Macro & Mercados

Vendas de eVTOL da EHang caem 63% — operação comercial no Brasil ainda sem data

· Clara Lin

A EHang vendeu apenas 4 unidades do EH216-S no 1º trimestre de 2026, queda de 63,6% ante 2025; enquanto shows com drones crescem, a certificação comercial no Brasil segue sem avanço concreto, adiando a entrada de táxis aéreos chineses no mercado brasileiro.

A EHang (NASDAQ: EH), principal fabricante chinesa de veículos elétricos de decolagem e pouso vertical (eVTOL), reportou vendas de apenas 4 unidades da série EH216 no primeiro trimestre de 2026 — uma queda de 63,6% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado, divulgado em 9 de junho, contrasta com o crescimento acelerado do negócio de apresentações com drones em formação, que compensou parcialmente a retração. Para o Brasil, que acompanha de perto a regulamentação de aeronaves não tripuladas e elétricas, o dado sinaliza que a prometida operação comercial da EHang ainda está distante. A EHang, listada em Nasdaq e considerada a vitrine da economia de baixa altitude chinesa, vendeu apenas quatro unidades do EH216-S nos primeiros três meses de 2026. O modelo é o único eVTOL para transporte de passageiros com certificação de aeronavegabilidade na China, emitida pela Administração de Aviação Civil da China (CAAC). Apesar desse marco regulatório, as vendas despencaram 63,6% na comparação anual. O negócio de shows com drones em formação, por outro lado, cresceu rapidamente e ajudou a sustentar a receita total da empresa no período. Governos locais chineses, que vinham fazendo aquisições centralizadas de eVTOLs para impulsionar a economia de baixa altitude, reduziram o ritmo de compras no trimestre. O impacto chega ao Brasil de forma indireta, mas relevante. A EHang já manifestou interesse em levar o EH216-S ao mercado brasileiro, e a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) brasileira mantém diálogo com a CAAC sobre equivalência de certificações. Contudo, sem um volume comercial expressivo na China — mercado doméstico que serve como prova de conceito —, a viabilidade de uma operação no Brasil fica comprometida. Empresas brasileiras de mobilidade aérea urbana, como a Eve Air Mobility (subsidiária da Embraer), observam o movimento como termômetro da maturidade do setor. Os dados mostram que a EHang ainda não conseguiu transformar a certificação técnica em receita recorrente de vendas. Na leitura do CBI, isso indica que o mercado de eVTOLs para passageiros permanece em estágio experimental, dependente de subsídios públicos e de pedidos institucionais. A queda nas vendas do EH216-S contrasta com o otimismo do governo chinês, que em 2025 classificou a economia de baixa altitude como setor estratégico. Para o Brasil, o recado é duplo: a tecnologia avança, mas o modelo de negócios ainda não está maduro para exportação em escala. O que acompanhar: (1) a publicação do balanço completo do 2º trimestre da EHang, prevista para setembro de 2026; (2) o andamento do memorando de entendimento entre ANAC e CAAC sobre certificação mútua de eVTOLs; (3) novos pedidos de governos estaduais chineses, que podem sinalizar retomada das aquisições centralizadas.

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