Mercado Livre aumenta receita em 45% no terceiro trimestre de 2026
| Mobile Time Latinoamérica | A Mercado Livre registrou crescimento nos três principais mercados da América Latina durante o terceiro trimestre de 2026, impulsionado pelo avanço de seus negócios de comércio eletrônico e serviços financeiros no Brasil, México e Argentina.
Entre julho e setembro, a companhia alcançou receita líquida e receitas financeiras de US$ 10,75 bilhões, um aumento de 45% na comparação anual (41% em moeda constante). O volume bruto de mercadorias (GMV, na sigla em inglês) chegou a US$ 23 bilhões, com crescimento de 38%, enquanto o volume total de pagamentos (TPV) atingiu US$ 109 bilhões, alta de 53% em relação ao mesmo período de 2025.
O Brasil manteve-se como o mercado de maior dinamismo. No país, o GMV cresceu 36% em moeda constante e a quantidade de itens vendidos aumentou 45% na comparação anual. Os resultados foram impulsionados pela ampliação dos benefícios de frete grátis, que estimulou a frequência de compras e a adoção de novos hábitos de consumo digital.
No México, o GMV avançou 21% em moeda constante e a quantidade de itens vendidos cresceu 25%. Embora o ritmo tenha sido mais moderado que nos trimestres anteriores, o Mercado Livre afirmou que continuou ganhando participação de mercado, apesar do cenário de consumo mais fraco e dos impactos da reforma tributária.
Na Argentina, por sua vez, o GMV cresceu 40% e a quantidade de itens vendidos aumentou 19%, também em moeda constante. A empresa destacou que continua ampliando sua participação em relação ao varejo físico, em um cenário de consumo ainda enfraquecido.
Mercado Pago amplia presença na região
O negócio de fintech também avançou nos três mercados. O Mercado Pago alcançou 93 milhões de usuários ativos mensais no terceiro trimestre, crescimento de 29% na comparação anual.
O México se destacou ao superar 18 milhões de usuários ativos mensais, com crescimento superior a 40%. Segundo o Mercado Livre, a plataforma se tornou o maior banco digital do país em número de usuários ativos e possui a maior carteira de crédito entre as fintechs mexicanas.
Na Argentina, cerca de 80% da população adulta utiliza ativamente o Mercado Pago, o que representa uma oportunidade para ampliar a oferta de serviços financeiros e crédito. No Brasil, o número de usuários ativos mensais cresceu mais de 35% na comparação anual. A empresa mantém sua aposta na oferta de serviços financeiros e no posicionamento da plataforma diante dos bancos tradicionais.
O negócio de adquirência também avançou nos três países. O volume total de pagamentos cresceu 40% em moeda constante, com altas de 31% no Brasil, 43% no México e 55% na Argentina.
Na região, a carteira de crédito do Mercado Livre se aproximou de US$ 18 bilhões, crescimento de 62% em relação ao terceiro trimestre de 2025. Os cartões de crédito representaram 47% do portfólio, ante 44% em 2025.
IA e automação
Uma das apostas do Mercado Livre tem sido incorporar inteligência artificial aos negócios de comércio eletrônico e fintech. Durante o trimestre, os investimentos nessa tecnologia aumentaram cerca de US$ 30 milhões em relação ao segundo trimestre de 2026. Entre as aplicações está o Mago, assistente de inteligência artificial do Mercado Pago, que registrou 19 milhões de conversas em setembro.
Na área de publicidade, o assessor baseado em IA administra campanhas para 56 mil vendedores, quase quatro vezes mais que três meses antes. A tecnologia também é utilizada para aumentar a relevância dos anúncios e direcionar campanhas a usuários com maior probabilidade de compra.
Na área de logística, a empresa abriu 13 centros de distribuição metropolitanos nos últimos 12 meses e dobrou a quantidade de equipamentos de classificação e robôs em sua rede. Esse tipo de automação está em operação no México e no Brasil, onde os processos de preparação de pedidos que incorporaram robótica registraram ganhos de produtividade de 70% em relação aos processos manuais.
Apesar do crescimento das operações, o Mercado Livre reportou lucro líquido de US$ 448 milhões, alta de 6% na comparação anual. O resultado operacional caiu 6%, para US$ 676 milhões, principalmente em razão dos custos associados à expansão logística, ao frete grátis e aos maiores investimentos comerciais.