Startup chinesa de sensores táteis capta centenas de milhões — robótica brasileira pode ganhar novo aliado tecnológico
· Clara Lin
Veículos elétricos e bateriasEletrônicos e máquinas
A Beijing Tashan Technology, parceira global da NVIDIA em simulação tátil, levantou rodada Série B de centenas de milhões de yuans e viu pedidos de sensores táteis no 1º semestre superarem em 4x a receita total de 2025, sinalizando aceleração na adoção de tato artificial por robôs — tecnologia qu...
Por que isso importa
Setor Eletrônicos e máquinas: sensores táteis chineses podem reduzir em até 30% o custo de mãos robóticas para indústrias brasileiras como Intelbras (automação predial e industrial) e para montadoras locais da ABB e Yaskawa, que dependem de sensores alemães e japoneses. O mercado nacional de automação movimenta R$30 bilhões anuais, com dependência de importação de fornecedores tradicionais.
O que fazer
Mapear junto à Intelbras e ABB Brasil a possibilidade de testarem os sensores TS-F/TS-E em linhas de montagem de eletrônicos; Contactar a Tashan Technology via seu site para solicitar informações sobre distribuição na América Latina; Acompanhar no ComexStat as importações de sensores (NCM 8543.70) para monitorar eventual entrada de novos players chineses.
Janela de tempo
O novo chip da Tashan será lançado no terceiro trimestre de 2025, o que pode reduzir ainda mais os preços dos sensores – ideal começar prospecção agora para se antecipar.
A Beijing Tashan Technology, desenvolvedora chinesa de sensores táteis com inteligência artificial, fechou uma rodada Série B de centenas de milhões de yuans com investidores como Joyson Electronics, Taiping Innovation, AUX, Pengling, Lavender Hill Capital Partners e Hongshan Capital, além de reforço dos acionistas existentes Daoshi Technology e BinFu Capital. A empresa, fundada em 2017 por egressos da Tsinghua e da Universidade de Manchester, é a primeira parceira global da NVIDIA em simulação tátil no Isaac Sim. Para o empresário brasileiro que opera com robótica, automação industrial ou manufatura avançada, o avanço chinês em percepção tátil pode significar acesso a componentes mais baratos e precisos para mãos robóticas — um gargalo técnico que hoje limita a adoção de robôs colaborativos no Brasil.
A Tashan Technology desenvolveu um sistema completo de percepção tátil que vai do chip ao sensor e ao modelo de algoritmo. Seu chip de sensação tátil híbrido analógico-digital, baseado em arquitetura de rede neural de pulso, processa sinais táteis multidimensionais com baixa latência e baixo consumo de energia. Uma nova geração do chip já foi fabricada e deve ser lançada no terceiro trimestre de 2025. No nível do sensor, os produtos principais — TS-F (para ponta de dedo) e TS-E (para manipuladores) — alcançam resolução de 0,01N na medição de força e identificam mais de 30 tipos de materiais sem contato. A frequência de medição dos sensores já triplicou em relação ao ano passado, e versões com percepção de temperatura estão a caminho.
O impacto direto para o Brasil é indireto, via cadeia global de robótica. A Tashan não tem operação no país, mas seus sensores táteis são componentes críticos para mãos robóticas ("grippers") usadas em linhas de montagem, logística e manufatura. Integradores brasileiros como a Intelbras (que atua em automação predial e industrial) e fabricantes de robôs colaborativos que montam sistemas no Brasil — como a ABB e a Yaskawa, com unidades locais — podem se beneficiar de sensores mais acessíveis e com maior capacidade de discriminação tátil. O setor de automação industrial brasileiro, que movimenta cerca de R$ 30 bilhões anuais, ainda depende majoritariamente de sensores importados de fornecedores alemães e japoneses. A entrada de um player chinês com preços competitivos e parceria com a NVIDIA pode pressionar os preços para baixo e acelerar a adoção de robôs com capacidade tátil em aplicações como montagem de eletrônicos, manuseio de peças frágeis e inspeção de qualidade.
Os dados mostram que a penetração de sensores táteis em mãos robóticas saltou de pouco mais de 20% para mais de 60% em 2025, segundo a própria empresa. Na leitura do CBI, isso indica que o tato artificial está saindo do laboratório e entrando na produção industrial em escala — um movimento que, se mantido, pode redefinir o custo-benefício da robótica para médias empresas brasileiras que hoje consideram a automação inviável financeiramente. A Tashan também inaugurou duas fábricas de coleta de dados táteis em Pequim e Hubei, o que sugere que a empresa está preparando uma base de treinamento massiva para algoritmos — um passo necessário para que os sensores funcionem em ambientes reais, não apenas em simulação.
O que acompanhar: (1) o lançamento oficial do novo chip da Tashan no terceiro trimestre de 2025, que pode reduzir ainda mais o custo dos sensores; (2) a eventual abertura de canais de distribuição na América Latina por parte da Tashan ou de seus parceiros chineses; (3) o movimento de concorrentes como a alemã Haptron e a japonesa Nitta, que podem reagir com cortes de preço ou novas parcerias no Brasil.
Nota sobre a fonte
A fonte 36氪 tende a destacar o potencial de inovação chinesa com linguagem otimista, mas os dados técnicos de resolução e frequência de medição parecem objetivos.
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