Startup quântica da Tsinghua levanta R$ 400 mi e quebra recorde — impacto em cadeias de semicondutores e IA no Brasil
· Clara Lin
Veículos elétricos e bateriasEletrônicos e máquinasInfraestrutura e construção
A Liangyi Wanxiang, spin-off da Universidade Tsinghua, captou centenas de milhões de yuans liderados pela Junlian Capital e quebrou o recorde mundial de captura de átomos (11 mil), sinalizando avanço na rota de computação quântica atômica que pode acelerar aplicações em criptografia, simulação mo...
Por que isso importa
A startup chinesa Liangyi Wanxiang, spin-off da Tsinghua, levantou até R$ 340 milhões para computação quântica atômica. Em 12 a 18 meses, pretende lançar um computador quântico completo que pode acelerar criptografia pós-quântica, impactando bancos como Itaú e Bradesco, e simulação molecular para fertilizantes, afetando a Embrapa e a logística de exportação de commodities. Não há efeito imediato, mas o prazo de 18 meses exige monitoramento de segurança cibernética e inovação.
O que fazer
Consulte o Banco Central sobre diretrizes de criptografia pós-quântica para instituições financeiras; Acompanhe editais do BNDES para inovação em computação quântica; Verifique com a CNA se há estudos de simulação molecular para fertilizantes que possam ser influenciados.
Janela de tempo
O prazo relevante é de 12 a 18 meses para o lançamento do primeiro computador quântico completo da Liangyi Wanxiang, sem impacto imediato nas operações atuais.
A Liangyi Wanxiang, startup chinesa de computação quântica incubada na Universidade Tsinghua, anunciou a conclusão de uma rodada Série A+ de centenas de milhões de yuans (equivalente a cerca de R$ 400 milhões), liderada pela Junlian Capital, com participação de Jishi Venture Capital, Shanghai Kechuang, CITIC Securities Investment e Haitang Fund, além de reforço dos atuais investidores Shunwei Capital e iFLYTEK. O feito técnico mais expressivo: a equipe capturou 11 mil átomos em uma plataforma de pinças ópticas, superando o recorde anterior de 6.100 átomos do California Institute of Technology (Caltech). Para o empresário brasileiro, o movimento sinaliza que a China está acelerando na corrida quântica — e que setores como agronegócio, finanças e defesa no Brasil precisam monitorar de perto as implicações para segurança de dados e capacidade computacional.
A Liangyi Wanxiang, fundada em 2024 como spin-off do grupo de pesquisa em computação quântica atômica da Tsinghua — que estuda átomos frios desde o ano 2000 —, acaba de levantar uma rodada Série A+ de centenas de milhões de yuans. O valor exato não foi divulgado, mas fontes do mercado estimam o montante entre 300 e 500 milhões de yuans (aproximadamente R$ 200 a R$ 340 milhões). O dinheiro será usado para P&D, expansão de equipe e construção de máquinas completas. A empresa e a universidade criaram conjuntamente o 'Laboratório Chave de Pequim de Computação Quântica de Átomos Frios', separando a pesquisa básica (universidade) da engenharia e ecossistema full-stack (startup).
Por que isso chega ao Brasil? O impacto direto é indireto, via cadeia global de semicondutores e serviços de inteligência artificial. A computação quântica atômica — rota tecnológica que usa átomos neutros presos por lasers em vez de supercondutores ou íons — promete vantagens em escalabilidade e menor necessidade de refrigeração extrema. Se a Liangyi Wanxiang conseguir construir um computador quântico funcional com milhares de qubits, isso pode acelerar aplicações em criptografia (quebrando padrões atuais), simulação molecular (para novos fertilizantes ou defensivos agrícolas) e otimização logística (rota de exportação de commodities). Empresas brasileiras como Embrapa, bancos como Itaú ou Bradesco (que já investem em IA) e operadores logísticos como Rumo ou VLI podem ser impactados indiretamente, seja por maior segurança cibernética necessária, seja por novas ferramentas de simulação.
Na interpretação do CBI, os dados mostram que a China está priorizando a computação quântica como indústria futura no 15º Plano Quinquenal (2026-2030). O recorde de captura de átomos é um indicador técnico relevante, mas não significa um computador quântico pronto para uso comercial. A Liangyi Wanxiang afirma que sua fidelidade de portas de um e dois qubits iguala o melhor nível global, e que desenvolveu um decodificador de correção de erros quânticos líder internacional. No entanto, a rota atômica ainda enfrenta desafios de escalabilidade e integração. A empresa também desenvolveu componentes próprios, como o primeiro gerador de feixe atômico miniaturizado do país e um sistema de rearranjo rápido citado em artigo da Nature 2025 pela equipe Harvard-MIT. Isso sugere que a Liangyi Wanxiang não é apenas uma seguidora, mas uma inovadora com potencial de se tornar fornecedora de componentes para outros players.
O que acompanhar: (1) A data de lançamento do primeiro computador quântico atômico completo da Liangyi Wanxiang, prometido para os próximos 12-18 meses; (2) A evolução da parceria com a iFLYTEK (inteligência artificial) na joint venture Liangzhi Kaiwu, que pode gerar algoritmos quânticos aplicados a problemas brasileiros, como previsão climática para safras; (3) A reação de players brasileiros como o BNDES e a Finep, que podem incluir computação quântica em seus programas de inovação, e de reguladores como o Banco Central, que precisa se preparar para criptografia pós-quântica.
Nota sobre a fonte
A fonte 36氪 é uma mídia chinesa de tecnologia que frequentemente adota tom otimista sobre inovações domésticas; os prazos e recordes mencionados podem ser superdimensionados para fins de captação.