Tecnologia

Startup chinesa cria 'DJI subaquático' — mercado de turismo e mergulho brasileiro pode ser próximo alvo

· Clara Lin
Eletrônicos e máquinasVeículos elétricos e baterias

A chinesa LinDong Technology, liderada por um doutorando da geração 2000, captou mais de RMB 10 milhões (cerca de USD 1,4 milhão) para desenvolver robôs biomiméticos subaquáticos de consumo, apostando em um mercado que pode chegar ao litoral brasileiro e ao setor de turismo náutico.

A LinDong Technology, startup de Pequim fundada por Chu Yichen, doutorando da Northeastern University, acaba de fechar uma rodada Pré-A de mais de 10 milhões de RMB (aproximadamente USD 1,4 milhão), liderada pela Jinqiao Fund, com a Y Combinator China mantendo sua participação. O objetivo é ambicioso: criar o 'DJI do mundo subaquático', um robô de filmagem compacto, sem cabos e acessível para consumidores comuns. Para o Brasil, o movimento sinaliza que a próxima fronteira de dispositivos inteligentes de consumo pode deixar o ar e ganhar os mares — um setor com potencial direto no litoral brasileiro, especialmente nas regiões de turismo náutico e mergulho, como Fernando de Noronha, Abrolhos e o litoral de Santa Catarina. A LinDong Technology, startup de Pequim fundada por Chu Yichen, doutorando da Northeastern University, acaba de fechar uma rodada Pré-A de mais de 10 milhões de RMB (aproximadamente USD 1,4 milhão), liderada pela Jinqiao Fund, com a Y Combinator China mantendo sua participação. Os recursos serão usados para pesquisa e desenvolvimento da tecnologia central, lançamento do primeiro robô de filmagem subaquática de consumo e iteração de produtos. A Capital Momentum atuou como consultora financeira exclusiva da operação. Enquanto o mercado global de tecnologia concentra atenção em robôs humanoides, Chu Yichen escolheu um caminho mais difícil: robôs biomiméticos subaquáticos. A tese é simples — os oceanos cobrem 71% da superfície da Terra, mas o desenvolvimento digital e inteligente do mundo subaquático ainda está em estágio inicial. Com o crescimento das indústrias de lazer marinho, como iates, mergulho, pesca oceânica e esportes aquáticos, a demanda por filmagem subaquática e exploração de entretenimento está crescendo. O problema, segundo o fundador, é que os robôs subaquáticos existentes são volumosos, complexos e muitas vezes dependem de cabos, o que impede sua adoção em massa. A solução da LinDong é a biomimética: a empresa imita mecanismos de movimento de tartarugas marinhas, sapos, lagostas e lulas, usando propulsão biomimética para melhorar estabilidade e eficiência energética. A startup também desenvolveu uma tecnologia própria chamada 'sub-atuada', que permite realizar múltiplos movimentos com um único acionador, simplificando a estrutura e reduzindo o consumo de energia. O resultado: o custo dos principais componentes de acionamento caiu cerca de 60%. A equipe de P&D é majoritariamente composta por doutorandos e mestrandos da geração 2000, vindos do Laboratório de Engenharia Biomimética e Tecnologia Inteligente da Northeastern University. O impacto direto para o Brasil é indireto, via cadeia de turismo e equipamentos náuticos. O país possui uma das maiores costas do mundo e um mercado crescente de mergulho e turismo marinho, mas ainda depende de equipamentos importados para exploração subaquática. Se a LinDong conseguir entregar um produto compacto, sem cabos e com preço acessível, o litoral brasileiro — de Fernando de Noronha a Abrolhos, passando pelo litoral catarinense — pode se tornar um mercado relevante para esse tipo de dispositivo, tanto para turistas quanto para operadores de mergulho e produtores de conteúdo. Na leitura do CBI, a aposta da LinDong em um produto de consumo subaquático segue a mesma lógica que popularizou os drones DJI no Brasil: primeiro dominar a tecnologia, depois criar um mercado de massa com preço acessível. Os dados mostram que o mercado de lazer marinho está em expansão global, mas a avaliação do CBI é que o Brasil ainda não tem uma indústria local capaz de competir nesse segmento — o que abre espaço para importação e distribuição. O que acompanhar: (1) o lançamento do primeiro produto comercial da LinDong, previsto para os próximos meses; (2) a entrada de concorrentes chineses no segmento, como a QYSEA e a Chasing Innovation; (3) o movimento de distribuidores brasileiros de equipamentos de mergulho e drones em busca de novas linhas de produtos.

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