China-Brasil
Vivo chinesa troca de nome para vender no Brasil — operadoras e varejistas devem ficar atentos à nova concorrente
· Clara Lin
A chinesa vivo Mobile, 5ª maior fabricante de smartphones do mundo, foi forçada a mudar de nome no Brasil por conflito com a marca da operadora espanhola Vivo. A empresa já iniciou vendas no país e promete pressionar o mercado de aparelhos de médio custo.
A quinta maior fabricante de smartphones do mundo, a chinesa vivo Mobile, desembarcou no Brasil no ano passado com um problema de identidade: seu nome colidia com a marca da gigante de telecom espanhola Vivo, controlada pela Telefônica. Para operar legalmente no país, a empresa abriu mão do próprio nome e adotou uma nova identidade local. A decisão, embora incomum para uma multinacional de seu porte, sinaliza o tamanho do apetite da chinesa pelo mercado brasileiro — e acende um alerta para concorrentes como Samsung, Motorola e Xiaomi.
A vivo Mobile, com sede em Shenzhen e presença dominante na China e na Índia, começou a vender smartphones no Brasil em 2024 sob uma nova marca local — cujo nome ainda não foi amplamente divulgado. A mudança foi necessária porque o registro da marca "Vivo" no Brasil pertence à Telefônica Brasil, dona da operadora Vivo. Em vez de travar uma longa batalha judicial, a chinesa optou por um reposicionamento rápido de marca, algo raro entre grandes fabricantes asiáticos.
O impacto direto chega ao varejo brasileiro de eletrônicos e às operadoras de telefonia. A vivo Mobile é conhecida por oferecer aparelhos com boa relação custo-benefício, especialmente na faixa de R$ 1.000 a R$ 2.500 — exatamente o segmento onde Samsung e Motorola têm maior margem no Brasil. Se a empresa conseguir replicar sua estratégia indiana de distribuição agressiva e preços competitivos, poderá forçar uma redução de preços no varejo físico e online. As operadoras, que vendem smartphones atrelados a planos, também podem ganhar uma nova opção de aparelho para subsidiar.
Os dados mostram que a vivo Mobile vendeu mais de 100 milhões de unidades globalmente em 2023, com receita estimada em USD 45 bilhões. Na leitura do CBI, a entrada no Brasil é um movimento calculado: o mercado chinês está saturado, e a Índia já responde por 15% das vendas da empresa. O Brasil, com 250 milhões de habitantes e taxa de renovação de smartphones de cerca de 3 anos, é o próximo alvo natural. Diferente de outras chinesas que entraram no país via e-commerce, a vivo deve buscar parcerias com redes de varejo físicas, como Magazine Luiza e Casas Bahia, para ganhar capilaridade.
O que acompanhar: (1) o nome oficial da marca no Brasil, que deve ser anunciado em campanha de marketing nos próximos meses; (2) a lista de aparelhos homologados pela Anatel, que indicará as faixas de preço; (3) possíveis acordos com operadoras (Vivo, Claro, TIM) para venda de pacotes. Se a vivo Mobile repetir no Brasil a estratégia que usou na Índia — patrocínio de times de futebol e forte presença em lojas de rua —, o impacto no mercado de smartphones pode ser sentido já no segundo semestre de 2025.
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