Tecnologia

Terence Tao lança plano de modelos matemáticos abertos — pesquisa brasileira pode ganhar ferramentas gratuitas de IA

· Clara Lin
Veículos elétricos e bateriasInfraestrutura e construção

O matemático Terence Tao anunciou, em nome da SAIR Foundation, o lançamento do Plano de Modelos Matemáticos Abertos, que busca construir modelos de pesos abertos e ferramentas de código aberto para pesquisa científica. Para o Brasil, abre caminho para universidades e institutos de pesquisa acessa...

O ganhador da Medalha Fields Terence Tao anunciou em 18 de setembro de 2026, em nome da SAIR Foundation, o lançamento oficial do Plano de Modelos Matemáticos Abertos. A iniciativa quer unir academia e indústria para construir modelos de pesos abertos e ferramentas de código aberto voltados à matemática e à pesquisa científica, com foco inicial em tarefas cotidianas como compreender argumentos, verificar literatura e formalizar provas. A fundação busca parceiros para financiamento, capacidade computacional e experiência profissional. Para o Brasil, o movimento sinaliza uma alternativa concreta ao domínio de modelos fechados de big techs, com potencial de beneficiar universidades federais, institutos como o IMPA e laboratórios de pesquisa aplicada que hoje dependem de APIs pagas ou infraestrutura limitada. O anúncio foi feito por Terence Tao, cofundador da SAIR Foundation, organização sem fins lucrativos criada há cerca de um ano com cientistas e investidores para apoiar o uso responsável de inteligência artificial na matemática e em outros campos científicos, sem vínculo com grandes empresas de IA. A primeira fase do plano concentra-se em cenários cotidianos de pesquisa: compreender argumentos complexos, verificar literatura, explorar exemplos, escrever código e formalizar provas. Os princípios são pesos abertos, avaliação reprodutível e governança comunitária. A fundação já iniciou a busca por parceiros capazes de contribuir com financiamento, capacidade computacional, experiência profissional ou construção de comunidade, e planeja publicar em breve a lista de parceiros e os próximos passos. Por que isso chega ao Brasil? O país tem uma comunidade matemática e científica relevante — o IMPA (Instituto de Matemática Pura e Aplicada) é referência internacional, e universidades federais mantêm grupos de pesquisa em IA e matemática aplicada. Hoje, esses grupos dependem majoritariamente de modelos fechados como GPT-4 ou Claude, com custos em dólar e restrições de uso. Modelos de pesos abertos, com licenças livres e avaliações reprodutíveis, reduzem a barreira de entrada e permitem que pesquisadores brasileiros adaptem as ferramentas às suas necessidades, sem depender de repasses cambiais ou de políticas de acesso de empresas estrangeiras. O impacto direto é indireto, via mecanismo de redução de custo e soberania tecnológica: se o plano prosperar, laboratórios brasileiros poderão rodar modelos localmente em infraestrutura própria ou em nuvens nacionais, como a da Scala ou da AWS Brasil. Os dados mostram que a SAIR Foundation nasceu com recursos limitados e atuava principalmente com podcasts, eventos e competições. A entrada recente da XTX Markets como financiadora da próxima rodada da competição SAIR sinaliza tração. Na leitura do CBI, o anúncio antecipado — originalmente previsto para os próximos meses — reflete a pressão do mercado por alternativas abertas após movimentos recentes de big techs em restringir acesso a modelos de fronteira. Para o Brasil, o timing é relevante: o país discute marco regulatório de IA no Congresso e o BNDES tem linhas de financiamento para inovação. Um ecossistema de modelos abertos para ciência pode se encaixar em editais de pesquisa e programas como o Finep, além de atrair talentos que hoje migram para o exterior. O que acompanhar: primeiro, a lista de parceiros que a SAIR Foundation promete divulgar em breve — se incluir instituições latino-americanas ou brasileiras, o impacto local se acelera. Segundo, a publicação dos primeiros modelos e licenças, prevista para os próximos meses; é aí que se saberá se o acesso será realmente irrestrito. Terceiro, o desenrolar do marco regulatório de IA no Brasil, que pode criar incentivos ou barreiras para adoção de modelos abertos em universidades e empresas. Para gestores de P&D e pesquisadores, vale monitorar os canais da fundação e avaliar participação em comunidades de governança.

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