Crise de componentes “não vai mudar” em 2027, alerta presidente da Dell
Diego Puerta, Presidente da Dell Technologies no Brasil, e Matheus da Costa, analista associado ao IDC, durante o Dell Technologies Forum 2026 | Crédito: Giulia Frazão/Startups
Cinco meses após afirmar que a crise de componentes nunca foi tão generalizada , a Dell mantém o diagnóstico pessimista. Em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (05), durante o Dell Technologies Forum , Diego Puerta, presidente da companhia no Brasil, afirmou que o ‘cenário não vai mudar’.
Questionado sobre possíveis mudanças desde julho, o executivo explicou que o quadro inflacionário deve persistir. Segundo ele, a demanda continua alta e a capacidade produtiva da indústria não deve aumentar no próximo ano, mantendo a pressão sobre os preços.
A Dell tenta reduzir os impactos da alta de custos antecipando movimentos na cadeia de suprimentos, por meio de compromissos de longo prazo e compras de maior volume junto aos fornecedores. Essa estratégia, no entanto, não garante preços menores. “Menos impactado não quer dizer que o custo da Dell seja menor. Talvez possa até ser maior, porque eu vou ter garantia de volume”, ressaltou Diego.
Outra frente é a transparência com os clientes. De acordo com o executivo, a empresa tem alertado que “comprar hoje pode sair mais barato do que comprar depois”, para ajudar as áreas de TI a calcular o retorno sobre o investimento e tomar decisões mais bem informadas.
Modernização de TI em meio à alta de custos
Durante o evento, a Dell apresentou três pilares que, segundo a empresa, orientam a modernização da infraestrutura de TI das companhias: implementar IA com confiança, transformando projetos-piloto em processos; modernizar o data center; e atualizar o ambiente de trabalho (workplace), levando a tecnologia até a ponta, onde o negócio acontece.
Foi sobre esse último pilar que o Startups questionou o executivo: como modernizar o workplace diante de um aumento tão grande nos preços dos componentes?
Em resposta, Diego disse que a decisão depende de cada cliente. Como exemplo, citou o Bradesco , para quem a troca de equipamentos era importante. Em outros casos, afirmou, adiar o investimento foi a decisão adequada. Nesses casos, os clientes contrataram a Dell para estender garantias e prestar serviços de gerenciamento.
O executivo defendeu que a Dell atua como trusted advisor, e não apenas como vendedora de tecnologia. Também mencionou a existência de um grupo especializado no atendimento a startups, o Dell for Startups , e afirmou que algumas dessas empresas têm demandas tão complexas quanto as de grandes companhias tradicionais.
Perguntado sobre a regulamentação do Redata , regime fiscal para data centers sancionado em setembro deste ano , o executivo disse que a medida é um passo importante, mas defendeu que ela não se limite à liberação de importações. Diego também ressaltou a importância da produção local. “O Brasil é o segundo maior produtor mundial de eletroeletrônicos”, enfatizou, acrescentando que o país fica atrás apenas da China.