Macro & Mercados

Startup chinesa de interface cérebro-computador capta R$ 70 milhões — setor de neurotecnologia brasileiro observa movimentos

· Clara Lin

Cientistas da Universidade de Pequim fundaram a Waves AI Agent, que levantou quase 100 milhões de yuans (cerca de R$ 70 milhões) em rodada seed para desenvolver interfaces cérebro-computador não invasivas, sinalizando aceleração chinesa em neurotecnologia — área que pode impactar hospitais e cent...

Um grupo de cientistas da Universidade de Pequim acaba de levantar quase 100 milhões de yuans (aproximadamente R$ 70 milhões) em rodada seed para a Waves AI Agent, startup focada em interfaces cérebro-computador (BCI). O investimento, liderado por fundos chineses não identificados, coloca a China na corrida global de neurotecnologia, ao lado de empresas como Neuralink (Elon Musk) e projetos acadêmicos dos EUA. Para o Brasil, o movimento sinaliza que a tecnologia BCI pode se tornar mais acessível e escalável nos próximos anos, abrindo oportunidades para hospitais, clínicas de reabilitação e centros de pesquisa que dependem de equipamentos importados. A Waves AI Agent foi fundada por pesquisadores do Laboratório de Neuroengenharia da Universidade de Pequim, com experiência em projetos de BCI desde 2020. A empresa desenvolve um sistema não invasivo de leitura de sinais cerebrais, baseado em eletroencefalografia (EEG) combinada com algoritmos de inteligência artificial. O valor captado na rodada seed — equivalente a cerca de USD 14 milhões — será usado para expandir a equipe de engenharia e iniciar testes clínicos em hospitais chineses. A tecnologia promete decodificar intenções motoras com precisão superior a 80% em ambientes controlados, segundo dados divulgados pela startup. O impacto direto para o Brasil é indireto, via cadeia global de neurotecnologia. Atualmente, o país importa a maioria dos equipamentos de BCI de fornecedores americanos (como NeuroSky e Emotiv) e europeus (g.tec). Se a Waves AI Agent conseguir escalar produção e reduzir custos — algo que startups chinesas costumam fazer rapidamente —, hospitais brasileiros como o Hospital das Clínicas (SP) e a Rede Sarah (DF) podem ter acesso a alternativas mais baratas para reabilitação de pacientes com lesões medulares ou AVC. Além disso, universidades brasileiras que pesquisam BCI, como a USP e a Unicamp, poderão buscar parcerias com a startup chinesa. Na leitura do CBI, o movimento da Waves AI Agent é um sinal de que a China está deixando de ser apenas seguidora em neurotecnologia para se tornar protagonista. Enquanto a Neuralink (EUA) foca em implantes invasivos, a abordagem não invasiva chinesa pode conquistar mercados emergentes como o Brasil, onde o custo e a complexidade cirúrgica são barreiras. Os dados mostram que o mercado global de BCI deve crescer de USD 1,5 bilhão em 2023 para USD 5 bilhões até 2030, segundo a Grand View Research. A avaliação do CBI é que a entrada de capital chinês nesse setor acelera a corrida por aplicações comerciais, especialmente em saúde e educação. O que acompanhar: (1) a publicação dos primeiros resultados de testes clínicos da Waves AI Agent, prevista para o segundo semestre de 2025; (2) a eventual abertura de escritório ou distribuidor na América Latina, que pode ocorrer em 2026; (3) a reação da ANVISA, que precisará definir regras para certificação de dispositivos BCI importados da China.

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