Tecnologia
Shokz lança fone com IA da Guangfan — mercado brasileiro de wearables observa nova fronteira competitiva
· Clara Lin
Eletrônicos e máquinasVeículos elétricos e baterias
A Shokz lançou na China o fone de ouvido aberto OpenFit 2 AI, com sistema de IA da Guangfan Technology. Para o mercado brasileiro, isso sinaliza a evolução dos wearables de acessórios para assistentes inteligentes, pressionando fabricantes locais e importadores a repensarem suas ofertas.
Em 18 de agosto de 2026, a Shokz, líder global em fones de ouvido abertos, apresentou em Xangai o OpenFit 2 AI, seu novo dispositivo com inteligência artificial integrada. A novidade é resultado de uma parceria com a Guangfan Technology, que fornece o sistema operacional de IA 'AI OS' e o conjunto de funcionalidades 'AI Lab'. Para o mercado brasileiro, o movimento acirra a concorrência no setor de wearables, onde a demanda por dispositivos com IA ainda é incipiente, mas promete crescer, pressionando importadores e marcas locais a se adaptarem a uma nova geração de produtos.
A Shokz, conhecida por seus fones de ouvido de condução óssea e agora com a linha aberta, anunciou uma parceria estratégica com a Guangfan Technology para equipar seu novo produto, o OpenFit 2 AI, com um sistema de inteligência artificial. O dispositivo, apresentado em Xangai, integra o 'AI Lab', um conjunto de funcionalidades de eficiência baseado no AI OS proprietário da Guangfan. Isso inclui conversação inteligente, gerenciamento de agenda e tarefas, anotações e consultas rápidas, e leitura de mensagens longas, que podem ser resumidas e lidas em voz alta para o usuário. A novidade representa a primeira implementação da capacidade de IA da Guangfan em hardware de uma marca de terceiros, marcando a transição de sua tecnologia de produtos próprios para o mercado aberto. O assistente inteligente, chamado 'Xiaofan', pode ser acionado com um toque duplo no fone, permitindo agendar compromissos e criar lembretes personalizados. As funcionalidades serão disponibilizadas gradualmente via atualizações OTA (over-the-air).
O impacto para o Brasil é indireto, mas relevante. O país é um mercado consumidor de eletrônicos e wearables, com uma classe média que adota rapidamente novas tecnologias. A chegada de fones de ouvido com IA sistêmica, como o OpenFit 2 AI, pode influenciar as expectativas dos consumidores brasileiros, que já estão acostumados com assistentes de voz em smartphones. Para as empresas brasileiras, especialmente importadores e distribuidores de eletrônicos, isso sinaliza uma mudança no tipo de produto que será demandado. A concorrência não será mais apenas por qualidade de áudio ou design, mas pela capacidade de integração com ecossistemas de IA. Fabricantes locais e marcas que operam no Brasil, como a própria Shokz, que já tem presença no país, precisarão avaliar se seus produtos atendem a essa nova demanda. A Receita Federal e a CAMEX (Câmara de Comércio Exterior) podem observar um aumento na importação de componentes e dispositivos com IA, o que pode gerar discussões sobre tributação e políticas de incentivo à inovação.
Os dados mostram que o mercado global de fones de ouvido com IA deve atingir US$ 7,42 bilhões em 2026, com projeção de US$ 17,34 bilhões até 2030, segundo a The Business Research Company. Na China, as remessas de fones abertos cresceram 20,2% em 2025, totalizando 29,96 milhões de unidades, de acordo com a IDC. Na leitura do CBI, isso indica que a IA está se tornando um diferencial competitivo crucial no setor de wearables, e a parceria Shokz-Guangfan é um exemplo de como a integração de grandes modelos de linguagem está evoluindo de funcionalidades pontuais para capacidades sistêmicas. A avaliação é que o mercado brasileiro, embora ainda não tenha a mesma escala, seguirá essa tendência, com um atraso de 12 a 18 meses. As empresas que se anteciparem, oferecendo produtos com IA integrada e ecossistemas abertos, terão vantagem competitiva.
O que acompanhar: 1) A evolução das vendas do OpenFit 2 AI na China e sua possível chegada ao Brasil, o que pode indicar o apetite do consumidor local por essa tecnologia. 2) A reação de concorrentes como Samsung, Apple e marcas chinesas como Xiaomi e Huawei, que podem lançar produtos similares, pressionando o mercado. 3) A política de preços e a estratégia de distribuição da Shokz no Brasil, que podem ser afetadas por variações cambiais e custos de importação.
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