Tera e Riachuelo criam 22 soluções de IA e tem R$ 5,6 milhões em perdas financeiras evitadas
A Tera desenvolveu, junto à Riachuelo, um programa que capacitou profissionais de diferentes áreas da companhia a aplicar IA na solução de desafios reais da operação. A iniciativa resultou em 22 soluções de IA, com retorno estimado de R$ 16 para cada R$ 1 investido, com projetos que abrangem desde a prevenção de fraudes e a automação de contratos até melhorias em processos administrativos e logísticos.
Algumas das soluções já começaram a gerar impactos relevantes. Na frente de fraude em crédito, um dos projetos já contribuiu para evitar R$ 5,6 milhões em perdas financeiras. Em outro processo, uma análise que antes levava até dois dias passou a ser concluída em meio período. O monitoramento de publicações, antes feito manualmente, foi totalmente automatizado e, na logística, o tempo para localizar um item perdido durante o picking caiu de cerca de três minutos para dez segundos.
Ao todo, 30 builders de mais de dez diretorias desenvolveram 22 soluções de IA ao longo de aproximadamente três meses, envolvendo áreas como Jurídico, RH, Financeiro, Tecnologia, Supply Chain, E-commerce e Indústria. A proposta partiu de um desafio específico da Riachuelo: avançar do uso de ferramentas prontas de IA para a formação de pessoas capazes de identificar problemas do próprio negócio e construir soluções funcionais, mesmo sem experiência prévia em desenvolvimento.
“A maior transformação acontece quando a IA deixa de ser uma ferramenta que poucos sabem operar e passa a ser uma capacidade distribuída dentro da empresa. Quando quem conhece profundamente um problema da operação também consegue construir uma primeira solução para ele, a organização ganha velocidade para experimentar, testar e gerar impacto. Foi esse movimento que buscamos provocar junto à Riachuelo”, afirma Leandro Herrera, fundador e CEO da Tera.
A jornada foi estruturada como uma sprint de desenvolvimento de projetos. Os participantes foram divididos em seis clusters, que reuniu profissionais que enfrentavam desafios semelhantes, para que cada encontro tivesse como objetivo fazer as soluções avançarem um passo concreto. O programa combinou 14 horas de encontros ao vivo com mais de oito horas de trilha assíncrona e utilizou ferramentas como Lovable, n8n e Databricks dentro de uma stack previamente homologada pela companhia.
Ao final, os participantes precisavam apresentar soluções funcionais em um Demo Day, com fluxos capazes de receber uma entrada, processar informações por meio de IA e gerar um resultado. “A velocidade que o negócio precisa exige uma nova forma de trabalhar com tecnologia. O papel de Tech não é centralizar a construção de todas as soluções, mas atuar como curador, garantindo arquitetura, integração e segurança para que as áreas possam inovar com mais autonomia e velocidade”, afirma Ney Santos, VP de Tecnologia e Inovação da Riachuelo.
O programa, segundo as companhias, também ajudou a impulsionar uma mudança de cultura dentro da Riachuelo. Ao longo da jornada, profissionais de diferentes áreas passaram a deixar a posição de apenas usuários de tecnologia para assumir um papel mais ativo na criação de soluções para os próprios desafios. O movimento começou a se espalhar para além dos participantes, com projetos apresentados a outros times, troca de aprendizados entre áreas e interesse de novos profissionais em experimentar as ferramentas e desenvolver suas próprias iniciativas.
“O que esse projeto mostra é que a transformação com IA vai além da adoção de novas ferramentas. Ela acontece quando as pessoas passam a enxergar que também podem construir soluções e levar esse conhecimento para suas áreas. É assim que a tecnologia deixa de ser uma iniciativa isolada e começa, de fato, a fazer parte da cultura da organização”, conclui Herrera.