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Safra de verão da China cresce 0,7% — trigo recorde pressiona preços e afeta exportadores brasileiros de grãos

· Clara Lin
Soja e oleaginosasInfraestrutura e construçãoVeículos elétricos e baterias

A China registrou produção recorde de grãos de verão em 2026, com 150,7 milhões de toneladas, impulsionada pelo aumento de produtividade do trigo, sinalizando menor dependência de importações e potencial impacto sobre exportadores brasileiros de grãos e farelo de trigo.

Por que isso importa

O aumento de 0,7% na safra de verão chinesa e a produtividade recorde de trigo (6.039,6 kg/ha) pressionam os preços internacionais de grãos na CBOT, afetando diretamente exportadores brasileiros de soja em Mato Grosso e Paraná, que já operam com margens reduzidas diante da concorrência de farelo de soja e milho no mercado asiático.

O que fazer

Consulte no ComexStat os volumes de exportação de soja para a China nos últimos 60 dias; Acompanhe na B3 os contratos futuros de soja (SOJ) para avaliar tendências de curto prazo; Entre em contato com a CNA e a ABIOVE para revisar as projeções de embarques do segundo semestre e ajustar a estratégia de hedge.

Janela de tempo

Os preços do trigo já recuaram na CBOT nesta semana, e a redução esperada nos leilões de compra do governo chinês (próximos 15 dias) pode confirmar a tendência, exigindo reavaliação imediata dos contratos de soja para setembro.

O Gabinete Nacional de Estatísticas da China divulgou nesta quinta-feira (10/07) que a safra de verão de 2026 atingiu 150,746 milhões de toneladas, alta de 0,7% ante 2025, puxada pelo trigo, que responde por 92% do total e registrou produtividade recorde de 6.039,6 kg/hectare. Para o Brasil, que exporta soja e milho para a China e disputa espaço no mercado global de farelos proteicos, o dado sinaliza que Pequim pode reduzir compras externas de trigo e insumos similares, afetando a competitividade dos produtos brasileiros no curto prazo. A China colheu 150,746 milhões de toneladas de grãos de verão em 2026, um aumento de 1 milhão de toneladas (0,7%) em relação ao ano anterior, segundo o Gabinete Nacional de Estatísticas (NBS). A área plantada caiu 0,2%, para 26,532 milhões de hectares, mas a produtividade subiu 0,8%, para 5.681,6 kg/hectare. O trigo, principal cultura de verão, somou 138,952 milhões de toneladas (+0,6%), com produtividade recorde de 6.039,6 kg/hectare (+0,9%). Os destaques regionais foram Henan (37,76 milhões de toneladas), Shandong (27,51 milhões) e Hebei (15,44 milhões), que juntos respondem por 54% da produção nacional. O impacto chega ao Brasil por dois canais. Primeiro, a oferta chinesa de trigo reduz a necessidade de importações do cereal — a China importou cerca de 10 milhões de toneladas de trigo em 2025, principalmente da Austrália, França e EUA, mas o Brasil, que exporta farelo de soja e milho, compete indiretamente no mercado global de rações animais. Segundo, a produtividade recorde chinesa pressiona os preços internacionais do trigo na CBOT, o que pode reduzir as margens dos exportadores brasileiros de milho e soja, já que a soja brasileira é precificada em relação ao complexo de grãos global. A Associação Brasileira das Indústrias de Trigo (Abitrigo) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) devem monitorar os próximos leilões de compra do governo chinês. Os dados mostram que a China está compensando a redução de área plantada com ganhos de produtividade, especialmente no trigo (6.039,6 kg/ha, ante 5.988,2 kg/ha em 2025). Na leitura do CBI, isso indica que Pequim está executando sua estratégia de "segurança alimentar" com foco em inovação agrícola (sementes, irrigação, fertilizantes), reduzindo a dependência de importações de grãos básicos. Em 2025, a China importou 16,5 milhões de toneladas de soja do Brasil, mas para trigo as compras brasileiras são marginais. O efeito real é sobre o mercado global de proteínas: mais trigo chinês significa menos demanda por milho e farelo de soja no mercado asiático, afetando os preços de referência para os embarques brasileiros. O que acompanhar: (1) os próximos leilões de compra de trigo da China para reservas estatais, que podem ser reduzidos; (2) a variação dos preços do trigo na CBOT nas próximas duas semanas; (3) a reunião do Ministério da Agricultura (MAPA) com a CNA para revisão das projeções de exportação de milho e soja para o segundo semestre.

Nota sobre a fonte

A fonte oficial chinesa (NBS) destaca o recorde de produtividade como sucesso da política de segurança alimentar, mas os dados são tecnicamente precisos e o impacto sobre preços é objetivo.

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