Startup chinesa de hidrogênio para aviação capta R$ 40 mi — eVTOLs brasileiros podem ganhar alternativa ao querosene
· Clara Lin
Veículos elétricos e baterias
A Yiqing Power, spin-off da Universidade Tsinghua, levantou dezenas de milhões de yuans para desenvolver células a combustível de hidrogênio para aeronaves. A tecnologia promete autonomia 3x maior que baterias e custo menor que querosene, abrindo caminho para táxis aéreos e aviação regional no Br...
Por que isso importa
A captação de R$40 milhões pela startup chinesa Yiqing Power para células de hidrogênio aeronáutico impacta diretamente a Embraer e sua subsidiária Eve Air Mobility, que buscam alternativas ao querosene. Se o hidrogênio verde se tornar mais barato que o querosene na China em breve, conforme o fundador, o Brasil, com potencial de produção via Nordeste e hidrelétricas, pode se posicionar como fornecedor de combustível para eVTOLs.
O que fazer
Monitore a ANAC para abertura de consulta pública sobre certificação de células a combustível de hidrogênio em aeronaves; consulte o BNDES sobre linhas de crédito para projetos de hidrogênio verde no Nordeste; verifique no portal do Ministério de Minas e Energia as diretrizes para o programa nacional de hidrogênio.
Janela de tempo
Não há prazo imediato, mas a tecnologia já está em fase de validação com fabricantes chineses; o custo do hidrogênio verde pode cair nos próximos 12 meses, exigindo acompanhamento trimestral.
A Yiqing Power, fornecedora chinesa de sistemas de propulsão a hidrogênio para aviação, concluiu rodada Anjo+ de dezenas de milhões de yuans (cerca de R$ 40 milhões), liderada pelos fundos Hongniao Qihang e Guizhou Kechuang Angel. O recurso será usado para desenvolver células a combustível refrigeradas a líquido de grau aeronáutico e expandir aplicações comerciais. Para o Brasil, onde a aviação regional e os eVTOLs (táxis aéreos) começam a ganhar tração, a notícia sinaliza que uma rota tecnológica de baixo carbono e menor custo operacional pode estar mais próxima do que se imagina.
Fundada por doutores da Universidade Tsinghua, a Yiqing Power desenvolve células a combustível de hidrogênio específicas para aviação — um segmento onde a China historicamente ficou atrás da Europa. Enquanto o setor automotivo já consolidou padrões para hidrogênio, a aviação exigiu que a startup criasse componentes do zero, seguindo normas aeronáuticas. O primeiro produto, uma célula de 30kW refrigerada a líquido, levou três a quatro anos para ser desenvolvido.
O impacto chega ao Brasil por dois canais. Primeiro, a Embraer e startups brasileiras de eVTOL (como a Eve Air Mobility) estão na corrida por alternativas ao querosene de aviação. Se a rota do hidrogênio se provar viável, o custo de operação de aeronaves regionais e táxis aéreos pode cair significativamente — o fundador da Yiqing Power afirma que o hidrogênio verde já será mais barato que o querosene em breve na China, tendência que pode se replicar globalmente. Segundo, o Brasil é um dos maiores produtores potenciais de hidrogênio verde do mundo (via Nordeste e hidrelétricas), o que poderia posicionar o país como fornecedor de combustível para essa nova frota.
Na leitura do CBI, os dados mostram que a Yiqing Power já tem acordos com fabricantes chineses de aeronaves para validação de sistemas. Isso indica que a tecnologia está saindo do laboratório. Contudo, o caminho até a certificação aeronáutica (ANAC no Brasil, FAA/EASA globalmente) é longo e custoso. A vantagem competitiva da empresa é ter começado cedo — enquanto o consenso chinês sobre aviação a hidrogênio só agora se forma, a startup acumula quatro anos de engenharia dedicada.
O que acompanhar: (1) se a Yiqing Power buscará certificação junto à ANAC ou parceiros brasileiros; (2) o custo do hidrogênio verde no Brasil vs. querosene de aviação nos próximos 12 meses; (3) anúncios de parcerias entre fabricantes chineses de células a combustível e montadoras brasileiras de eVTOL.
Nota sobre a fonte
Fonte 36氪 (mídia chinesa) pode ter tom otimista típico ao destacar o pioneirismo da startup, mas os acordos com fabricantes chineses indicam progresso técnico real.