Startup chinesa de chips neuromórficos capta R$ 40 mi — dispositivos médicos vestíveis brasileiros podem ganhar nova geração
· Clara Lin
Eletrônicos e máquinasVeículos elétricos e baterias
A Míneng Technology, startup chinesa de chips cerebrais neuromórficos, levantou dezenas de milhões de yuans para produzir módulos médicos de ultrabaixo consumo. A tecnologia promete resolver gargalos de bateria e latência em dispositivos vestíveis, abrindo caminho para parcerias com fabricantes b...
Por que isso importa
O crescimento de 18% ao ano do mercado global de dispositivos médicos vestíveis e a participação de 35% da China na produção de sensores fisiológicos abrem oportunidade para fabricantes brasileiros de equipamentos médicos (associados à ABIMED) integrarem chips neuromórficos da Míneng, especialmente com aumento de 22% nas exportações chinesas de componentes eletrônicos para dispositivos médicos ao Brasil em 2024 (SECEX).
O que fazer
Entre em contato com a ABIMED para mapear potenciais parceiros chineses e avaliar a integração dos módulos da Míneng em linhas de produtos; acompanhe no site da ANVISA a eventual submissão de certificação de novos dispositivos que utilizem essa arquitetura; utilize o portal ComexStat para monitorar a evolução das importações de componentes eletrônicos chineses para dispositivos médicos (NCM 8542, 9031) e identificar tendências de fornecimento.
Janela de tempo
A janela de oportunidade para fabricantes brasileiros se anteciparem à certificação ANVISA e estabelecerem parcerias com a Míneng se abre agora, com resultados clínicos previstos para o segundo semestre de 2025.
A Míneng Technology, empresa chinesa especializada em chips neuromórficos para aplicações fisiológicas, fechou rodada de financiamento de dezenas de milhões de yuans (cerca de R$ 40 milhões) com os fundos Xianju Lanwan e Wuxi Venture Capital. O recurso será usado para produção em massa de módulos padronizados de nível médico e integração com fabricantes de equipamentos. Para o Brasil, onde doenças crônicas como diabetes e hipertensão afetam mais de 60% da população adulta, a tecnologia pode viabilizar dispositivos vestíveis de monitoramento contínuo com bateria de longa duração — um gargalo crítico que trava a adoção em larga escala no país.
A Míneng Technology desenvolveu um núcleo de computação neuromórfico baseado em rede neural de pulso (SNN), que replica o funcionamento assíncrono do cérebro humano. Diferente dos chips tradicionais MCU+ANN, que processam continuamente todos os sinais — mesmo quando não há alteração fisiológica relevante —, o chip da Míneng só ativa a unidade de computação quando detecta mutações em ondas de EEG, ECG ou EMG. Na ausência de anormalidades, o chip entra em estado de sono profundo de ultrabaixo consumo, permitindo monitoramento 7×24 horas sem interrupção. A empresa afirma que o modelo de computação tradicional de 'janela fixa e amostragem contínua' gera perda energética significativa, reduzindo a vida útil da bateria e causando aquecimento do dispositivo — problemas que inviabilizam o uso prolongado em casa.
O impacto chega ao Brasil por dois canais. Primeiro, fabricantes brasileiros de equipamentos médicos — como as associadas à ABIMED (Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos) — poderão integrar os módulos da Míneng em seus produtos, acelerando o desenvolvimento de dispositivos vestíveis para monitoramento remoto de doenças crônicas, um mercado em expansão no país. Segundo, a ANVISA precisará avaliar a certificação de novos dispositivos que utilizem essa arquitetura de chip, especialmente para uso em intervenção neural em circuito fechado e gerenciamento domiciliar de doenças crônicas — áreas ainda sem regulamentação específica no Brasil.
Na leitura do CBI, o movimento da Míneng representa uma mudança de paradigma na computação para dispositivos médicos. Os dados mostram que o mercado global de dispositivos médicos vestíveis deve crescer 18% ao ano até 2030, e a China já responde por 35% da produção mundial de sensores fisiológicos. A avaliação do CBI é que a aposta da Míneng em não fabricar equipamentos finais, mas sim fornecer uma plataforma de base padronizada, é uma estratégia inteligente para escalar rapidamente sem competir com seus próprios clientes — algo que pode beneficiar fabricantes brasileiros que buscam diferenciação tecnológica sem investir pesado em P&D de chips.
O que acompanhar: (1) a publicação dos primeiros resultados clínicos dos módulos da Míneng em dispositivos vestíveis, prevista para o segundo semestre de 2025; (2) a eventual submissão de pedidos de certificação à ANVISA por fabricantes brasileiros parceiros; (3) a evolução das exportações chinesas de componentes eletrônicos para dispositivos médicos ao Brasil, que cresceram 22% em 2024, segundo dados da SECEX.
Nota sobre a fonte
A fonte chinesa 36氪 adota tom otimista ao descrever a tecnologia, sem aprofundar riscos de integração ou barreiras regulatórias no Brasil.