12 de junho de 2026
Veículos elétricos e baterias: China avança em mobilidade elétrica multimodal e ameaça insumos brasileiros
A China acelera em veículos elétricos terrestres, aéreos e náuticos, com destaque para fibra de carbono, eVTOLs, jet skis elétricos e propulsores navais. O movimento pressiona exportações brasileiras de alumínio e aço (US$ 2,5 bi), exige revisão regulatória da ANAC e abre oportunidades para estaleiros e logística urbana. Empresas como Novelis, Gerdau e Eve Air Mobility são diretamente afetadas.
Panorama
O período foi marcado pela consolidação chinesa em múltiplas frentes da mobilidade elétrica: desde a adoção de fibra de carbono por montadoras tradicionais até o avanço de veículos elétricos de pouso e decolagem vertical (eVTOL), jet skis pessoais e propulsores navais de ímã permanente. A China não apenas domina a produção de baterias e veículos elétricos de passeio, como agora estende sua liderança a modais antes dominados por empresas europeias e americanas. Para o Brasil, o sinal central é duplo: há risco imediato para exportações de insumos básicos (alumínio, aço) e oportunidades de redução de custos em logística e construção naval, mas o atraso regulatório em setores como eVTOLs ameaça a competitividade local.
Principais movimentos
1. Fibra de carbono substitui metais em veículos elétricos chineses – A montadora líder (não nomeada) contratou a Qide New Materials para fornecer para-choques e aerofólios de fibra de carbono em um novo modelo de produção em massa. O movimento sinaliza migração estrutural de materiais que, no médio prazo, pode reduzir a demanda chinesa por alumínio primário e aço plano – exportações brasileiras que somaram US$ 2,5 bilhões em 2024. A Novelis (alumínio) e a Gerdau (aço) são as expostas.
2. eVTOLs: certificação no exterior e queda de vendas da EHang – A empresa chinesa Fengfei Aviation obteve na Indonésia o primeiro certificado de tipo para um eVTOL de carga (até 200 kg), pressionando a ANAC a acelerar sua regulamentação no Brasil, ainda em consulta pública. Paralelamente, a EHang vendeu apenas 4 unidades do EH216-S no 1º trimestre de 2026 (queda de 63,6%), indicando imaturidade do mercado de táxis aéreos. A Eve Air Mobility (Embraer) monitora ambos os casos como termômetro da viabilidade comercial no Brasil.
3. Jet ski elétrico chinês e propulsores navais baratos – A NAVEE lançou o WaveFly 5X, primeiro jet ski pessoal de consumo que voa até 80 cm da água, já distribuído nos EUA e Austrália. O mercado brasileiro, um dos maiores do mundo para jet skis, será alvo futuro, pressionando marcas como Yamaha, Sea-Doo e BRP. Já a startup Lipusi (ex-Wärtsilä) captou dezenas de milhões de yuans para produzir propulsores elétricos de ímã permanente com preço 20-30% menor que os europeus, beneficiando estaleiros brasileiros em Rio Grande, Niterói e Suape.
4. BYD e a produção local na Tailândia – O episódio do furto de logotipos na fábrica de Rayong revelou a estratégia de “domesticação” da BYD: em dois anos, a empresa conquistou a lealdade dos trabalhadores tailandeses, integrando produção local de baterias e veículos. A experiência serve como modelo para a futura fábrica da BYD no Brasil (Camaçari, BA), onde a gestão de mão de obra e a cadeia de suprimentos serão críticas.
Impacto para o Brasil
- Exportações de alumínio e aço: A substituição por fibra de carbono em veículos elétricos pode reduzir o volume embarcado para a China, afetando a receita de Novelis e Gerdau. A tendência deve ser monitorada pela CAMEX e pelo governo federal em políticas de estímulo à competitividade.
- Regulamentação de eVTOLs: A ANAC está com consulta pública em andamento (prevista para conclusão no 2º semestre de 2025, conforme dados anteriores ao período). Sem regras claras para operação comercial, o Brasil corre o risco de adotar padrões estrangeiros sem adaptação local. A Eve Air Mobility pode perder janela de oportunidade.
- Setor náutico e naval: A entrada do jet ski elétrico chinês exige que a Marinha do Brasil e a ANTAQ avaliem regulamentação específica. Já os propulsores da Lipusi podem reduzir custos de construção naval em estaleiros brasileiros, mas dependem de logística de importação e incidência tributária (Receita Federal, ICMS).
- Automação logística: A aposta da Meituan (Longzhu) em robótica sinaliza aceleração da automação de entregas urbanas. Operadores como Correios, Mercado Livre e Magazine Luiza devem preparar infraestrutura de recarga de baterias e integração com drones.
O que monitorar
- Decisão da ANAC sobre operação comercial de eVTOLs – A consulta pública deve ser concluída em breve, e a certificação mútua com a CAAC chinesa definirá a entrada de empresas como EHang e Fengfei no Brasil.
- Novos contratos da Qide com montadoras – A expansão do uso de fibra de carbono em veículos elétricos chineses pode acelerar a substituição de metais; acompanhar anúncios de novos modelos.
- Preços internacionais de alumínio e aço – Uma eventual queda na demanda chinesa impactará diretamente as exportações brasileiras; dados mensais da SECEX e da Aço Brasil.
- Posicionamento da Eve Air Mobility – A subsidiária da Embraer pode anunciar parcerias ou ajustes em seu cronograma de certificação no Brasil e nos EUA.
- Regulamentação de jet skis e embarcações elétricas no Brasil – A Marinha do Brasil deve publicar normas de segurança e operação para veículos recreativos elétricos; possível influência de padrões internacionais.
Próximo briefing amanhã às 8h
3-5 destaques com análise de impacto, direto no seu e-mail.
Assinar grátis