TecnologiaMonitorar

Startup quântica da Universidade de Pequim capta R$ 40 milhões — rota de átomos neutros acelera e pode impactar setor de defesa brasileiro

· Clara Lin
Veículos elétricos e bateriasMinério de ferro

A Nakai Quantum, spin-off da Universidade de Pequim focada em computação quântica de átomos neutros, levantou dezenas de milhões de yuans liderados pela GL Ventures. A empresa domina resfriamento de átomos a temperaturas abaixo de 10 nK e já tem receita projetada de dezenas de milhões de yuans em...

Por que isso importa

O investimento de R$ 40 milhões na Nakai Quantum, startup chinesa de computação quântica, sinaliza consolidação de uma rota tecnológica que o Brasil não domina. Isso impacta indiretamente empresas como Vale (mineração) e Embraer (defesa), que monitoram avanços quânticos para simulações de materiais e segurança criptográfica. O setor de tecnologia e plataformas brasileiro precisa acompanhar essa evolução para não perder competitividade.

O que fazer

Acesse o site da FAPESP para verificar editais de cooperação internacional em tecnologias quânticas; Consulte o ComexStat para analisar tendências das exportações brasileiras de minério de ferro para a China; Entre em contato com a ABIMAQ para discutir possíveis impactos em insumos eletrônicos e máquinas.

Janela de tempo

Não há urgência imediata; o prazo relevante é o acompanhamento da receita da Nakai em 2026 e possíveis anúncios de parcerias com instituições brasileiras de pesquisa nos próximos 12 meses.

A Nakai Quantum, primeira empresa chinesa a construir computadores quânticos de átomos neutros operando na faixa de nanokelvin (nK), fechou sua primeira rodada de financiamento, liderada pela GL Ventures, com participação da Inno, Changshi e Feitu. O valor não foi divulgado, mas fontes indicam dezenas de milhões de yuans (cerca de R$ 40 milhões). Fundada em abril de 2026 por Fan Yaoyuan, doutor pela Universidade de Pequim, a empresa já tem pedidos na casa dos milhões de yuans e projeta receita anual de dezenas de milhões em 2026. Para o Brasil, o avanço sinaliza que a China está consolidando liderança em uma rota quântica que pode, em médio prazo, impactar setores como simulação de materiais para mineração e defesa criptográfica. A Nakai Quantum nasceu do Grupo de Pesquisa de Átomos Frios e Medição de Precisão (Grupo CAP) do Instituto de Eletrônica Quântica da Universidade de Pequim. Seu fundador, Fan Yaoyuan, de 26 anos, liderou a construção do primeiro giroscópio de interferência de átomos ultrafrios da China e do primeiro gravímetro de oscilação de Bloch do país. A empresa domina o resfriamento de nove elementos — rubídio, potássio, césio, lítio, sódio, itérbio, estrôncio, disprósio e érbio — a temperaturas abaixo de 10 nK, um recorde nacional tanto em número de átomos controláveis quanto em faixa de temperatura. O impacto para o Brasil é indireto, mas relevante. A computação quântica de átomos neutros é considerada uma das rotas mais promissoras para computação universal em larga escala, devido à identidade natural e escalabilidade dos átomos. Empresas brasileiras de mineração, como Vale, e de defesa, como Embraer, monitoram de perto avanços quânticos que possam viabilizar simulações de materiais ou quebrar sistemas criptográficos atuais. A Nakai já entrega computadores quânticos de simulação para instituições de pesquisa chinesas, gerando receita imediata, enquanto desenvolve computadores universais para médio prazo. Na leitura do CBI, o fato relevante não é o valor do investimento, mas a consolidação de uma rota tecnológica que o Brasil não domina. Enquanto o país aposta em parcerias com EUA e Europa em computação quântica, a China avança com recursos próprios e startups nascidas em universidades de elite. A Nakai representa um modelo de negócios "dupla propulsão": vende sistemas especializados hoje para financiar a pesquisa de máquinas universais amanhã. Isso acelera o ciclo de inovação e reduz a dependência de capital externo. O que acompanhar: (1) a evolução da receita da Nakai em 2026, que pode indicar demanda real por sistemas quânticos especializados; (2) possíveis anúncios de parcerias com instituições brasileiras de pesquisa, como o CNPq ou a FAPESP; (3) movimentos de empresas brasileiras de tecnologia e defesa para estabelecer convênios com universidades chinesas na área quântica.

Nota sobre a fonte

Fonte chinesa (36氪) tende a enfatizar avanços tecnológicos nacionais de forma otimista, sem mencionar riscos de escalabilidade ou desafios de mercado.

Receba o briefing diário

3-5 destaques por dia, direto no e-mail. Gratuito.