Vivara retoma compra de ouro e prevê margem estável e caixa sólido em 2027, diz CFO
A Vivara (VIVA3) planeja repetir em 2027 a fórmula de margem bruta estável, receita em alta e geração de caixa robusta. No terceiro trimestre deste ano, segurou reajustes de joias de ouro para acompanhar a queda do metal. A decisão protegeu as vendas, mas reduziu o lucro, enquanto a prata, os relógios e o canal digital ganharam peso no faturamento.
A dona das marcas Vivara e Life, com 533 pontos de venda, elevou a receita bruta em 7,7% entre julho e setembro, para R$ 867,4 milhões.
O digital cresceu 25%. A margem bruta ajustada caiu 3,5 pontos percentuais, para 67,8%, e o lucro líquido ajustado recuou 22,2%, a R$ 119,9 milhões, informou a empresa.
Em bases comparáveis, a queda do lucro seria de 9,6%. Essa conta exclui o efeito da subvenção fiscal mais alta de 2025, ligada à entrada em operação do centro de distribuição do Espírito Santo.
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Em entrevista à Bloomberg Línea , o CFO Elias Leal Lima resumiu o que espera do próximo ano. “Margem bruta estável, crescimento de receita bruta, geração de caixa bastante sólida e cada vez mais uma evolução das categorias”, disse Leal Lima.
A cotação internacional do ouro recuou cerca de 24% entre fevereiro e julho, a maior correção desde 2013, segundo a empresa. A joalheria moderou os repasses de preço, sobretudo em alianças. O executivo afirmou que o metal já voltou a subir e que os preços voltaram a ser ajustados.
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Em agosto, Leal Lima havia contado à Bloomberg Línea que a Vivara estava sem comprar ouro de fornecedores desde maio de 2025. Nesse período, a produção usou o ouro das trocas feitas por clientes. Agora, ele confirmou que as compras foram retomadas neste trimestre, para dar conta da produção.
“É fundamental ver o filme. Não estamos aqui para acertar o ‘tri a tri’. Estamos aqui para entregar uma margem bruta alta, estável, próxima do que a gente vem entregando nesses nove meses”, afirmou.
Prata e relógios contra a volatilidade
O dólar mais alto depois da eleição encarece o ouro em reais, e a resposta da empresa passa pela diversificação. Segundo o CFO, a prata da Life já responde por 35% da receita e os relógios, por 15%. As linhas Prata Vivara e Prata/Ouro subiram de 6% para 10% da receita de joias em um ano.
O estoque amplo também amortece oscilações de curto prazo. A dívida líquida ficou em 0,2 vez o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização). Nos nove meses, 71% do Ebitda virou caixa operacional, a maior conversão da série histórica, segundo o balanço.
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“Na medida em que a gente comece a gerar mais caixa do que os projetos conseguem consumir, naturalmente a gente começa a discutir então uma maior distribuição de dividendos ou recompra de ações”, disse Leal Lima.
A empresa captou R$ 300 milhões em debêntures a CDI (taxa de referência do mercado interbancário brasileiro) mais 0,65% ao ano, entre o primeiro e o segundo turno, contou o CFO. Ele mantém a meta de 55 a 65 aberturas em 2026, mais perto do topo, ante 35 até setembro. A meta de 2027 ainda está em discussão.
JPMorgan vê lucro abaixo do esperado
O JPMorgan apontou que o lucro por ação ajustado de R$ 0,47 ficou 14% abaixo da sua projeção e 7% aquém do consenso, em relatório de 5 de novembro. O banco manteve a recomendação overweight (equivalente a compra). Segundo o relatório, a ação negocia a cerca de 6 vezes o lucro estimado para 2027.
Os analistas destacaram a redução de 141 dias no estoque. Também avaliaram que a revisão contábil de pedras e embalagens levanta dúvida sobre avaliações anteriores e possíveis novas provisões.
Na leitura do banco, a ação, cotada a R$ 18,08 em 5 de novembro, deve reagir mal. A gestora Guepardo, por sua vez, elevou sua fatia para 10,17% do capital, informou a Vivara.
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