Humand amplia equipe no Brasil e acelera adaptação de plataforma de RH
Félix Beccar, CFO da Humand | Crédito: Divulgação
A Humand , HRTech global que desenvolve uma plataforma de gestão de pessoas e comunicação interna, está reforçando sua operação no Brasil para avançar entre grandes empresas. A companhia, que tem o país como seu segundo maior mercado, está montando uma equipe dedicada às necessidades locais e pretende ampliar o time de 25 para 40 pessoas até o fim de 2026.
Segundo Leandro Oliveira, diretor da Humand no Brasil e na região EMEA (Europa, Oriente Médio e África), a equipe será responsável por adaptar o produto a exigências legais e demandas específicas das empresas que operam no país.
“Pela primeira vez, vamos ter um time de gestão de produto exclusivo para o país, que entregará as atualizações ao mercado brasileiro em uma escala muito mais rápida do que tivemos até agora”, afirma, em entrevista ao Startups . De acordo com o executivo, a Humand ainda não conta com estruturas semelhantes em outros países.
A expansão ocorre após a rodada Série A de US$ 66 milhões, anunciada em fevereiro de 2026 e liderada por Kaszek e Goodwater Capital . De acordo com Félix Beccar, CFO da Humand , a captação viabilizou novas contratações e o desenvolvimento de produtos. “A rodada nos permite investir em mercados onde identificamos uma boa combinação entre o produto e as demandas locais, como Brasil, México e Argentina”, pontua.
A Humand no Brasil
Atualmente, as iniciativas estratégicas, de marketing e de parcerias da Humand no Brasil priorizam empresas com mais de 5 mil funcionários, embora a companhia continue atendendo organizações de todos os portes.
As operações no Brasil e na região da Europa, Oriente Médio e África (EMEA) partiram do zero e ultrapassaram 100 clientes cada nos primeiros 15 meses, entre janeiro de 2025 e março de 2026. No mercado brasileiro, a plataforma já é utilizada por mais de 100 mil colaboradores. Globalmente, a Humand atende mais de 2 mil empresas em 50 países.
Leandro afirma que o Brasil tem um nível elevado de maturidade tecnológica. Os clientes já contam com provedores locais e, na sua visão, estão em um estágio que nem empresas europeias alcançaram, o que traz desafios a quem chega com uma tecnologia nova. Ao mesmo tempo, a disposição das empresas para mudar e testar novas soluções tem contribuído para o crescimento da operação.
Por aqui, as exigências regulatórias também fazem parte das conversas comerciais. Segundo a empresa, a NR-01, cuja atualização inclui explicitamente os fatores de risco psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais, traz novas demandas para companhias com grandes equipes operacionais.
Leandro divide os clientes em dois perfis quanto ao efeito da norma na decisão de compra. O primeiro trata a exigência como uma lista a cumprir. Esses clientes procuram a Humand com um objetivo específico, recebem os recursos disponíveis e partem para o plano de implementação, o que, para o executivo, acelera o processo.
O segundo perfil usa a obrigação para rever práticas de gestão. Nesses casos, o trabalho comercial é mais consultivo: envolve entender o que a empresa já tem, o que quer alcançar e quais módulos fazem sentido para ela. “Isso não acelera o processo nem faz com que decidam mais rápido pela Humand, mas enriquece muito a conversa quando chegamos à decisão final e à proposta de valor”, afirma Leandro.
Leandro Oliveira, diretor da Humand no Brasil e na região EMEA (Europa, Oriente Médio e África) | Crédito: Divulgação
IA no centro
A expansão brasileira está ligada à estratégia global da Humand de incorporar inteligência artificial (IA) a mais de 30 módulos de sua plataforma. A proposta é levar a tecnologia além dos departamentos de recursos humanos, alcançando também os profissionais da linha de frente.
“Você tem 10 mil empregados? Deixe-me dar IA a 10 mil pessoas”, resume Leandro ao descrever a abordagem comercial da empresa. Segundo ele, a mudança aparece na forma como os clientes contratam a tecnologia: antes, as empresas começavam com poucos módulos e ampliavam o uso aos poucos; agora, as fases de implementação ficaram mais curtas e mais agressivas.
Uma das aplicações está na comunicação interna. A plataforma permite adaptar um mesmo conteúdo a diferentes públicos com o auxílio da IA, transformando, por exemplo, uma transmissão ao vivo em uma versão resumida para trabalhadores operacionais ou em uma comunicação mais orientada a negócios para gestores.
Outra frente é o atendimento aos colaboradores por meio de chatbots, que respondem a dúvidas de trabalhadores da linha de frente e de escritório. A Humand também está incorporando agentes de IA à plataforma, como Sammy, Tali e Oli, voltados, respectivamente, ao atendimento interno, ao recrutamento e à retenção de colaboradores. A empresa afirma que essas aplicações podem economizar, em média, três horas por semana por colaborador e reduzir em até 25% os custos de TI.
Visão do CFO
Para Félix Beccar, o desafio é oferecer essas funcionalidades sem confundir os clientes com dezenas de produtos. Ele afirma que a empresa pretende concentrar a IA em poucos pontos de contato, de modo que um agente, como o Sammy, possa funcionar como uma espécie de referência para quem usa a plataforma.
O executivo não detalha projeções financeiras específicas, mas afirma que a companhia espera manter um ritmo de crescimento próximo de duas vezes ao ano nos próximos anos. Hoje a startup é avaliada em cerca de US$ 225 milhões.
A prioridade, segundo Félix, é ampliar a base de clientes e o número de usuários que obtêm valor com a plataforma, em vez de otimizar a operação para atingir uma avaliação financeira específica.