Macro & Mercados

Startup chinesa quebra monopólio de câmbio para Ebikes — montadoras brasileiras podem reduzir custos em 30%

· Clara Lin

A Luofandi, fornecedora chinesa de câmbio interno inteligente para Ebikes, recebeu dezenas de milhões de yuans em nova rodada Série B+ liderada por Guotai Haitong e Dachen Caizhi. A empresa desenvolveu tecnologia patenteada que eleva o torque suportado para 200 Nm, quebrando o domínio de Bosch e ...

A Luofandi Intelligent Technology, fabricante chinesa de componentes para micromobilidade inteligente, fechou uma rodada Série B+ de dezenas de milhões de yuans com participação de Guotai Haitong, Dachen Caizhi e do fundo soberano de Guangzhou. A empresa é a primeira na China e a terceira no mundo a produzir em massa câmbio interno inteligente para Ebikes — um componente até então dominado por Bosch e Shimano. Para o Brasil, que importa a maioria dos componentes de bicicletas elétricas da Ásia, a chegada de um novo fornecedor com preços potencialmente mais baixos pode aliviar a pressão sobre montadoras locais e lojas de varejo. Fundada em 2012, a Luofandi se especializou em câmbio interno — o sistema que permite trocar marchas sem expor correntes e engrenagens. Atualmente, seus produtos incluem câmbio eletrônico, câmbio com motor integrado (MEGS), câmbio automático mecânico e fechaduras inteligentes. A empresa afirma que sua tecnologia patenteada UHT (Ultra High Torque) eleva o limite de torque de entrada para 200 Nm, mais que o dobro dos 85 Nm do câmbio Shimano e dos 100 Nm do Enviolo HD, ambos amplamente usados em Ebikes de médio e alto padrão. Com sensores de motor, torque e velocidade combinados a algoritmo de IA, o sistema ajusta automaticamente a marcha em milissegundos, aumentando a autonomia da bicicleta em até 30%. O mercado global de Ebikes movimentou US$ 61,89 bilhões em 2024 e deve atingir US$ 113,64 bilhões até 2030, com crescimento anual composto de 10,3%. Na Europa, onde a penetração de câmbio interno em Ebikes de alta qualidade já ultrapassa 40%, a primeira onda de substituição de usuários que compraram bicicletas após 2018 deve ocorrer nos próximos dois a três anos. No Brasil, o mercado de bicicletas elétricas cresce a taxas de dois dígitos, mas a dependência de componentes importados — especialmente câmbios e motores — mantém os preços elevados. Atualmente, 70% do mercado de Ebikes populares na Europa está vazio justamente por causa do alto custo do câmbio interno eletrônico, o que abre espaço para a Luofandi oferecer uma alternativa mais acessível. Na leitura do CBI, o movimento da Luofandi representa uma mudança estrutural na cadeia global de fornecimento de Ebikes. Enquanto Bosch e Shimano operam com ciclos longos de P&D e margens altas — muitos produtos da Shimano ainda são baseados em projetos de 20 anos atrás — a Luofandi adota iteração rápida e preços competitivos. O CFO Yan Pu afirma que a diferença não é tecnológica, mas de filosofia de negócios entre Oriente e Ocidente. Para o Brasil, isso significa que montadoras locais como Caloi, Sense e Groove podem ter acesso a componentes de ponta sem depender exclusivamente de fornecedores premium. Além disso, a autonomia extra de 30% pode ser um diferencial de venda decisivo em um país onde a infraestrutura de recarga ainda é escassa. O que acompanhar: (1) a data de início da produção em massa para marcas brasileiras — a Luofandi já fornece para fabricantes globais de bicicletas completas; (2) a evolução do câmbio comercial chinês (yuan/real), que impacta diretamente o custo final dos componentes importados; (3) possíveis anúncios de parcerias com distribuidores brasileiros no segundo semestre de 2025.

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