para financiar a próxima onda de crescimento, a IA.
Os gastos de capital da Tencent no trimestre somaram 52,78 bilhões de yuans, um aumento de 176% em relação ao ano anterior e 65% em relação ao trimestre anterior. Desse total, uma parcela significativa foi destinada à compra de poder computacional, incluindo chips, memória e dispositivos de armazenamento. A administração confirmou que a escala de compra de poder computacional aumentou substancialmente, e que a demanda por inferência de IA (PAPI e coPAPI) para suportar o modelo Hunyuan está impulsionando a necessidade de infraestrutura.
O impacto no Brasil é indireto, mas relevante. A cadeia global de suprimentos de tecnologia, da qual o Brasil participa como exportador de minérios como nióbio e ferro, e como mercado consumidor de data centers, pode sentir os efeitos. Empresas brasileiras de tecnologia e telecomunicações que dependem de importação de servidores e componentes de armazenamento podem enfrentar aumento de preços ou prazos de entrega mais longos, dada a demanda aquecida na China. Além disso, a expansão da IA na China pode pressionar a demanda global por energia e infraestrutura, afetando indiretamente projetos de data centers no Brasil.
Na leitura do CBI, os dados mostram que a Tencent está apostando alto na IA, mesmo com o fluxo de caixa livre negativo no trimestre. Isso indica uma visão de longo prazo, mas também um risco de curto prazo. Para o Brasil, o acompanhamento dessa tendência é crucial para quem atua no setor de tecnologia, importação de equipamentos ou planejamento de infraestrutura digital.
O que acompanhar: a evolução dos gastos de capital da Tencent no segundo semestre, possíveis anúncios de novos data centers na América Latina, e a variação dos preços de memória e armazenamento no mercado global, que podem impactar custos de importação no Brasil.
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