Kobe registra aumento no uso de IA conversacional em aplicativos proprietários
A brasileira Kobe Apps , fornecedora de uma plataforma para criação e gestão de apps de comércio móvel, registrou um significativo aumento na adoção da sua ferramenta de agentes de IA conversacional pelos seus clientes em aplicativos proprietários depois de o WhatsApp alterar seu modelo de precificação para mensageria corporativa.
Em setembro, 40% da base de clientes da Kobe usava IA conversacional dentro de seus apps, proporção que subiu para 60% agora e deve chegar a 80% até o final do ano, prevê Bruno Bulso, cofundador e diretor de operações (COO) da Kobe, em conversa com o Mobile Time.
Desde abril, a plataforma disponibiliza diferentes ferramentas de IA conversacional. Uma delas é a de chat com agente de IA dentro do app. Cada marca cria o seu próprio agente, que pode ter objetivos diferentes. Pode ser um agente de pré-venda, que atua como um consultor, ou pode ser um agente de pós-venda, por exemplo. É possível escolher para quais clientes a funcionalidade de chat fica disponível: para todos; ou somente para aqueles que já fizeram uma compra pelo app; ou para quem nunca fez compra nenhuma etc.
A adoção da ferramenta de agentes de IA foi liderada por dois segmentos de varejistas: os de eletrônicos e os de moda. No caso de eletrônicos, isso se deve ao fato de terem um catálogo muito variado e de o cliente precisar tirar dúvidas técnicas antes de efetuar a compra. No caso de moda, os produtos têm muitas especificidades que precisam ser checadas pelo consumidor, como cor, tamanho etc. O agente nesses dois segmentos costuma agir como um consultor pré-venda. O segmento de supermercados também vem adotando a solução, neste caso para facilitar a montagem do carrinho a partir de uma lista de compras.
Pelo uso da ferramenta a Kobe cobra por sessão de conversa. Por trás da solução há uma orquestração de LLMs, com modelos de OpenAI, Gemini e Anthropic. A combinação acontece de maneira transparente para o varejista, que não precisa se preocupar com isso.
A plataforma da Kobe é usada por 140 empresas de diferentes segmentos, incluindo Cacau Show, Vivara, Mizuno, Olympikus, Fast Shop, Umbro, Atacadão e Angeloni. São 20 milhões de usuários ativos mensais (MAUs, na sigla em inglês) que fazem por ano 6 milhões de pedidos, transacionando cerca de R$ 3 bilhões. Os números vêm crescendo acima de 30% por ano desde 2022.
Bruno Bulso, da Kobe Apps (crédito: divulgação)
Kobe: aplicativos próprios X WhatsApp
O aumento do custo da comunicação por WhatsApp está levando os varejistas a alterarem a jornada de contato com seus consumidores. Para aqueles que têm o app instalado, a prioridade agora é contactar através de notificação push primeiro, para informar sobre promoções. Se não houver sucesso, aí sim recorrem ao WhatsApp.
“O WhatsApp deixa de ser o primeiro canal e passa ser secundário. O pessoal entendeu que não pode depender dele”, comenta Bulso. “Mas o WhatsApp não vai deixar de existir. A jornada é que está mudando. Muita marca ainda manda a primeira mensagem pelo WhatsApp, só que agora com um link para levar o cliente para dentro do app”, acrescenta.